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Os ‘brothers’ e os B.O. do BBB


31 de Março de 2021

Não é de hoje que as marcas correm sérios riscos ao patrocinarem um programa do estilo do BBB. São muitas tretas, muitos desistiram de assistir ao programa depois do advento das redes sociais por não acreditarem mais no sistema de votação, entre outras questões.

O programa vinha em baixa há uns cinco anos mais ou menos. Marcas que sempre foram parceiras do programa acabaram ficando de fora em algumas edições, e, quando parecia que o programa iria chegar ao fim, a Globo deu um golpe de mestre.

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Na edição de 2020, a direção do BBB resolveu mesclar famosos com anônimos. Sem sombra de dúvidas, uma grande jogada. Youtubers famosos que participaram do reality trouxeram os seus milhões de fãs para assistir o programa. Sucesso total.

O BBB20, que demorou um pouco para vender as suas cotas de patrocínio, no entanto, com o decorrer do programa foi reconquistando o seu prestígio e as marcas foram voltando aos poucos em ativações especiais, como prova do líder, do ‘anjo’ e nas festas.

Eis que veio a pandemia do Covid-19. Mais pessoas em casa, o programa ampliou a edição, e, o resultado foi um só: As marcas correram atrás do BBB20, e, nessa edição (21), que mais uma vez apostou na receita de sucesso de mesclar famosos e meros desconhecidos, vendeu suas cotas a preços altíssimos e conseguiu conquistar muitos patrocínios. Lembrando que existe até uma fila de espera de patrocinadores querendo pegar uma carona no reality.

Mas, a pergunta que não quer calar. As marcas patrocinadoras estão agradando os brothers que estão confinados?

É fato que, uma das lições que os participantes têm de aprender é não falar das marcas concorrentes dos patrocinadores, e, sempre que possível fazer um merchandising. Muitos seguem à risca a orientação. Outros, nem tanto.

Para quem assiste ao reality show pelo Paperview, já teve oportunidade de ver, por diversas vezes, os brothers falando algo que depõe contra alguma marca patrocinadora, e, também, descrevendo qual é a sua preferida sem citar nomes, mas que para bom entendedor, meia palavra basta.

Voltando um pouco no tempo, o BBB12 teve uma marca que deve ter ficado muito decepcionada com a atitude de alguns brothers. Tanto é que nunca mais voltou ao reality.

A Batavo fez sua estreia no reality. Além de marcar presença em algumas provas e festas, a marca tinha um frigobar com a sua logo bem visível que ficava à disposição do líder e de seus convidados no quarto.

Infelizmente, uma das participantes, todas as vezes que entrava no quarto do líder soltava a seguinte pérola: “Tem Danone ainda?”. O operador de câmera, toda vez que isso acontecia congelava a imagem na logo da Batavo. De nada adiantou, a ‘brother’ insistia no erro.

A cena seria cômica, se não fosse trágica para a Batavo que havia investido muita grana para estar no programa e ver a sua concorrente levar a fama sem ter gasto um centavo sequer.

Agora, quem mais sofre no quesito patrocínio, são as marcas de produtos para o cabelo. Não é fácil agradar os brothers. Tanto as mulheres, quanto os homens, vira e mexe tem alguém fazendo alguma crítica.

Durante muitos anos não era permitido nem secador de cabelo e nem chapinha. Depois de muitas reclamações, a direção do programa resolveu liberar esses itens para os brothers. 

O fato de não ter os itens mais utilizados pelas mulheres para deixar os cabelos bonitos, o shampoo e condicionador patrocinadores tinham de fazer ‘milagre’ para que os cabelos ficassem lindos e sedosos como aparecem em suas embalagens.

No BBB21 foi liberada a chapinha e o modelador para elas poderem deixar seus cabelos lisos ou cacheados. Não adiantou muito. A Pantene é a fornecedora de produtos para os brothers e muitas reclamações acontecem.

Uma das participantes não cansa de repetir que vai demorar um bom tempo para que o seu cabelo volte a ficar bom depois que sair do reality. Uma outra, que já virou piada nas redes sociais por não tomar banho, está com os cabelos detonados, dessa vez, a culpa não é da marca, é dela mesma que sequer sabe quais são os efeitos dos produtos disponíveis para deixar o seu cabelo bom ou ruim.

A Pantene bem que tem se esforçado para agradar os brothers. Tanto é que nessa semana disponibilizou mais vários itens para tratamento capilar. Foi a primeira vez, em mais de 40 dias de programa, que a brother que vivia reclamando, fizesse um elogio.

