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Diversidade, Big Data, empoderamento e autenticidade dominam palestras no SXSW

Por: Julio Feijó 15 de Março de 2016

Passados os primeiros dias, o SXSW mostra o seu valor e surpreende os participantes com o conteúdo apresentado.

A profundidade com que temas relevantes são tratados em Austin auxilia os novos profissionais a concretizarem convicções e causa perplexidade naqueles que construiram sua base acadêmica em tempos mais antigos. A começar pela dificuldade em escolher o que ver e ouvir, tamanha a diversidade de temas. O evento é distribuído por diversos hotéis, cafés, bancos, centros de convenção e muitos outros espaços fazendo com que o visitante se desloque entre museus, parques e outros espaços. Isso oferece a oportunidade de conhecer a cidade e não ficar enclausurado uma tarde inteira num só local. Uma vez que nem sempre são lugares próximos, o visitante se vê “espontaneamente forçado” a melhorar suas aptidões geográficas e conhecimento do sistema de transporte da cidade. Não faltam opções: bikes, trens, ônibus, shuttles, padcabs. E as filas são parte do programa.


Durante o processo de cadastramento do evento que é realizado por voluntários, o idioma mais ouvido depois do inglês foi o português dos brasileiros. Lá fora chamava a atenção a quantidade de food trucks ao redor do Austin Convention Center, com todos os tipos de comidas possíveis e que só não tinham mais gente ao seu redor por conta do frio e da fina chuva que caía na região.

Crachá na mão, o desafio é escolher o que ver. O processo de seleção das palestras é intenso e complexo. Diversidade de conteúdo é o que define as 124 páginas do caderno entregue a nós com todas as sessões até o dia 15. Inovação, Design, Media, Conteúdo, Startups, Teologia, Políticas Públicas, Desenvolvimento Sustentável. que mostram mais o impacto das novas mídias, tecnologia, VR, IA, etc na vida das pessoas. Como isso tudo está mudando, desde a forma como uma pessoa pode visitar um imóvel dos sonhos até como um fazendeiro usa drones para cuidar de seu rebanho, carros autônomos e um aplicativo para ser feliz.. Sem contar os shows, happy hours, sessões de mentoring, leituras ao vivo de livros.

Já no primeiro dia o presidente Obama validou tudo isso. Em sua segunda participação no evento, foi enfático " Estamos em um momento da história em que a economia e as tecnologias estão mudando muito rapidamente. E o SXSW reúne as pessoas que estão à frente dessas mudanças disruptivas, que empoderam indivíduos. Um dos meus desafios como presidente é encontrar maneiras para catalisar essas mudanças em favor dos setores não-governamental e privado. Investimos muito tempo pensando em como o governo pode trabalhar melhor nas plataformas digitais”, disse.

Uma caracteristica do SXSW não é para focar os maiores esforços no que se espera ou que se faz hoje. Por isso destacamos a palestra da Jaclyn Suzuki – uma estrategista de um estudio chamado Ziba.

Ela fez um painel incrível sobre a Geração Z – aquela que veio depois dos millenials, e que nos EUA engloba pessoas com idade entre 5 e 12 anos. E focou sobre qual será o perfil normal desta geração lá em 2025.

Depois de fazer um apanhado sobre as grandes características desta geração – que é a mais diversa etnicamente desde a geração X, vem de estruturas familiares nada tradicionais e não se define por seu gênero nem suas carreiras, ela falou do que pareceu ser o atributo principal deles: a fluidez com que enxergam e transitam pelo mundo – e suas implicações pras marcas, que são 5:

– Trate seu produto como um ingrediente: a Geração Z rejeita branding ostensivo. Então, seja mais discreto ao mostrar seu logotipo. Eles querem se identificar com sua marca, mas não querem se definir por ela.

– Conceba e embale seus serviços como uma religião: faça os consumidores sentirem-se num rito de passagem quando começam a usá-los, e fale de seus valores com a mesma motivação e intensidade de um líder religioso

– Pense no seu negócio / marca como uma plataforma, um “enabler”: use de fato a sabedoria e a mão de obra das massas e seja transparente ao acompanhar seu progresso e resultados

– Trate tecnologia como uma tatuagem: ela serve pra melhorar as pessoas, pra aumentá-las (como já haviam previsto Amber Case e Ray Kurzweil no meu primeiro SXSW, em 2012).

– Estilo fluido: como a fluidez definitivamente direciona o olhar deste segmento, eles não se definem com uma só identidade. Pense no Jaden Smith, (filho do Will e da Jada Pinkett): ele namora uma menina, se veste usando roupas masculinas e femininas, anda por aí com um galão de água porque quer ser saudável e foi garoto propaganda da última coleção da Chanel usando vários vestidos.

