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Market: Canibalismo no trade


15 de Outubro de 2021

Este artigo talvez vá ajudar a entender as ações comportamentais de alguns setores varejistas no mercado.  

Um comportamento que vai além da visibilidade, da venda do produto, até dos manuais de marketing, na verdade, é um posicionamento de raízes culturais  justificado pelo foco da competitividade.

O assunto em questão diz respeito a uma estratégia questionável por alguns, e, apoiada por outros, em diversos lugares do Brasil, principalmente, em São Paulo.

Acho que todo o mundo já percebeu que na mesma rua há dezenas de lojas todas vendendo o mesmo produto. É cultural, é estratégia ou um suicídio?

Tenho procurado entender o viés deste comportamento, aliás, em alguns casos até justificável, porém, não em todos.

Na antiga São Paulo, início do Século XX, e em alguns países da Europa, os mercados de rua quase sempre estavam afastados do centro urbano, assim, dava-se às ruas o nome da atividade. 

Rua da Prata, Rua do Ouro, ruas onde se podiam comprar produtos associados ao nome. Tomemos como exemplo a zona cerealista de São Paulo, mercadão, Bom Retiro, Rua das Noivas, ou a Florêncio de Abreu, lugares onde os produtos eram e são distribuídos e comercializados pelos pontos de venda.

Na verdade há uma justificativa, o que não é o caso de Santa Efigênia, com dezenas de lojas coladas vendendo o mesmo produto.            

Estes princípios justificavam-se numa época de muita imigração, e, obviamente, pela influência e tradição das diferentes culturas, a ibérica, árabe e italiana, inclusive pela facilidade urbana e competitividade.

Na realidade, trata-se de uma estratégia de posicionamento para ajudar os comerciantes e os compradores. Hoje, com o crescimento da cidade, continuamos vendo esse posicionamento fora do centro comercial e invariavelmente em todos os bairros da cidade.

Ruas com quatro ou cinco farmácias, restaurantes, lavanderias, entre outros exemplos que o paulista conhece bem. Um tipo de relacionamento comercial que gerou uma relação de mutualismo mercadológico, onde vendedores e compradores, todo saem ganhando, inclusive, a população.

Talvez este princípio seja justificado por um mercado em expansão ou por uma escassez econômica que se espalhou no mundo, ou talvez por uma influência como já foi citada oriental e cultural, propagada pelos seus próprios imigrantes.

Pensando positivamente, podemos entender que essas atividades têm algo em comum, uma visão sistêmica de processos mercadológicos, ou uma inspiração para a solução de problemas comuns a todos os comerciantes?

Na prática, uma concorrência corporativa entre empresas, que os obrigava a uma constante adaptação de conceitos e formatos sob pena de perderem a competitividade.

A minha intenção não é questionar, apenas entender o princípio mercadológico e estratégico deste formato que nos surpreende e cresce a cada dia sem reclamações, aliás, bem aceito pelo público em geral, que o justifica como comodidade.

Outra prática ainda mais insólita é quando os fabricantes passam por cima do varejo, uma prática hoje muito usada pelos feirões das montadoras. Talvez seja uma estratégia inovadora, ou uma herança trazida do passado, pela necessidade de sobrevivência do comércio e sem nomes estratégicos.

Ainda assim, acredito que podemos chamar de inovação, uma forma criativa de geração de valor e atender a uma necessidade real, a sobrevivência.

Um princípio muito claro na busca de suprir as necessidades, assim, garantindo uma melhor qualidade de vida.

Do ponto de vista epistemológico, conforme Tidd  et al. (2008), a inovação é uma questão de conhecimento, criando novas possibilidades por meio da combinação de diferentes conjuntos de conhecimentos. 

Estes podem vir na forma de conhecimento sobre o que é tecnicamente possível ou de que configuração pode responder a uma necessidade.

Acho que este conceito justifica e esclarece qualquer dúvida sobre os processos questionáveis que levantei no início do meu artigo.

 

 

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