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Qual é o papel do mercado publicitário no empoderamento feminino?


17 de Novembro de 2021

Quantas empresas do mercado publicitário você conhece que têm mulheres em cargos de c-levels e são decisoras de negócios? 

Tomo ousadia para dizer que não são nem metade, quando comparadas com aquelas onde os homens ocupam essa posição. 

A questão da equidade de gênero vem sendo trabalhada na indústria publicitária, esse fato é inegável. Porém, não dá para dizer que está próximo de ser bem resolvida. 

A crise sanitária que estamos vivendo afetou gravemente a economia brasileira e sobretudo as mulheres. O IBGE fez um levantamento para acompanhar o mercado de trabalho no terceiro trimestre de 2020, e de acordo com os dados, 14,4% das mulheres estão desempregadas, enquanto 7,6% dos homens se encontram na mesma situação. 

A Organização das Nações Unidas (ONU) apontou que 321 milhões de mulheres estão sem emprego, no mundo todo. Esses índices traduzem a estrutura desigual do mercado de trabalho para os recortes de gênero. 

A falta de espaço no mercado de trabalho está nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Em 2020, foram criadas mais de 230 mil vagas para homens versus pouco mais de 87 mil para as mulheres. 

Além da desigualdade na criação dos postos de trabalho, convivemos com a sobrecarga feminina em papéis domésticos, que ficou ainda mais acentuada com a pandemia. 

As mulheres se viram exaustas tendo que conciliar o home office com a educação à distância, além das outras tarefas. Há ainda uma parcela que vive outra realidade, as mães solo, que sobrevivem sem fonte de renda formal e sem nenhuma rede de apoio para auxiliar com as crianças. 

Mais do que ter mulheres ocupando altos cargos em grandes empresas, a independência financeira da mulher é importante, principalmente para as classes socioeconômicas mais baixas, onde, geralmente, a dependência do companheiro acaba fazendo com que se submetam a situações abusivas. 

O mercado publicitário precisa aumentar os esforços, demonstrar a forma correta de estruturar as empresas e dar o empurrão necessário para que a transformação de fato aconteça, as mulheres devem ser acompanhadas em diferentes estágios de seu treinamento e evolução profissional para que suas necessidades sejam compreendidas. 

Além da ressignificação da propaganda, de colocar as necessidades dos consumidores em primeiro plano, as campanhas precisam parar de objetificar corpos femininos. 

Os anunciantes precisam enxergar como a publicidade pode ser um espaço para mostrarem seu posicionamento quanto à igualdade de gênero e diversificar cada vez mais as ações. 

Cabe aos profissionais de agências adotar essas estratégias nos escopos, não apenas para uma efeméride, mas como parte da contribuição social para essa causa. 

É necessário ir além da contratação de mulheres e adotar medidas para mudar a cultura organizacional. Equiparação salarial, valorização do trabalho e competência dessas profissionais deve ser parte do DNA natural das companhias, e não apenas em razão de cotas de gênero. 
 

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