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'Os últimos serão os primeiros'? Entendi não


1 de Junho de 2020

Os governos de cidades resolveram que vão retomar as atividades, gradualmente, a partir de junho, com responsabilidade e cuidados.

Perfeito. É assim que tem que ser. Mas quem vem primeiro e por quê? Essa é a razão desse texto.

Estranho ditado nos persegue.

O que está no título já virou, dito por alguém: “Os últimos serão os últimos”.

Mas o que parece ter sobrado para nós foi: “Os primeiros serão os últimos” mesmo.

Turismo e eventos foram as primeiras vítimas da pandemia. Podia mesmo dizer que o ‘Vírus” pegou pesadão com eles.

Sabe por quê?

Porque são as indústrias que tem como insumo básico GENTE, vítima preferencial do 'Corona', e, apesar de gerar recursos imensos para cidades e Estados, não faz lobby bem. Afinal, me parece que todas as empresas existem por causa de gente, não?

Pois bem, nesses últimos tempos hotéis, resorts, praias, restaurantes, venues, centros de convenções ou viraram lugares às moscas ou, para o bem, espaços de saúde e resgate de vida (o que sempre foram.). Justo continuarem a pensar nas pessoas.

Mas estamos falando, inicialmente, só de estruturas.

Agências de eventos, promoções, de live marketing, de imagens, de turismo, de casting... são entidades

Fornecedores diversos... cadeia.

E... gente. Não estamos falando de gente? Existe gente que depende dessas estruturas, entidades e cadeia.

Gente que faz e traz alegria para gente, profissionais, gente que cuida, alimenta, atende, inspira, embeleza e... ama... gente e o seu trabalho.

São guias de turismo, agentes de viagem, consultores de intercâmbio, turismólogos, recepcionistas de hotéis, camareiras, recreadores, concierges, gerentes, chefs de cozinha, cozinheiros, garçons, maitres, bartenders, sommeliers, motoristas, promotores de evento, DJs, VJs, artistas, instrumentistas, técnicos de som-luz-projeção...

Planers criativos, diretores de arte, diretores técnicos, de palco, carregadores, atendimentos... e uma centena de outros profissionais que não caberiam aqui.

Ah, e produtores. Salve produção! - Salve Produção é uma iniciativa das mais promissoras na ajuda a profissionais e suas famílias, por falar nisso.

Salve, também, profissionais de eventos e turismo!

Estão faltando profissionais importantíssimos como os profissionais de limpeza, administrativos, financeiros, copeiras, porteiros, seguranças, todos chefes de famílias que dependem do seu trabalho para SOBREVIVER.

Eles esperaram, e esperam, não por auxílios emergenciais de engodo, favores ou migalhas. Esperam voltar a trabalhar.

Ninguém merece isso, de segmento algum, que fique claro. O justo isolamento foi aguardado para tempos melhores que viriam por todos. Ok!

Não merecem isso, muito menos essa minha gente que vive da alegria e do sorriso, que será tão necessária ao nosso espírito e mente, que ajudam a curar, ao final disso tudo.

Aí vêm os planos graduais de retorno das atividades e... adivinhem quem serão os últimos a voltar?

Os primeiros a parar.

Isso mesmo que você pensou.

Somos os vermelhos em gráficos esquisitos. Tenho certeza de quem fez os estudos só pensou nas festas, aglomerações, shows ao vivo, e não entende que evento não é, necessariamente, festa e que turismo não é aglomeração.

Países em situação bem pior que a nossa estão voltando pelo turismo e eventos. O primeiro por questões econômicas, humanas e por proporcionar momentos únicos, a maioria ao ar livre, mesmo; o segundo porque tratam, responsavelmente, dos lugares onde queremos estar para desestressar e resgatar vida e tem sintonia enorme com o que acontece com o turismo.

É preciso entender que essas indústrias precisam de tempo para voltar. Elas não reabrem, e, pronto, multidões se juntam, tipo mágica. Não, exigem muito trabalho antes.

Ao voltarem, agências, hotéis e espaços, no início, se ajustarão às novas regras para poder trabalhar, tanto os espaços para sua atuação quanto internamente. Em seguida, contatarão clientes, planejarão muito, ajustar-se-ão à nova realidade, desenvolverão estratégias e escolhas junto com clientes prospectados ou mesmo antigos para decidir como e por onde retomarão.

Que tipo de evento vamos fazer, pensarão. Eventos híbridos, fhygital e virtuais, inicialmente, creio (quais serão os impactos deles nas ruas?). Só depois de quase um mês de muito estudo, planejamento e trabalho surgirão, talvez, o evento presencial. Eventos não se fazem de um dia para outro.

No turismo, qual será o “modus operandi” na nova realidade? Prospectar, preparar a casa, saber como será a movimentação de pessoas. Como elas chegarão a destinos, hotéis e equipamentos turísticos? De avião, carro particular, transportes específicos para manter distância. Como será o café da manhã? Os passeios, os jantares? Muito trabalho antes, muito treinamento.

Daí, quanto mais tempo demorar para voltar, pior.

Ademais, o trabalho, me parece que vai, predominantemente, ser home office nesse início para a maioria dos colaboradores.

Nada contra ninguém, nem achar que o esse setores devem ter primazia, mas os shoppings, por exemplo, que reabrem, na maioria das cidades, nessa primeira fase, com cuidados iguais aos que serão tomados em hotéis, feiras e eventos, são símiles do que fazemos.

Enfim, enquanto “os últimos serão os primeiros”, nossas pessoas, que você leu acima, foram “as primeiras que serão as últimas” a poder voltar à atividade.

Permanecerão, essas pessoas, no medo, na lágrima, na tristeza, no aperto no peito, na saudade. - A mesma que você também sente - por não poderem produzir sorrisos e alegria e realizar coisas para ajudar outras pessoas, como normalmente fazem.

Os técnicos responsáveis pela “abertura gradual” não entenderam bem o seu próprio evento de retomada. Podiam se reunir num hotel e contratar agência e ou profissionais de eventos para ajudar.

E, apesar de outro ditado que poderia nos redimir, o show continua parado.

 

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