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Liderança: substantivo feminino

Liderança: substantivo feminino


8 de Março de 2022

Das 508 empresas listadas no banco de dados da BM&F Bovespa, 197 (38,7%) delas têm pelo menos uma mulher no conselho de administração e 165 (32,48%) possuem uma conselheira efetiva, de acordo com dados do IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, divulgados no final de 2021. Em porcentagem, ainda que em crescimento, os números significam uma presença muito inferior à dos homens em cargos de decisão.

Os números em crescimento citados são observados em iniciativas como o Movimento +Mulher 360, do qual participam cerca de 40 grandes corporações como Walmart, Arno, Amanco, Bunge, Coca-Cola, Diageo, HP, Natura, P&G, Pepsico e Santander, entre outras. O objetivo é equilibrar a balança de gênero nas empresas e nas comunidades onde elas estão inseridas. 

Adicionalmente, é necessário lembrar que a temática de mulheres no turismo integra a agenda das Nações Unidas em seu quinto ODS (Objetivo do Desenvolvimento Sustentável), que trata da igualdade de gênero e do empoderamento feminino, inclusive com base na participação efetiva das mulheres e na necessidade de igualdade na ocupação de posições de liderança e de tomada de decisão.

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A bandeira da equidade de gênero também foi uma prioridade no Fórum Econômico Mundial em 2018. Desde então, os dados são alarmantes e mostram, a partir de relatório divulgado em 2021, que serão necessários mais de 268 anos para que a disparidade de gênero seja completamente erradicada. O mesmo estudo mostra que as taxas de demissões foram mais altas entre mulheres durante a pandemia. Na contramão desta realidade, na hora de recontratação, à medida que a economia se recupera, elas são menos contratadas do que os homens.

Ainda que os dados do Fórum Econômico Mundial sejam globais e atinjam todos os setores econômicos, estudos nacionais como alguns dos comandados pela professora e pesquisadora da USP, Mariana Aldrigui, que também é conselheira da WTM Latin America, mostram a mesma realidade na indústria do turismo no Brasil. “Há quase 100 anos falamos sobre o turismo como uma potência econômica no Brasil e, ainda que tenhamos vivido uma explosão de cursos e a consequente qualificação na década de 90, foi em 2014 que vivemos o melhor ano da história do setor” diz, complementando que “a expectativa era grande em 2019 e esperávamos um 2020 com muitas oportunidades e resultados, quando entramos em pandemia”.

Mariana Aldrigui: Brasil é potência no turismo mas o melhor ano foi 2014

O fato é que o estudo liderado por Mariana Aldrigui, presidente do Conselho de Turismo da Fecomércio aponta que a maioria dos países que depende do turismo para preservar seus empregos, ficou em uma situação muito delicada nos últimos tempos. “No Brasil, ainda temos 40 mil vagas formais para serem recriadas a ponto de chegarmos aos patamares de 2019. E sabemos que a maioria dessas vagas serão priorizadas para homens, parte por demanda das empresas, parte por definição das próprias famílias”, diz.

Por todos os seus desafios e pela necessidade de revisão imediata, o tema vem ganhando relevância e entrando na pauta de empresas e eventos ligados à indústria, entre os quais estão a Lacte promovido pela Alagev – Associação Latino-Americana de Gestão de Viagens e Eventos Corporativos em sua 17ª edição, nesta terça e quarta-feira no WTC em São Paulo, e a WTM Latin America, em sua oitava edição presencial, entre 5 e 7 de abril.

“Nós precisamos e vamos pensar, criar e construir o novo pela perspectiva da sustentabilidade, da equidade e da inclusão, apoiando a reconstrução da nossa indústria”, diz Giovana Jannuzzelli, diretora-executiva da ALAGEV.

Para além dos desafios já citados, a participação efetiva de mulheres em posições de liderança é uma realidade em empresas brasileiras ou que atuam no Brasil. São os casos, por exemplo da United Airlines, da Schultz e do Plaza Premium Group.

“Nossa capacidade de ver o mundo por outros e mais ângulos é um grande diferencial quando trabalhamos numa indústria focada na hospitalidade e na experiência, como é o caso do turismo”, diz Ana Santana, diretora-geral da Schultz. A percepção da executiva é compartilhada por Alicia Perez, Sales Manager no Plaza Premium Group. “É muito cruel falar que a mulher não pode ou não deve trabalhar com suas emoções. Nós somos demandadas a ocupar espaços com muita firmeza e eu acredito que podemos manter nosso lado intuitivo e de acolhimento”, diz Alicia.

Alicia Perez: podemos manter nosso lado intuitivo e de acolhimento

A presença de mulheres em cargos executivos é uma realidade no Plaza Premium Group, pioneiro e líder mundial em prestadores de serviços globais de hospitalidade aeroportuária e que atua no Brasil há cinco anos, desde quando Pamela Stein assumiu a posição de gerente-geral e vem se “movendo” de acordo com o crescimento da empresa. “A mobilidade fez parte da minha carreira em várias empresas e o Plaza Premium Group me ofereceu o desafio de implantar a operação de São Paulo, deixando nosso grupo preparado para voos ainda maiores na América Latina. Neste período, me mudei de cidade com minha família porque era a exigência da minha carreira, o que é mais comum de ser observado em homens do que em mulheres. Tenho orgulho desta trajetória e, na mesma medida, tenho certeza de que minha rede de apoio é fundamental”, diz a executiva.

Pamela Stein: mudança de cidade com a família porque era a exigência da carreira

Outra história que inspira e incentiva é a de Jacqueline Conrado, Country Manager da United Airlines no Brasil. Ela diz que que “todo mundo merece oportunidades e transformar o ambiente corporativo é muito importante para diminuirmos as diferenças. Neste sentido, a liderança é um caminho efetivo para ajudar a eliminar barreiras desnecessárias para mulheres que estão chegando e facilitar e criar oportunidades para quem já está no mercado. Mais do que isso, é uma responsabilidade. É uma jornada para sempre e eu fico feliz em dizer que na United nós temos um terreno muito fértil para isso. Tenho orgulho em dizer que criamos, a partir do nosso País, o primeiro Comitê Internacional de Diversidade & Inclusão da companhia”, finaliza.

Diversidade & Inclusão também é pilar estratégico na WTM Latin America 2022 e ganhará, ao lado das temáticas de Turismo Responsável e Tecnologia, um auditório próprio, com sessões e debates que reunirão nomes que são referência no setor. “Este é um tema que integra nossa agenda há algum tempo e que ganhou ainda mais relevância nos últimos dois anos, nos deixando inquietos diante da necessidade de contribuir, de forma organizada e efetiva, trazendo reflexão, debate e cases para nossa indústria”, diz Thais Del Ben, gerente de Marketing da WTM Latin America. 

Thais Del Ben: Diversidade & Inclusão também é pilar estratégico na WTM Latin America 2022

Tags: mercado mulheres igualdade-de-genero empoderamento feminino liderana