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Me conta uma história?

Por: 20 de Janeiro de 2020

Muito antes da super exposição do termo storytelling, a gente já sabia o que era uma boa história, daquelas que nos prendem a atenção, que fazem a nossa mente imaginar toda a cena e quase não respirando, ficar aguardando o final dela.

Walt Disney, Monteiro Lobato, Irmãos Grimm, Hans Christian Andersen, Jean de La Fontaine, Antoine de Saint-Exupéry, Cecília Meireles, Maurício de Souza, Stan Lee, Bob Kane, Ziraldo, Ruth Souza, Maria Clara Machado, Beatrix Potter, Jorge Amado, Graciliano Ramos, J.K. Rowling, George R. R. Martin, Stephen King, J. R. R. Tolkien e muitos outros, sintetizam a capacidade ímpar de escrever histórias cativantes e envolventes, com personagens inesquecíveis. Para falar do Brasil, como não citar as novelas e personagens icônicos como Viúva Porcina, Carminha, Crô, Nazaré, Jamanta, Odorico Paraguassu, Gabriela, Herculano Quintanilha, entre muitos outros também?

Mas nesta galeria de grande heróis ou não (rs), queria hoje falar de um bem brasileiro ou não também (rs rs). Pedro Malasartes é um personagem famoso e comum em histórias populares brasileiras e que nos chegam aos ouvidos pela habilidade de grandes contadores. Malandro, sábio e sedutor, Pedro é descendente direto das histórias vindas de povos europeus, principalmente da Península Ibérica. Na Espanha seu nome é Pedro Urdemales, em Portugal também é chamado de Pedro Malasartes, na Alemanha existe o Till Eulenspiegel, na Noruega temos Peer Gynt, na Turquia existe Nasreddin Hoca e em outros países árabes, como Irã, Paquistão, Egito e Síria temos Nasrudin, que também é conhecido por Goha, Srulek ou Djeha.

Como um traço comum, temos um protagonista ingênuo, simples, por vezes tolo, sábio e talvez um pouco louco. Malandro e sedutor também são bons adjetivos, mas a sua humildade não diminui a sua astúcia e principalmente suas artimanhas. Ele é a síntese do antiherói, que mesmo com algumas falhas de caráter, um tanto preguiçosos e bem inclinados à malandragem e à esperteza, sempre levam a melhor diante dos poderosos, avarentos, orgulhosos e vaidosos. Por vezes vestem a capa de uma paladino da justiça e em outras é são apenas aquele sujeito safo que batalha sua sobrevivência.

É um personagem daqueles ricos e complexos, que seduzem autores de novelas, escritores, roteiristas e sem nenhum tipo de tendência à ser perfeito e cheio de virtudes, são o que são de verdade e isso – como um verdadeiro storytelling – lhe traz um viço inconfundível, que atraem grande audiência, seduzem o expectator/leitor e ganham uma grande torcida, como o matuto João Grilo, personagem criado pelo genial Ariano Suassuna em “Auto da Compadecida”.

Fora toda a curiosidade deste assunto, talvez você esteja queirando saber onde é que vai dar essa história… e aqui eu separo este final em dois, com direito à spoiler, cenas dos próximos capítulos e uma esperada segunda temporada…

Primeiramente que vivemos hoje a síntese das histórias pessoais. Se não bastasse estarmos escrevendo a nossa própria a cada dia, temos ainda o privilégio de contar hoje com inúmeros meios para que ela possa ser contada, difundida, compartilhada e postada. Vivemos uma época onde a quantidade de histórias que temos contato é infinitamente maior do que a nossa capacidade de interagir com elas. Ficam as que são mais verdadeiras, as que se conectam com a gente e que em sua narrativa sabem dosar emoção, aventura, humor, boas mensagens residuais e principalmente nos trazem uma experiência positiva.

