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A morte e a morte do controle remoto


19 de Julho de 2020

O título acima eu “emprestei” do livro do grande escritor Jorge Amado “Quincas Berro D'água”. O personagem, um “cachaceiro convicto” grita “ ÁAAAGUA” quando experimenta um copo que obviamente não era de cachaça. 

Minha analogia com o controle remoto é a seguinte....

Hoje, ao interagirmos com o conteúdo televisivo... Linear ou não... utilizamos a nossa “cachaça”... O controle remoto... Nosso velho interface com a telinha. 

Mas vejo o controle remoto na mesma situação do Quincas...” STREEEEEEAMING”. Ou seja algo não esperado...

Hoje, além dos canais abertos (ainda existem? Rsrs) e das centenas de canais de TV por assinatura, estamos começando a ver a multiplicação de serviços por assinatura de vídeo por demanda ( SVod)... Netflix, HBO GO, Globloplay, Amazon Prime Vídeo, Disney plus... e por aí vai.

A maioria das pessoas não se recorda dos números dos seus canais preferidos, mas sabe com certeza como “operar” o controle remoto para “passear” pelos conteúdos disponíveis... Zap!

Mas quando falamos em acessar o conteúdo do seu SVod favorito, qual é a dinâmica?

Se você não é um “born digital teenager”  você com certeza sabe o que eu estou falando...

Cada SVod exige um login, uma senha e uma dinâmica tecnológica diferente...

Não dá para “mudar de canal” como fazíamos até recentemente, sem ter que passar por vários passos na user experience em busca de conteúdo relevante...

A Netflix, pioneira, conseguiu ter um botão exclusivo em alguns controles remotos...

Mas qual será o nosso futuro? Vamos substituir os botões numéricos dos nossos controles remotos por botões proprietários? Ou as interfaces com conteúdo serão administradas por um algoritmo pessoal que fará toda a pré-seleção dos conteúdos que desejamos assistir sem termos que tocar em nada?  

Essa aí acho que até o Spock ficou com inveja... Beam me up!

Independente da tecnologia, o que eu acredito é que nós consumidores ainda iremos querer nos emocionar ou nos inspirar através do storytelling. Isso faz parte do nosso DNA...

Como conseguir acessar a estes conteúdos é a questão. Streaming or not Streaming?

Será que nós, geração boomers, diferimos muito dos geração millenials?

Ou será que todos que estávamos interessados em saber “Quem matou Odete Roithman?” não devemos estar interessados em saber “Quem matou  Cersei Lannister?“ Hey GOT fans...

Os provedores de streaming serão os canais do futuro?

Teremos uma interface “touch” ou “touchless” para interagirmos com o conteúdo?

Os algoritmos vão conseguir nos envolver com aquilo que não conhecemos? Ou seremos vítimas do “machine learning” que vem por aí?

No passado, quando entrávamos nas lojas da Blockbuster sempre íamos direto para a prateleira dos lançamentos... No fundo da loja (e com espelho perpendicular no teto) lembra?

Íamos atrás das novidades, que conhecíamos ou não... Mas sempre estavam lá....

Hoje, quando entramos em um serviço de SVod, qual nosso comportamento?

Vamos para a “prateleira” das novidades que o machine learning deles nos sugere? Ou queremos algo que nos “surpreenda”?  Como o algoritmo saberá fazer isso bem?

Fomo e Binge watching estão por aí e são tendências bem fortes... Mas qual conteúdo?

Neste cenário dos botões proprietários dos SVod nos controles remotos é como se cada um deles fosse um shopping center temático por marca...

E MARCA na minha opinião, será o único diferencial... Disney Plus conseguiu 10 milhões de assinantes na 1ª semana de lançamento por que? 

No nosso supermercado mental não existe HD infinito para marcas... Apenas algumas vão sobreviver na minha opinião... Quais?
O streaming é a 1ª morte do controle remoto...

 

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