PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

Universidade Zumbi dos Palmares não quer mais existir

Universidade Zumbi dos Palmares não quer mais existir

Este canal é patrocinado por
Este canal é patrocinado por


2 de Junho de 2022

Já imaginou uma instituição com um papel tão fundamental no combate ao racismo afirmar que sua missão é deixar de existir? É assim que a Universidade Zumbi dos Palmares promove seu novo rebranding, lançado em maio, mês em que se comemora a abolição da escravatura. 

Fundada em 2003, a instituição de ensino privada é considerada a primeira na América Latina a ter como objetivo a inclusão de negros e pessoas de baixa renda no ensino superior. Desta vez, a marca tem sua identidade visual revisada e idealizada em parceria com a agência Grey.

Leia também: Outback incentiva o fim cultura de não marcar nada

Em seu novo posicionamento de marca, a Zumbi declara: “Nossa missão é deixar de existir.” Por trás da decisão aparentemente radical, existe um nobre desejo: o sonho de, um dia, reduzir a zero a desigualdade étnica e social causada por séculos de racismo, assim como garantir um mundo com as mesmas oportunidades e faixas salariais para brancos, pardos, índios e negros. Quando esse dia chegar, as palavras “quota” e “racial” não serão mais usadas na mesma frase. E assim, a missão da Zumbi terá sido cumprida, tornando sua existência desnecessária para a sociedade. 

"O rebranding da Zumbi é um marco importante para mostrar ao mundo, de maneira renovada, como a instituição é um lugar de vida, que acolhe quem não tem acesso à educação e emprego, num ambiente que cultiva e impulsiona a cultura negra. É para mostrar que a Zumbi é um lugar que existe para resistir contra o racismo e desigualdade que ainda persistem.” afirma Gustavo Dornelles, da Grey Brasil. 

“Para nós, o único caminho que iguala a todos é o conhecimento. É a educação plural, diversa, democrática, inclusiva e libertadora. Sem educação não há liberdade. Mudamos para focar, renovar, ampliar e começar tudo de novo. Agora com novas e diferentes cores, diferentes alvos, múltiplas formas e redobrada energia”, destaca Dr. José Vicente, Reitor e Diretor Geral e Acadêmico da Faculdade. 

“Comprometemo-nos a trabalhar sem trégua para combater e eliminar o racismo e a discriminação do nosso País; a construir uma educação que promova o talento, o empreendimento, o descortinamento do mundo e a grandiosidade e unicidade do individuo”, acrescenta.

Além de reforçar sua missão diária na luta contra o racismo, o rebranding da Zumbi pretende alimentar o sentimento de identitarismo negro entre alunos e a própria instituição. Para isso, a Zumbi convocou a artista Criola -- conhecida por refletir em seus trabalhos a ancestralidade e espiritualidade africana de maneira moderna, sem deixar de ser genuína -- para desenvolver uma identidade visual inspirada em patterns de tribos africanas.

O trabalho da artista consistiu em ressignificar patterns africanos na criação de ícones com visuais únicos para representar cada uma das áreas de conhecimento lecionadas na Zumbi. Por exemplo, o pattern criado para representar o curso de Direito, foi inspirado na “Balança da Justiça” comumente difundida em várias civilizações além das africanas.

A Grey ainda contou com a consultoria da professora e antropóloga Edilene Machado, que deu embasamento aos materiais produzidos de acordo com a origem dos patterns e seus significados para tribos africanas.   

"O pattern é um elemento que se repete de maneira ilimitada, é uma imagem que podemos utilizar de várias formas. Adiciona interesse ao design, uma identidade, resgatas as origens dos alunos e funcionários, na sua grande maioria negros, e toca sua memória ancestral, rememorando a importância dessas cores, heranças dos nossos antepassados africanos em países como Egito, Gana, Sudão do norte, etc.", explica Edilene. 

"A identidade racial ancestral dos alunos da UZP será aflorada quando adentrarem a Zumbi e depararem com um mosaico de cores das patterns, sendo convidados a explorar as cores empregadas para cada curso. A importância da arte, cultura, cores, educação e inteligência, causará uma mudança substancial na trajetória e na estima desses jovens, ao terem consciência da potência que cada um carrega no corpo, potência essa invisibilizada por uma sociedade estruturalmente racista, como bem nos mostrou Zélia Gonzales, Damasceno; Carolina Maria de Jesus; Kabengele Munanga entre outros/as".

Além de ser a nova cara de Zumbi nas redes sociais, a nova identidade visual da faculdade vai virar uma série de lambe-lambes espalhados pelos corredores da faculdade, estampando também materiais escolares e de escritório utilizados no campus.

Confira aqui o vídeo da ação.

Tags: diversidade racismo melhores-da-semana rebranding educacao inclusao sociedade posicionamento-de-marca direitos universidade-zumbi-dos-palmares