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Os últimos ainda serão os primeiros


20 de Setembro de 2020

Agora vou ter tempo e me alimentar bem...

Dentre as mentiras que contamos para nós mesmos, e para os outros, a que mais ficou evidente é que teríamos tempo.

Quando a pandemia chegou, sorrateira, cruel e sem aviso, e as empresas, sem muita opção, nos acenou com o home office, logo pensamos: Enfim em casa, mais tempo para mim, para dormir, descansar...

E pensar que, em 2019, muita gente reclamou que 2020 teria poucos feriados, hein?

Nunca tivemos tantos.

E pra quê?

Sextou! E daí? O Garfield já não sabe mais quando é segunda-feira e a gente nem se incomoda mais em ouvir a canção do Fantástico no Domingo.

Todos os dias são as mesmas -feiras.

E comer de forma saudável? Como? Com os aplicativos oferendo descontos só para guloseimas proibitivas e a gente cansado de ir pra cozinha fazer Miojo. 

Todo dia tem algo pra beber e a geladeira logo ali perto do escritório sem tranca. Happy hour todo dia para afastar a melancolia e lembrar dos amigos, hoje, todos virtuais, até os que sempre foram.

E aquela história de dar atenção ao parceiro um casa, aos filhos, parentes e tal?

Pra onde foi?

Brigas de nunca antes. Cachorro chato e cagão que só abanava o rabo e lambia a gente na chegada. Criança doida pra brincar. Quer brincar de quê? Frase do Bozo. Qual? Não desse, daquele.

Palhaçada. Vão dormir. Estou TRABALHANDO! Ah é?

O computador é o mais novo Senhor do Engenho, tendo como capataz o celular.

É deles que vêm a agenda escravocrata de lives, reuniões, webinars sem fim de um dia que só acaba quando termina, sabe lá a que horas.

Desculpe, não posso atender. Estou numa live. Antes era uma reunião.

Acentuaram-se as doenças da mente e do espírito e os corpos frágeis a um vírus terrível, tornou-se frágil a nossa incompetência na gestão do tempo.

Submetidos sempre a péssimas notícias que muito interessam às telas, angustiados à espera de uma volta que nos divide entre negacionistas e pessimistas, estamos sem horizonte. Perdendo amores, oportunidades, livros, canções e... vida.

Nunca tivemos TEMPO. Ele não é, nem nunca foi, nosso.

Administrar nosso dias pode até ser, mas o tempo, não. Ele é fugidio e para cada um passa na velocidade da mente sã e do espírito mais ou menos livre na sustentação do corpo frágil.

Aproveite as oportunidades com as pessoas, o conhecimento, a meditação, as conversas, os projetos, porque as lives de hoje são as mesmas reuniões que não levavam a nada nos escritórios.

Todas sem tempo, foco, mediação consciente e sem propostas fechadas de ação para o já.

Crie, invente e faça seu 2021 diferente.

2020 foi um tempo sem tempo. Um pitstop sem graça nessa corrida chamada vida.

Não se acidente nela de bobeira. Terminar a corrida dignamente com aprendizados proveitosos é o que vale. Virão outras corridas difíceis por aí e precisamos estar treinados e preparados

Nunca foi tão importante competir.

Aos primeiros dessa corrida às taças, aos melhores colocados, os pontos e aos últimos uma mensagem boa, Good News, como diz o Dil Mota: "Parabéns! O importante a saber é que terminaram a corrida e que os últimos ainda serão os primeiros."

 

 

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