Carla Diaz, que saiu do programa ontem (23), era uma das poucas defensoras da Pantene. Toda vez que podia, fazia um ‘merchan’ e ainda se convidou várias vezes para ser embaixadora da marca. Agora, é com a Pantene.

Mas essa não foi a única marca que recebeu críticas no quesito tratamento de cabelos. Praticamente todas as patrocinadoras passaram pelo mesmo problema.

Outra marca que tem dado um pouco de azar no BBB é a Samsung. Conhecida por sua excelente tecnologia, com os brothers as coisas não têm dado muito certo.

A noite de quarta-feira no BBB é sempre esperada pelos brothers e pelo público, já que as festas sempre trazem boas pérolas. No BBB20, a balada, toda patrocinada pela Samsung, fez com que Ivy Moraes dessa um belo bola fora.

A festa, com tema Samsung Galaxy S20, contava com um telão enorme, toda tecnologia possível, e, claro, celulares disponíveis.

As meninas aproveitaram a oportunidade para tirar uma série de fotos. Mas, bem na hora H, não deu muito certo: “Ih, não saiu”, disse Mari. Ivy logo descobre a causa: “Gente! Travou”.

Nessa edição não tem sido diferente. Por várias vezes os brothers reclamaram que o celular teve que ser levado à despensa para ser trocado porque havia travado.

As fotos que os brothers tiram nos dias de festa valem estalecas que são importantíssimas para os participantes. O celular não pode travar.

Nessa edição, a Amstel já marcou presença na prova do líder e festa. Mas, mais uma vez, teve uma ‘conversinha’ descontraída entre dois brothers e um deles soltou a seguinte pérola: “Lá na minha casa só entra aquela da latinha vermelha. Não aceito outra de jeito nenhum.” E lá vai mais uma marca ficar com os louros da vitória sem ter soltado um centavo.

Lógico que tem as marcas patrocinadoras ‘queridinhas’, porém, já ficou bem claro que essas são as que dão ‘mimos’ aos participantes.

A C&A tem se destacado porque toda semana dá um figurino completo de presente aos brothers. Nesse momento, todos rasgam elogios. O mesmo tem acontecido com a Americanas.com, porém, contra essa, já houve algum ‘chororo’ pelo fato da dinâmica de presentear dependia da sorte, e, alguns ganharam brindes toscos.

A Fiat, não preciso nem falar. Afinal, quem não quer ganhar um carro? Até agora já foram três sortudos que conquistaram o veículo em alguma prova. No BBB20, mesmo quem não ganhou durante o programa acabou sendo presenteado ao sair de tanto que chorou durante a competição.

O McDonald’s quase que se deu 100% bem. A festa patrocinada pela rede de fast-food foi a mais elogiada pelos brothers. No entanto, quando eles tiveram que devolver as roupas usadas durante a balada, o que não faltou foram reclamações. Ficou subentendido que a marca estava sendo muquirana.

Aqui fora, logo após a festa, a rede de fast-food colocou os produtos à venda. Alguns consumidores criticaram pelo fato de a marca investir milhões em publicidade em um programa de TV e ser incapaz de fazer uma ação social fazendo uso desses itens que fizeram tanto sucesso.

Outra marca que está bem vista entre os brothers é a PicPay, mais uma que libera grana toda semana.

Poderia escrever páginas e mais páginas sobre os B.O. que acontecem no reality show, que a ‘Globo não mostra’, é claro, nas edições diárias, porém, quem fica atenta ao Paperview consegue captar essas pérolas.

Faço uma pergunta: Quais marcas que patrocinaram o BBB ficaram para sempre gravadas na sua memória?

Eu, particularmente, sou contra a esses patrocínios astronômicos em programas de TV, times de futebol e outras coisas do gênero. Estamos vivendo uma crise mundial, milhares de pessoas estão sem emprego, milhares passando fome e ver milhões e mais milhões sendo investidos em um reality show, me causa uma certa indignação.

Quando a Coca-Cola disse que iria diminuir os seus investimentos em marketing para apoiar as campanhas de combate ao Covid-19, a atitude, a princípio, soou de uma maneira bem positiva.

Porém, menos de um ano após essa decisão, a marca simplesmente entra em um reality show pagando um valor altíssimo. Com a publicidade tradicional, ela geraria empregos. Só no reality, isso não acontece.

Onde está a empatia que tantos pregam por aí? O que tenho visto é um incentivo ao consumo desenfreado e apenas um lado ganhando.

A hora é de refletir.

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