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A segunda onda. Marola ou Tsunami?


10 de Novembro de 2020 12:30

De onda em onda, uma Tsunami parece atingir o mundo, e, mais uma vez, os interessados e desinteressados se opõem.

Tenho procurado me inteirar a respeito das coisas, lendo matérias científicas de gente isenta, profissional e sem interesse da mídia, especialmente.

Pois bem, a onda varia.

O epidemiologista Marcio Bittencourt analisou a pandemia, em especial a segunda onda, e tem boas, e más, notícias, para a agência Einsten. E eu compilei parte da entrevista.

O Dr. Marcio coloca o que é óbvio para quem não quer ver:

"Apesar das diferenças entre si, os vírus respiratórios têm um padrão recorrente de comportamento e as pandemias, também. Se avaliarmos as principais oito pandemias desse tipo desde 1700, vamos notar que pelo menos sete tiveram mais do que uma onda em alguma parte do mundo."

Ou seja, toda, toda pandemia de gripe tem outras ondas, por isso, todo ano devemos nos reimunizar, tomando a nossa vacina de velhinho.

Por isso, o médico diz não ter surpresa alguma na segunda onda covidiana:

"Sim, dava para imaginar que teria uma segunda onda. É simplesmente fazer uma avaliação histórica pregressa de outras pandemias. Apesar das diferenças entre si, os vírus respiratórios têm um padrão recorrente de comportamento. Se avaliarmos as oito principais pandemias deste tipo desde 1700, vamos notar que pelo menos sete tiveram mais que uma onda em alguma parte do mundo. Isso aconteceu com a Gripe Russa (de 1889 a 1890), a Gripe Espanhola (entre 1918 e 1919), a Gripe Asiática (de 1957 a 1958), a Gripe de Hong Kong (em 1968 e 1969), e, mais recentemente, a Gripe Suína (em 2009). Vale destacar que as pandemias anteriores foram causadas pelo vírus influenza. Então, talvez nem todas as correlações ocorram da mesma forma."

Várias, segundo o Dr. Marcio, podem ter sido as razões desta nova onda:

"Uma segunda onda pode ocorrer por vários motivos, mas os principais envolvem comportamento humano, ou seja, como estamos lidando com o vírus e sazonalidade. Outros fatores como número de pessoas suscetíveis, duração de imunidade e mutações do vírus são outras possíveis explicações menos prováveis para uma segunda onda.

O mais provável é que seja uma combinação de ações de intervenção, como medidas de isolamento físico, que não foram suficientemente capazes de controlar a evolução do vírus ou foram interrompidas de forma precoce ou súbita.

Há a questão da sazonalidade do Coronavírus, que aparentemente se transmite com maior facilidade nas mesmas épocas que o vírus da gripe. 

Na Europa, por exemplo, os picos são no outono e inverno. Já no Brasil, varia de acordo com a região: no Norte e Nordeste em períodos mais chuvosos, no Sudeste e no Sul nas estações mais frias.

Outras razões são a heterogeneidade da população e a imunidade temporária. Um exemplo para a heterogeneidade é o de uma população que ficou em casa e se protegeu contra o vírus durante a primeira onda e que pode estar na rua nesse momento e se contaminar. E sobre a imunidade, ainda não sabemos por quanto tempo ela dura em quem já teve a doença."

Quando ele fala da segunda onda no Brasil, diz ele:

"Não é possível responder com certeza se teremos uma segunda onda. Até porque no Brasil ainda não ocorreu uma queda sustentada no número de casos. Estamos num platô.

É possível que tenhamos segunda onda nos períodos de transmissão mais intensa de vírus respiratórios no Brasil no ano que vem. Apesar disso, se uma proporção grande da população já tiver sido infectada, essa segunda onda pode não ser forte, ainda mais se continuarmos com uma transmissão intensa na comunidade até lá.

Mas, se a segunda onda ocorrer, a intensidade e gravidade do surto dependerão da nossa capacidade de aplicar medidas de intervenção e controle de forma mais adequada que na primeira onda."

Ou seja, ainda não se pode garantir que haverá segunda onda no Brasil, muito menos alardear que ela será tão grave quanto a onda europeia, que ocorre em pleno inverno, época comum de transmissão de gripes por lá.

Não há, também, como afirmar que não teremos segundo onda, mas, se houver, serão as medidas tomadas que poderão amenizar ou permitir o agravamento dela.

Pois bem, temos mais uma razão para pensarmos bem na escolha dos novos prefeitos, que terão em mãos a responsabilidade de tomar tais medidas; isso porque, prevê-se que a nova onda, se acontecer, venha a partir de janeiro.

Ou seja, pode ser marola ou tsunami, mas, literalmente, a escolha do destino é nossa.

Escolha certo.

Ah, bom voto domingo.

Tags: artigo | Tony Coelho | epidemia de Covid-19