Geral

Ode à Griselda


6 de Outubro de 2020

Estamos todos de parabéns, nós que trabalhamos na área de comunicação.

No último dia 18 de setembro, comemorou-se os 70 anos da TV brasileira.

Sem dúvida, temos motivos para nos orgulhar.

Hoje, nosso país tem produções fantásticas sendo apresentadas em nossas emissoras.

Nossos programas, nada deixam a desejar a nenhum outro de todo o mundo.

Para mim, que sou um aficionado por esportes, na maioria das vezes, me irrito muito, ao assistir transmissões geradas em outros países.

Estamos acostumados com transmissões de muito boa qualidade.

Alguns destes produtos são inigualáveis, como as nossas novelas.

Não fazem o meu gênero, mas que são um belo produto, lá isso são.

Já exportamos várias, inclusive.

É justamente sobre este ponto que quero me deter hoje.

Lembro bem, que quando apareceu nas redes sociais, o discurso de Steve Jobs, em uma formatura nos Estados Unidos, rapidamente, uma série de apressadinhos deslumbrados, logo publicou em suas redes sociais.

Compartilharam, curtiram, comentaram, enviaram para a namorada, enfim, usaram o vídeo do discurso para mostrarem como estão on com o mundo.

Isto é ótimo.

Afinal era um depoimento muito importante.

Uma aula de vida de um dos grandes homens de nossa época.

Voltando à sexta-feira, 18 de setembro; tive a oportunidade de ver e ouvir o discurso de Griselda, personagem principal da novela Fina Estampa, de Agnaldo Silva, na mesma situação de Steve Jobs.

Apenas a diferença; uma é uma ficção, e a outra, uma formatura real.

No dia seguinte, sábado19, fiz questão de ver a reprise do capítulo.

Principalmente para gravar o discurso dela, como paraninfa da turma de medicina em que seu filho se formava.

Reproduzo a seguir.

Fazem três anos que fui convidada para vir aqui fazer um discurso.

Desde então eu venho me preparando. Mas até agora não sei o que falar direito. Imaginem só: É uma responsabilidade. Alguém como eu, que teve pouco estudo, dar uma mensagem de otimismo e esperança para uma turma de formandos de medicina. Alguém como eu, com minhas pobres palavras, olhando em uma janela para o futuro.

O que eu tenho para dizer a vocês, é o seguinte: O estudo é muito importante.

O saber é uma bênção.

Mas não é o diploma que faz um homem ,e sim o valor que ele dá ao seu trabalho.

O estudo prepara. Mas o trabalho duro e honesto é o que dignifica.

Sim, saber é uma bênção.

E ninguém aqui deve se sentir menor, porque um dia não pôde estudar.

Todos vocês devem dar muito valor ao que fazem.

E, seja qual for a tarefa, ela deve ser feita com honestidade, com integridade, com alegria. Pois o trabalho bem feito e honesto faz o mundo andar e a gente percebe que a vida dá certo; assim, com caráter, que faz a nossa caminhada no mundo valer a pena e nos torna uma pessoa de verdade.

Essa é a minha mensagem de otimismo e esperança para vocês, jovens, que estão na boca de ocupar, conquistar os melhores lugares do mundo.

Portanto, sejam honestos, acima de tudo.

Façam um bom trabalho.

E principalmente, amem seu próximo.

Foi uma honra estar aqui.

Meu muito obrigada.”

Diferentemente do Jobs, o Steve, Pereirão, a Griselda, não teve nenhuma publicação ou qualquer menção nas redes.

Ou em qualquer outro lugar.

Lembrei-me de nosso Nelson Rodrigues e o seu famoso complexo de vira-lata.

É exatamente isso.

Em se tratando de conteúdo, este fantástico texto, apesar de ter sido escrito alguns anos atrás, tem uma contemporaneidade impressionante com o momento que vivemos.

Se fôssemos usar um conceito da história da humanidade, poderíamos dizer, que vivemos a época do obscurantismo.

Recomendo, inclusive, abstenham-se de que foi Griselda, da novela, e leiam mais uma vez.

Piegas? Blasé? Fora do real? Coisa de novela? Reacionário?

Plagiando novamente Nelson Rodrigues; “Que me desculpem os idiotas da objetividade”, devemos parar um pouco e refletir sobre a nossa vida.

Será que continuamos buscando sucesso para depois obter felicidade?

Continuamos privilegiando o ter, em detrimento do ser?

Se, como diz o verso da música, as aparências enganam, porque continuamos a investir tanto do nosso tempo nelas?

Será que conseguimos aproveitar todo o tempo do mundo que tivemos, afinal estamos em casa há mais de 6 meses?

Refletimos sobre o que fomos, para tentar nos reinventarmos enquanto Seres humanos?

Continuaremos a gerir nossas vidas, do mesmo jeito que antes?

A vacina resgatará a nossa rotina mecânica, sem paixão, gerando os mesmos resultados, as mesmas soluções, os mesmos pensamentos?

Precisamos aproveitar as lições que este ano nos trouxe e olharmos para nós mesmos.

Aproveitar as sábias palavras da Pereirão e trazer para nosso dia a dia melhores atitudes, melhores caminhos, melhores práticas.

“Dias melhores para sempre”.

Termino citando uma das frases mais lindas deste discurso fantástico:

“O trabalho bem feito e honesto faz o mundo andar e a gente percebe que a vida dá certo."

Tags: artigo | Luiz Fernando Coelho | televisão brasileira