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Wangfujing Dajie. Um passeio.


1 de Outubro de 2018

Sejam bem vindos a principal rua de comércio de Beijing.

Esta grande rua têm enorme movimento 24 horas por dia, muitas opções de alimentação, mercadinhos, lojinhas, enfim, têm vida! E embora Beijing tenha outros lugares bastante movimentados, como Qian’namen, por exemplo, é em Wangfujing que o movimento de pessoas é o maior, e  onde tudo acontece!!

 

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No coração do centro antigo, a cerca de 1 km da Cidade Proibida, é o local perfeito pra curtir o vai e vem dos chineses.

Ao longo de um grande calçadão, estão muitas lojas, shoppings de luxo, restaurantes, quiosques vendendo cerveja e quitutes típicos dos quais a grande parte, são iguarias, como insetos, estrelas do mar, cavalos-marinho e os tradicionais escorpiões no espeto?! 

Todas estas esquisitices que sempre ouvimos falar, a gente encontra na Wangfujing.

Numa das ruas perpendiculares existe uma feira de comidas com todas estas opções. Tudo funciona de dia e de noite. O cheiro é terrível e chega a dar um embrulho no estômago. Não consegui ter vontade de experimentar nada. Quanto mais você anda, mais vai encontrando coisas estranhas, barracas de souvenirs, malas, capa de celular, Ipad, enfim todo tipo de buginganga que brasileiro adora comprar.

Desde o nosso primeiro encontro de instrução com o grupo, apontamos com bastante destaque para detalhes como a água e as comidas típicas.Lembramos a todos que em nosso hotel, inclusive, no banheiro para escovar os dentes, tínhamos uma torneira especial de água filtrada. 

O problema da água natural local é que misturada com os organismos ocidentais, produzem um efeito não muito agradável que leva a pessoa a ter que optar pelo vaso sanitário ou a pia, pois as coisas acontecem simultaneamente. Por isso o nosso alerta.

Sobre as atrações culinárias, não era necessário discurso; bastava olhar para os escorpiões vivos no espeto, se debatendo ao serem colocados no óleo quente. Saímos do Parque Olímpico, e fomos direto para esta, que era uma das atrações mais esperadas da viagem. 

Porque? A coisa que brasileiro mais gosta de fazer em viagem, compras.

Neste dia não havia almoço de todo o grupo junto. Era impossível termos um espaço para 350 pessoas. Por conta disso indicamos vários restaurantes para que nosso grupo se alimentasse.

Que enorme cagada. Literalmente.

Esquecemos que em todo grupo de turistas tem pelo menos 2 diferentes tipos: os aventureiros, descolados e os viajantes de primeira viagem que não se arriscam.

E nosso programa da tarde era, Wangfujing, o paraíso das esquisitices. O grupo que não estava a fim de se aventurar, nem nos restaurantes que havíamos indicado, e achou uma opção onde poderiam se alimentar sabendo exatamente o que estavam comendo, mesmo com o cardápio em inglês. Tratava-se de um enorme Mc Donalds.

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Todos vibraram com os hambúrgueres, a batata frita, a coca-cola e o sorvete. Já para os nossos viajantes descolados as nossas indicações eram como uma regra chata. Eles queriam curtir a cidade, conhecer a culinária local, ter novas experiências, sentir realmente o sabor de Beijing. E aí Wangfujing era o paraíso. Experimentaram de tudo, do bicho da seda ao escorpião. Escolheram tudo que era super exótico e diferente.

E assim de duas formas completamente diferentes tivemos dois banquetes em nosso passeio. Um nas barraquinhas, outro no Mc. Para compensar a aventura do almoço, naquele dia fomos jantar num belíssimo italiano.

La Dolce Vita. O dono, um milanês que vivia a muito tempo em Beijing. Comida sensacional. Vinho e sobremesa. Uma surpresa maravilhosa para todos.

