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Cris e o refri


28 de Junho de 2021

A entrevista de Cristiano Ronaldo, onde ele tira de cena duas garrafas de refrigerante, bombou nos meios de comunicação.

O que pensar?

Como se posicionar?

O que vale e o que não vale nestas ações de merchandising?

De cara uma consideração: o que não é combinado pode custar mais caro.

Cristiano Ronaldo (Foto: Divulgação)

Aqui, vou olhar para a questão da ação de marketing, sem entrar no mérito da preferência pela água mineral.

Uma coisa é certa; se fosse um atleta em início de carreira, menos conhecido e badalado, a coisa ia pegar. 

Para o atleta.

Haveria repreensão por parte de patrocinadores. 

Talvez até multas ou pedidos de indenização.

Mas como era o grande astro, fica uma questão.

Quem está com a razão? Ele, ao retirar as garrafas, antes de dar entrevista?   Ou o patrocinador?

O ponto aqui, na minha opinião, está no fato do que acredito ser o melhor nestas ações de marketing, seus criadores e seus clientes.

Os excessos são sempre prejudiciais. A interferência, a qualquer custo, é uma destas situações que devemos evitar de todas as formas.

A ação, na entrevista, é um ruído na comunicação. Exatamente igual aos banners, reclames e toda a parafernália criada, de modo que o consumidor não tenha uma imagem limpa ou um conteúdo, até o final, sem uma interrupção. 

Vira e mexe vemos ações “criativas” de patrocinadores, querendo aparecer, na hora da entrevista coletiva. Acho muito chato.  Incômodo mesmo.  

A vontade é parar de assistir.

E, muitas vezes, é o que eu faço.

As garrafinhas de refri, na mesa, onde o grande Cristiano ia dar entrevista para o mundo, soam-me, serem da mesma natureza, do que acontece nas redes sociais. Vamos interferir, bem no meio do que a audiência está consumindo. Acho ruim.

Nós, profissionais desta área, temos que ter o máximo de bom senso, na hora de pensarmos estas ações.

Não acho que vale tudo, sempre.

 Por exemplo, a cena ganhou notoriedade e rodou o mundo.  Sim, é verdade. 

 Mas quanto esta retirada de cena prejudicou o investimento feito?

  Será que vale ficar pensando e criando estas oportunidades sem necessidade?

  Será que a intenção era o, falem mal, mas falem de mim? 

E digo isto, por conta, somente de um fator: quantas garrafinhas de refri, a mais, seriam vendidas, pelo simples fato de servirem de “paisagem” para uma entrevista coletiva?

Será que, todo o investimento feito no evento, não dará o resultado esperado?

 Ou a ideia era meio que oportunista mesmo e ficou naquela coisa do vai que cola?

Há de se levar em consideração este ponto, antes de se criar uma ação desta natureza.

O consumidor final está, cada vez mais, crítico em relação a estas ações.

Da mesma forma, como houve e ainda há um grande movimento para a despoluição visual das cidades, caberá a nós imaginarmos como esta despoluição deverá ocorrer na mente de quem desenvolve essas ações, chamadas de merchandising.

Que sejamos menos invasivos em nossas ações de comunicação com nossos consumidores.

Tags: futebol | Merchandising | coca-cola | cristiano-ronaldo