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Sucesso a gente nunca esquece


11 de Setembro de 2020

Em uma das vezes que conversamos, falamos de como podemos aprender com nossos erros.

Um amigo me ligou e disse: “Muito bom. Mas também aprendemos muito com nossos sucessos.”

Absoluta verdade.

E me desafiou para que este fosse o próximo tema.

Acredito que todos, sem exceção, têm uma coleção de sucessos em suas carreiras.

Realizar algo e obter resultados positivos, ajudam muito a fazer com que uma coisinha muito importante se desenvolva: A autoestima. Esse desenvolvimento dá segurança para prosseguir. Gosto mais dos exemplos de simples conquistas e com um toque de inusitado.

 Sucesso pessoal, muito pessoal

Lembro-me bem de uma situação onde fui aplaudido e que me deu a enorme sensação de ter atingido o sucesso.

Estava na fila para exame médico: Aulas de educação física, na faculdade. Um puta saco. Havia uma fila enorme. Eu era um daqueles adolescentes de cabelo comprido, calça jeans rasgada, camiseta, chinelos com sola de pneu. Feioso. Espinhas na cara.

Ao lado da fila, chegou uma daquelas alunas que chamava atenção dos meninos.

Colocou-se à meia distância do primeiro da fila.

Eu era o décimo; sei lá.

Ela fitou todos os que estavam à minha frente.

E ficou, durante muito tempo me olhando, como se estivesse me avaliando.

Eu sabia. Não estava com boas intenções comigo.

Era muita areia pro meu caminhãozinho.

Chegou minha vez. Fui caminhando até a mesa de atendimento.

A bonitona, saiu apressada à minha frente.

Começou a andar muito rápido.

Queria furar a fila.

Um alarido; todos reclamando da fura fila.

Chegamos juntos.

Lá estava o médico, em sua mesa e uma cadeira para o atendimento.

Ela e a amiga de risinhos cochichando algo como: “Ah esse gordinho feioso que espere”.

Não tive dúvida.

Ela foi sentar-se na cadeira antes de mim.

E eu puxei a cadeira.

Ela caiu de bunda, no chão.

Não preciso contar a vocês a confusão que foi.

Esta, que eu me lembre, foi uma das primeiras situações onde tive muito sucesso.

Não perdi a vez.

A galera me aplaudiu.

Agi, como minha intuição me mandou.

Experimentei um baita sentimento de ter atingido meu objetivo: Não dar uma de babaca e ser atendido na minha vez.

Simples.

Mas peço que observem um fator muito especial.

- Fui aplaudido pela galera.

Autoestima lá em cima.

Para se obter sucesso pleno, é preciso haver reconhecimento.

Outro ponto importante, naquele momento, era que a “verdade” estava ao meu lado.  Era a minha vez de ser atendido e todos reconheceram este fato.

Talvez por conta destes dois fatores, muitas vezes é difícil celebrarmos os nossos resultados.

Mas posso afirmar que, na esmagadora maioria das vezes que segui minha intuição e consegui o resultado esperado.

Sucesso corporativo e muito branding

Lembro-me, por exemplo, do primeiro dia em uma das empresas que trabalhei.

Eu e um outro gerente, fomos apresentados ao presidente.

Na hora que nosso diretor nos passou a palavra, o cara rapidamente a tomou.

Queria ser o primeiro.

E saiu com essa: “Muito bom estar aqui. Sou a pessoa certa pois eu adoro desafios. E sei que aqui existem muitos.“

Continuou falando um monte de palavras.

Chegou minha vez; “E você “?

- Bem, sei que estou aqui há bem pouco tempo.

Cheguei às 9 da manhã.

Mas, independente do que tenhamos que fazer, precisamos, de cara, estabelecer nossos investimentos em marketing. Como faremos a seleção de uma agência e precisamos destacar a nossa atividade, pois a logo demonstra que a organização não se importa muito com a empresa da qual o senhor é presidente.

Meu diretor queria me trucidar.

O colega, que foi apresentado comigo, deu um sorriso de canto de boca; e estava escrito em sua testa: “Esse aí se ferrou”.

Resultado.

Em 5 dias o tal diretor foi demitido.

E, em 7 dias, eu tive que demitir o meu colega.

E o fiz, numa situação completamente inusitada: No banheiro, fazendo xixi.

A primeira demissão que você faz, a gente não esquece.

Nesse episódio, um fator muito importante: Reconhecimento do chefe.

Desafio megaevento. Sucesso com equipe 

Uma terceira história.

Implementar um evento, envolvendo todos os colaboradores com cargos gerenciais, nas áreas de vendas.

Isso significou uma população de quase 20.000 pessoas, em 6 cidades diferentes, em 6 finais de semana.

Estabelecemos toda a logística: Três meses para colocar isso de pé. Para nossa equipe, 3 critérios como nós nos avaliaríamos.

Um deles, e para mim o principal, era não perder ninguém nos aeroportos, nos transfers, e também não perder nenhuma bagagem de nenhum dos participantes.

Sucesso total.

Entretanto, em um dos eventos, no rádio, veio a seguinte mensagem: “Luiz você poderia dar uma chegada no banheiro feminino”?

Gente, é assim em evento; este é um sinal de que deu merda e séria.

Lá fui eu.

Entrei.

Haviam 3 pessoas de minha equipe acudindo uma moça.

A situação era: Marido bêbado.

Cobriu ela de porrada, durante o jantar. Ela era a funcionária.

O marido, o convidado.

Numa situação assim, não há tempo de fazer uma lista dos kpis, avaliar prós e contras.

O desafio é tomar a melhor decisão.

Levar a moça a um hospital.

Retirar o marido do evento.

Avisar ao hotel que nós não nos responsabilizamos mais por esta pessoa.

Bloquear a entrada do sujeito no hotel.

Fizemos uma inspeção no apartamento do casal para constatar se havia algum dano. Encontramos um lugar, onde parecia ter passado um furacão.

Não havia nada no lugar.

Trouxemos a moça de volta.

Levamos ela até o apartamento.

Ela separou as suas coisas e as coisas do marido.

Trocamos ela de quarto.

Fomos dormir; afinal já passavam das 3 horas da madrugada.

Às 5 horas da manhã, toca meu telefone: “Luiz, pode vir aqui na recepção”?

Fui.

O marido dormiu na porta do hotel, no carro em que vieram.

Ligou para a esposa, pediu perdão e ela estava pedindo que o deixassem entrar.

Outra decisão que poderia ferrar com o evento.

Nossa resposta: “Você pode ficar. Ele não”.

- “Ah, então eu vou embora, e vou reclamar com a diretoria.”

- “Ok então. Vamos pegar suas coisas e acompanhamos você até o carro, onde ele se encontra.”

Intuição, decisão, autoconfiança. Apoio da equipe. Fundamental.

Meus amigos, poderia ter trazido casos de planejamento estratégico, com soluções sensacionais, que criamos, eu e minhas equipes, mas preferi exemplos simples e onde decidir rápido era muito importante. E onde os resultados sempre, correram risco de não acontecer.

Além disso, situações como estas, me permitem compartilhar com vocês, o meu jeito de ser e pensar.

Por isso, saibam reconhecer os sucessos de suas equipes. Tornem sempre público. Celebrem os resultados.

Acabamos dando muito mais destaque para o que não foi bom e quase nenhum para o que foi espetacular, mesmo que simples muitas vezes.

Verdade e reconhecimento.

Fundamental.

Divirtam-se.

 

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