Beijing, 13 de agosto de 2008
Hotel Jianguo Garden – madrugada

3 horas da manhã toca o telefone em meu quarto. Tinha certeza de que não era uma notícia do tipo, ganhamos o ouro no sumô. Não deu outra. 

Era o médico que nos acompanhava. Ele havia sido chamado para atender 4 chamados de pessoas passando mal. Reunimos nosso grupo responsável. E numa pequena reunião em nossa sala de comando tínhamos o seguinte quadro: 4 pacientes com febre, vômitos e diarreia. Sério.

Às 8 da manhã este número havia dobrado. Ao meio dia eram 30 pessoas cagando e vomitando sem parar. Pessoas que não se sentiram bem a noite, mas não quiseram se apresentar acreditando em uma melhora.

A 1 da tarde, 45 quartos com pelo menos um doente em cada. Transformamos nossa sala em uma dispensa. Fomos ao supermercado mais próximo e compramos todo o estoque de bolachas agua e sal, agua com gás e maçã. Criamos uma rotina, e cada paciente recebia um kit com estes três itens mais uma medicação a cada 3 horas.

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Eles estavam proibidos de sair e de comer qualquer coisa que não fosse fornecida por nós. A situação era preocupante. O diagnóstico de nosso médico: pelo menos 2 casos passíveis de internação. Mas se isso acontecesse os chineses poderiam colocar os caras de quarentena e aí ferrou de vez.

Chegamos a montar um esquema de retirar estas 2 pessoas de Beijing levando-as ou para Hong Kong ou Tóquio, para que pudéssemos operar com maior facilidade e resolver o caso. Levamos essa rotina por 2 dias e 2 noites. E enfim conseguimos recuperar quase todos. Exceto um pobre coitado que não sarava de jeito nenhum. Acho que além dos escorpiões, lesmas, marimbondos, cavalos marinhos ou sei lá mais o que, esses indivíduos  comeram outras coisas inacreditáveis. 

Nestes dias tivemos que nos virar para atender, os turistas e os pacientes, em vários momentos tentamos estabelecer um raciocínio do que havia acontecido. O jantar italiano não foi. Todos comeram a mesma coisa. E não aconteceu um fato generalizado. Ainda bem.

Então a primeira conclusão: tivemos gente doente do grupo de aventureiros e do grupo do Mc Donald's. Mas nenhum dos que comeram nos restaurantes indicados passou mal. E continuamos a pensar e a conjecturar.

Depois de muita discussão, uma conclusão surpreendente; o estopim do mal estar foi o mesmo em ambos os grupos. Quem comeu escorpião, estrela do mar, bicho da seda, tudo isso frito em um óleo de gergelim; essa mistura acabou causando estranheza ao organismo não preparado dessas pessoas.

- E quem comeu no McDonald's???
- O mesmo motivo, mas com outro ingrediente: gelo. Gelo?
- É, o que estava dentro da Coca-Cola?
- Gelo é feito de água e a água vinha de onde?

Ninguém sabia a procedência. Passados 5 dias, todos estavam bem, exceto o coitado que havia se deliciado com os espetinhos variados e se atracado com um Big Mac e Coca-Cola. Na manhã do sexto dia encontro com ele, apressado na recepção do hotel:

- Seu Luiz, Seu Luiz !!! Pode me quebrar um galho? Sabe o que é... O senhor sabe o que aconteceu comigo né! Estou aqui a mais de 5 dias e ainda não consegui comprar nada para a patroa, para meus filhos, nem pra ninguém. E aí, voltar da China sem nenhum presentinho não pode acontecer. Preciso ir neste mercado.

Não conseguiu dizer o nome que tinha por escrito, Hongqiao Market, onde levamos o grupo. Então respondi: sei, mas como posso te ajudar?

- Eu ainda não tô totalmente bem, mas se o Senhor for na farmácia e comprar umas fraldas geriátricas, consigo sim ir e voltar. 

Moral da história: é preferível ser um turista cagado do que chegar de volta com as mãos abanando.

Tags: artigo | Luiz Coelho