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Crise afeta ações para o Dia Nacional do Orgulho Gay


27 de Março de 2021

O Dia Nacional do Orgulho Gay, também chamado de Dia Nacional do Orgulho LGBTQI+, é uma data que ganhou grande relevância dentro do calendário das marcas. Contudo, por conta da pandemia, em 2021, ela acabou ficando de lado.

Ao contrário de outros anos, onde víamos várias ações para celebrar o movimento LGBTQI+, em 2021, o 25 de março praticamente passou em branco. As marcas parecem focar nas datas comemorativas, e, também, no mês de junho, que é considerado o Mês do Orgulho LGBTQI+. 

Leia também: Mais diversidade, por favor.

Já comentei aqui no Promoview, que muitas empresas acabam usando a causa para ganhar espaço entre um grupo específico, que possui grande poder de compras, mas que, na realidade, não estão realmente conectadas ao movimento. A falta de ativações nesse ano é a prova disso. 

Claro que é necessário levar em conta o momento em que vivemos. Com a crise econômica provocada pela pandemia, a maioria está cortando gastos. 

No entanto, é triste ver que mais uma vez uma causa tão importante acaba ficando de lado logo na primeira oportunidade. Mais do que isso, que as marcas ainda estão "amarradas" ao calendário. 

Não termos grandes ativações até o momento mostra que o Dia Nacional do Orgulho Gay não é uma pauta real da cultura da maioria das empresas, mas, apenas uma data que pode ser facilmente deixada de lado. 

Provavelmente, em junho dessa ano, quando for celebrado o Mês do Orgulho LGBTQI+, juntamente com o Dia Mundial do Orgulho LGBTQI+, veremos algumas ativações, mas com certeza sem a força, investimento e grandeza dos demais anos, principalmente, levando em conta que provavelmente não teremos a Parada LGBTQI+, por conta da situação em que o país vive. 

Isso serve de reflexão. Até que ponto as marcas realmente estão engajadas com a causa, ou apenas aproveitando o "Pink Money"? 

Realmente as ações em comemoração ao Dia Nacional do Orgulho Gay precisavam ser cortadas? 

Precisamos de marcas que realmente vistam a camisa do movimento, como é o caso da Havaianas que promove o orgulho o ano todo. 

Em junho do último ano, a marca lançou sua linha global Pride, reafirmando o seu compromisso e respeito com a comunidade LGBTQIA+ em parceria com a ONG All Out, a qual a marca destina 7% do lucro líquido das vendas da linha. 

Agora, a Havaianas celebra o orgulho de ser o ano inteiro e inclui novidades na linha.

A marca traz ao público peças fluidas e que prestam homenagem à bandeira do movimento com seis cores. De meias à bandanas, são vários acessórios criados para mostrar que o orgulho não é algo pontual. 

Movimento que luta diariamente 

Também preciso ressaltar aqui, que o Brasil tem números assombrosos em relação à comunidade LGBTQI+. Uma pesquisa baseada  nos dados do Sistema Único de Saúde (SUS) mostrou que a cada uma hora um LGBT é agredido no Brasil. 

Além disso, o Brasil é dos países que mais mata travestis e transexuais do mundo. Segundo a pesquisa, do total de vítimas, 46%  eram transexuais ou travestis.

Não posso deixar de citar, também, a questão do BBB. Ao longo das últimas semanas, vimos várias cenas que mostram como a homofobia ainda é estrutural. 

Escondida atrás de "piadas", ela ainda fortalece pensamentos que, na prática, podem promover a violência no nosso dia a dia. Para mim, os últimos episódios do reality mostram a necessidade das marcas que patrocinam o programa se posicionarem, assim como fizeram após a saída do participante Lucas. 

Nesse episódio, a Amstel promoveu uma dinâmica entre os participantes para trazer assuntos relevantes para debate, como empatia e sororidade. 

Levando em conta o recente episódio de homofobia, não seria a hora de promover uma nova dinâmica pautada no movimento LGBTQI+?

Acredito que mais uma vez é necessário bater na tecla de que as marcas precisam investir de modo verdadeiro em causas sociais, e não apenas fazer ações pontuais, quando às convém. 

O Dia Nacional do Orgulho Gay, assim como outras datas, não pode ser apenas mais uma data facilmente eliminada do calendário, quando o orçamento aperta. 

As marcas precisam de fato entrarem nesses movimentos, e não usarem eles apenas para "ficar bem na fita" com os consumidores.

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