Pena que para chegarmos à essas, tenhamos que passar por tantas outras que realmente não merecem uma virada de capa, um click no post ou passarmos da primeira linha do seu descritivo. Porque é impressionante como dentro de um universo tão rico e onde toda e qualquer vida tem a possibilidade de ser interessante o suficiente para se transformar numa boa história, as pessas ainda insistem em contar aquilo que não é absolutamente importante, pelo menos pela ótica de alguém que goste de histórias. Como forma de expressão vale tudo e então dá-lhe mapinha mostrando o trajeto do avião que vai pegar, pulseira com o nome no hospital enquanto toma soro, pratos que está comendo, lugares que está visitando, amigos que está encontrando e as enigmáticas do tipo: “Dia difícil, mas Deus está no poder” (sic)…

Claro, cada um faz o que bem entende na sua timeline e posta absolutamente o que quiser, mas se a intenção é estar contando uma história onde você é o protagonista, será que ela é legal? Está conquistando audiência? Ou é apenas uma maneira de se expor, não se preocupando se alguém está vendo? “Qual é” a da sua história?

Ok, as redes sociais estão cheias de celebridades que possuem milhões de seguidores contando histórias que contrariam qualquer manual para escrever uma verdadeira história. Esqueça a jornada do herói, a narrativa e o que interessa é dividir amenidades, pois isso as pessoas também compram.

E em meio à esse caos de um storytelling diário, com grandes autores e outros nem tanto convivendo nas mesmas mídias e espaços de expressão, fica a provocação sobre qual é a história que estamos contando e qual será o impacto dela para que se transforme em algo perene ou um legado, como tudo que gravado e registrado pelo poder mágico da escrita pode ser considerado. Como autores que todos somos, queremos audiência, mas o que estamos fazendo para tê-la?

E em meio deste questionamento, chego ao segundo final dessa história e ela simplesmente vai deixar de lado discussões conceituais para homenagear, pois hoje é segunda-feira e dia de #MTT (MondayToThank). E hoje é de dia de falar das inúmeras pessoas que escrevem bem, muito bem e ainda nos encantam com aquelas narrativas que fazem a gente ficar puto por não escrever tão bem, ao mesmo tempo em que nos sentimos privilegiados por poder lê-las e nos sentirmos alimentados, pois um bom texto e uma grande história são assim, um alimento para a alma e esses e essas carinhas aqui são um amostra destas pessoas pessoas que valem cada segundo de nossa dedicação para ler, pensar e digerir um texto escrito por eles:

#MTT Tony Coelho, Percival Caropreso, Paulo Sabino, Fernanda Young, Mentor Neto, Dilma Campos, José Luiz Martins, Bárbara Gancia, Paulo Leminsky, Leila Germano, Clóvis de Barros Filho, Marina Pechlivanis, Charles Bukowski, Leandro Karnal, Anna Karina, Luiz Felipe Pondé, Tati Bernardi e Cássio Zanatta.

Lógico que esta lista pode ser ampliada ao infinito, mas hoje em especial eu também gostaria de fazer um #MTT para uma pessoa que poderia tranquilamente escrever muito, mas ela escolheu outra maneira de se conectar com história e da forma mais brilhante, elas as conta: #MTT Nagary Devi! Obrigado pelas incríveis e tocantes histórias que você nos conta, usando o seu personagem preferido (justamente o Pedro Malasartes do começo do texto), nos encantando com uma forma envolvente que além de nos colocar dentro da história, faz com que possamos aprender lições complexas da forma mais simples e vendo o quanto o poder de uma real história independe de um post, uma foto, do Insta, do Face ou de um Stories, simplesmente pelo poder que há em quem nos vermos ao vivo e frente a frente com um legítimo contador de histórias.

Se não bastasse esse seu dom divino, você ainda nos traz o exemplo de sua história pessoal, que contada no dia a dia e gravitando no passado, presente e futuro, ainda mostra a sua perseverança e vontade de manter a história viva. A sua, a nossa e a de quem quiser… Nagary, nos conte mais uma história?

E finalizando, um #MTT ao meu amigo Zezinho (também Lourenço ou Lawrence), que hoje está escrevendo um capítulo importante e muito decisivo. Um cara extremamente generoso, que com sua inteligência e profundo conhecimento ajudou a mim e muitas outras pessoas à começarem a escrever suas próprias histórias. Hoje, ele não recebe só a minha imensa gratidão, mas também os melhores pensamentos e boas energias para que tenha forças e continue escrevendo e vivendo a sua história, da forma exemplar como sempre fez. Vamos lá Lawrence, conte-nos mais uma história também!

 

 

 

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