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Depois do Web Summit – Capítulo 2


8 de Novembro de 2021

Eventos são encontros de comunidades, e, se tem uma comunidade que eu acompanho de perto, é a comunidade da tecnologia. 

Na semana passada, esta comunidade mundial se reuniu por 3 dias em Lisboa. Quarenta mil interessados em tecnologia e suas implicações no mundo dos negócios. 

Foi um dos “maiores” eventos neste ano com participação presencial e acompanhei de perto tudo o que aconteceu por lá. 

Vamos aos fatos:

Evento

Em um momento quase pós-pandemia (Portugal está entre os países com maior índice de vacinação completa), os organizadores se esforçaram para que os participantes tivessem a tal da “segurança sanitária”. 

Só podia entrar quem já tivesse as duas doses e conseguisse provar ou que tivesse feito um teste (antígeno ou PCR) nas últimas 48 horas. 

Os controles de acesso eram múltiplos e várias vezes as informações eram checadas. Para provar a vacinação, era necessário o certificado digital da comunidade europeia, mas no 2º dia eu consegui acessar o evento com o nosso certificado do SUS. Será que 'pivotaram' ou foi o nosso velho e bom “jeitinho”? 

Não sei, mas o governo português disponibilizou alguns containers que ficavam em pontos estratégicos da cidade fazendo testes gratuitos, inclusive para estrangeiros. 

Funcionou bem! Mas isso não impediu filas enormes para acessar o local. Isso não teve nada a ver com a pandemia, e, sim, com a segurança. 

Revistavam todas as mochilas, sem exceção, e, como isso era feito pela polícia local, existia um gargalo tremendo. Eu cheguei a ficar mais de uma hora na fila para entrar. Teve gente que ficou mais. Este é um problema pré-pandemia não é mesmo? 

Aumentar o número de policiais ou dividir as filas seria o óbvio. Não aconteceu isso, então, a “primeira impressão” é que nos eventos presenciais não evoluímos nada em relação a estes problemas. 

O evento ocupou a feira de Lisboa (4 pavilhões de 10 mil metros cada um) mais a Altice Arena. Tinha bastante espaço e os corredores estava bem largos com muitas áreas de alimentação, mas preços altos (já viu isso antes?). 

Muitas áreas dedicadas a conteúdo (palcos, salas) e qualidade técnica realmente acima da média.

Conteúdo

Basicamente tecnologia. Para nerds e para leigos. Um app com toda a programação. Muito fácil navegar. Escolher, montar a agenda. Ponto alto de um evento com mais de 700 palestrantes e 100 horas de conteúdo. 

Quem não escolheu os seus temas de interesse ficou andando de lá pra cá. Quem escolheu também, mas tinha um horário e um local para chegar. Sinalização perfeita. Aliás tudo em inglês. 

O evento aconteceu em Portugal, mas a língua portuguesa não existiu do ponto de vista da organização. A ONU da internet, como alguns se referenciam ao evento, fala e conversa em inglês. 

Mais de 1500 startups do mundo todo deram uma visão abrangente do que está se fazendo em tecnologia por aí. Óbvio que não conversei com todas, mas falei com startups de Cabo Verde, Moldávia, Lituânia, Romênia, Ucrânia e várias do Brasil (missões do Sebrae de vários Estados participaram). 

Poucas marcas e empresas dos Estados Unidos presentes. É um evento baseado na Europa com uma visão global onde Estados Unidos e China foram coadjuvantes e não dominantes. Ponto para a organização em criar este mosaico tecnológico com esta amplitude.

Assuntos

Facebook, ops Meta, mesmo não participando oficialmente, foi o grande assunto do evento. Falta de confiança no algoritmo? Mudança de nome como cortina de fumaça? Metaverso como próximo passo do mercado? Tudo junto e misturado. 

Pessoas defendendo e pessoas atacando. Viva a liberdade de opinião. Mas este não foi o único assunto. Longe disso. Realidade aumentada e realidade virtual, na minha opinião, são as grandes tecnologias que irão impactar os setores de eventos e hospitalidade.

Impressionante as aplicações destas tecnologias sendo desenvolvidas agora pelas mais diversas empresas e pessoas. Temos que prestar atenção, pois vem muita coisa neste sentido por aí. 

Os eventos híbridos e os turistas terão muitas opções de escolha baseados nestas tecnologias. Mas não são uma realidade comercial, ainda. 

Vamos precisar de óculos especiais e conexões com a internet com qualidade e disponibilidade bem superior à que conhecemos hoje. Mas quando tivermos isso, os impactos serão grandes. Eventos híbridos e viagens ampliadas pela tecnologia serão realidade logo.

Resumo

Os eventos presenciais estão voltando com força, em 2022 teremos um calendário lotado, aqui no Brasil e no Exterior. Vai faltar mão de obra especializada para realizar tantos eventos. 

A segurança sanitária vai continuar na pauta dos organizadores de eventos mesmo depois do “término” da pandemia oficialmente. Máscaras, protocolos, vacinas e certificados vieram para ficar um bom tempo entre nós. 

Relevância nos temas e assuntos dos eventos serão o grande diferencial neste novo contexto. Quem não for relevante não se estabelece. Serão tantas opções de eventos presenciais, virtuais e híbridos que o assunto será o divisor de águas. 

Se não for original e bem executado junto à comunidade de interessados no assunto específico, esquece. 

Web Summit fez um bom trabalho neste sentido e atraiu e reteve a comunidade mundial interessada em tecnologia. Minha única crítica está relacionada a terem optado majoritariamente pelo formato presencial. 

O híbrido só estava disponível a quem tinha pago os ingressos (caros, começavam em 600 euros por pessoa). Ou seja, eu dentro do evento (ou fora dele) poderia acessar o conteúdo que estava acontecendo nos principais palcos em tempo real.

Mas pessoas que não pagaram o ingresso e não vieram a Lisboa não tiveram acesso a este conteúdo. Eu achei isso uma miopia e um bom estudo de precificação poderia ter resolvido. 

Ei, Paddy Cosgrave, me contrata como consultor que eu te ajudo a resolver isso! Fechado? Te vejo no ano que vem em Lisboa!

Para deixar bem claro: #somosgregários #eventospresenciaisforever, #colaboraçãoéanossapraia, #futurohíbridovirtual #eventosaoseguros #futuroseguro.

Afinal, o live marketing não é para os fracos!

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