APP´S VÃO DESAPARECER?

Durante a palestra Will AI Augment or Destroy Humanity?  Dag Kittlaus, Um dos criadores da Siri,dizia que criar uma personalidade para a Siri foi bastante discutido durante o projeto. Na visão dele, se você cria uma conexão emocional com a assistente pessoal o impacto é muito maior e quanto mais a Siri responder esse tipo de pergunta pessoal, mais você vai querer interagir com ela.

Ele prevê que até  2020 as pessoas não irão usar mais aplicativos. Uma plataforma que funcionará como uma interface de inteligência, será o jeito mais fácil de interagir com qualquer sistema, através da fala.

Segundo Kittlaus, falar com uma plataforma é 7 x mais rápido que digitar. E agora, o mesmo criador da Siri é o CEO e Co-Founder do Viv, The Global Brain cujo objetivo é simplificar o mundo oferecendo uma camada de inteligência sobre tudo que acessamos. A visão do fundador é que você possa falar normalmente, sem pensar em como fazer a pergunta. E quando você vir o ícone Viv significará que você poderá falar com aquela plataforma.

BIG DATA

Os temas por aqui envolvem uma dinâmica social muito grande e discutem a convivência entre máquinas e humanos, diversidade de gêneros, big data e empoderamento feminino e qual o impacto que a tecnologia está gerando para a desconstrução social de determinados temas como entendemos hoje.

O binarismo vai perdendo espaço nas mesas de discussão. O discurso de máquinas versus homens não faz mais parte, mas sim a cooperação para a evolução da inteligência  e suas aplicações cada vez mais tangíveis e reais. Por trás disso tudo, muitos dados, que também fazem com que “a big data” passe pelo processo de evolução: dados tradicionalmente masculinos afetam o empoderamento feminino.

A porta foi aberta para falar de marcado híbrido de dados e o que fazemos com eles no mundo real. Shepherd Laughlin também focou sua presentation sobre como a Geração Z percebe a construção de gêneros para além do binarismo.
Enquanto a geração Y abriu o caminho para falar mais abertamente sobre identificação e gênero, para os da Z, “identificar é dar poder, é político e gera consumo . "Ninguém me disse o que eu era, eu googlei o meu caminho para o meu gênero”, disse Tylor Ford, agênero e um dos grandes nomes mundiais nessa discussão, mostrando que é fundamental discutir o papel do indivíduo nessa transformação social potencializada pela tecnologia para que as pessoas possam exercer o  empoderamento atribuído a elas. E a internet na palma da mão facilita o acesso à comunicação e traz os dados necessários para que sejam gerados insights para empatia e conexão humana.

INTERNET DAS COISAS

Outro tema ainda tratado como futurista diz respeito a internet das coisas que vem avançando com menor velocidade do que se previa. Mesmo asim Brian Wong mostrou em sua apresentação alguns conceitos interessantes e que não precisam esperar para que chips sejam colocados em escovas de dente, geladeiras, termostatos, cafeteiras, bicicletas, aparelhos de ginastica, e outras das coisas que usamos no dia a dia.

“As marcas devem criar experiências inesquecíveis para seus consumidores entre as transações. O comportamento do consumidor deve funcionar como um gatilho para a recompensa, que funciona como uma ponte entre uma conversão e outra. Momentos funcionam como moedas que deixamos pelo caminho na jornada do consumidor”, ensina ele.

Durante a palestra Transforming the Future: Advertising and the Iot, Brian mostrou que sua empresa, a Kiip, recompensava os consumidores antes deles concluírem uma transação e não depois, como fazem hoje todos os programas de filiação que conhecemos. Nos games, a Kiip oferecia pequenas recompensas para estimular os jogadores a interagir com as marcas antes de conquistarem algo.

Contou também um exemplo chinês, onde um carro conectado entra num shopping center e o sistema interno avisa na tela que o motorista foi agraciado com descontos no ingresso do cinema. O motorista usa o desconto e, depois de assistir ao filme, quando entra novamente no carro para ir embora, toda a trilha sonora já esta carregada no seu áudio.

Projetando este futuro Wong sugere que uma escova de dentes pode nos enviar avisos de higiene bucal
ou que um forno pode ligar automaticamente assim que o alimento seja colocado dentro dele e assa-lo no tempo certo, sem que o consumidor precise fazer nada, tudo isso como um oferecimento de marcas. 

Para Wong, o segredo deve ser a propaganda deixar de ser propaganda para ser distribuidora de conteúdos e serviços à medida que todas as coisas esteja conectadas a internet.

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