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Destinos


2 de Dezembro de 2020

Gurus e especialistas de plantão, lideres e Oráculos do destino, todos em cada manifestação pessoal ou coletiva, seja pública, lives, ou declarações midiáticas, em seus pronunciamentos ou avaliações, na maior parte solicitadas pelos canais midiáticos, são na grande maioria enfáticos. 

Donos de notório saber, donos da verdade expressam em seus comentários professorais, manifestam o caos e o pessimismo, ou na contramão absoluta, o otimismo exacerbado.

O importante é aparecer, gerar visibilidade, se não der certo não tem problema, a responsabilidade é zero na memória curta de quem nos escuta.

Nas suas sentenças midiáticas sempre resgatam a falta de comprometimento. Dos destinos, às lideranças, da estrutura, do envolvimento político, à incompetência, entre outros atributos negativos.

O importante é parecer bem e estar alinhado, principalmente, com as tendências ideológicas de alguns meios de comunicação.

Enquanto isso, esquecemos que estamos vivenciando uma situação inusitada, contraditória, apoiada em falsas verdades, em opiniões sem embasamento ao sabor do improviso que mais nos confunde do que nos ensina, sem esquecer a vaidade, o envolvimento político.

Na verdade estamos vivendo uma situação caótica inusitada para a qual não estamos preparados. Até quando? Não sei, não sou guru.

O ter dado certo no passado não nos qualifica para o presente e ninguém tem a humildade de assumir que não sabe.

Estamos vivendo no escuro, apostando nas tentativas e nos erros e o resultado é uma incógnita, uma consequência.

Voltando ao foco do turismo, aliás, o objetivo deste artigo, eu pergunto: Os destinos na sua atividade e multiplicidade em geral, estão pensando em como administrar dentro da realidade de hoje e do futuro o contexto social?

Não só do ponto de vista social e cultural, mas, da sua segmentação, e de quanto ela é discriminatória é segregacionista.

Alguém dos órgãos ligados à atividade do turismo já pensou que no momento atual, a desigualdade social pode potencializar o decrescimento da economia, ou até ampliar ainda mais as desigualdades?

A diversidade que hoje marca a sociedade brasileira está bem explícita nos fatores regionais, nos seus valores culturais e  econômicos, sem esquecer a importância da realidade e interesse dos seus habitantes.

Será que o turismo regional é de fato uma oportunidade?

Um turismo econômico que respeite os valores culturais, que contribua para o crescimento da sociedade, e de um destino integrador, ou é visto e avaliado como uma oportunidade sem compromisso?

A realidade é clara e óbvia, é fundamental trabalhar o destino, oferecer segurança para os viajantes, educar e valorizar a mudança, o comportamento social de quem viaja.

Educar o turista brasileiro é mais que uma oportunidade, é uma obrigação conceitual, principalmente, levando em consideração a pandemia e as suas consequências.

Responsabilidade, planejamento e respeito tem que começar a fazer parte obrigatória do comportamento do turista.

A norma é antes de criticar tem que ajudar.

O turista tem que entender que o destino é igualmente seu e você faz parte integrante dele. Se respeitar a porta de entrada estará sempre aberta.

A Europa é hoje o epicentro dos destinos regionais, um dos mais importantes, obviamente pela proximidade dos seus países. Ainda assim, na sua proximidade, cada destino oferece diferentes espaços e atrativos históricos multiculturais, muitas vezes a apenas uma dezena de quilômetros uns dos outros, tornando mais fácil a aceitação da mudança cultural e regional do destino.   

A nossa realidade é diferente, o território brasileiro apresenta excelentes condições para o turismo doméstico, não só pelas suas características naturais, mas pela sua grande diversidade de ecossistemas, temos as maiores costas litorâneas do mundo, com praias tropicais disponíveis o ano todo.

Assim, antes de qualquer coisa temos que avaliar o que devemos fazer e quais são de fato as nossas responsabilidades?

Quando falo a nossa responsabilidade, me refiro à sociedade, ao trade, aos usuários, ao compromisso que todos sem exceção deviam ter com a qualidade de vida, com o meio ambiente, com a responsabilidade social do destino, com a preservação cultural e histórica.

O crescimento econômico, o resultado, é uma consequência, e advém com a melhoria da qualidade de vida, da preservação do meio ambiente, do envolvimento da comunidade, sem esquecer a valorização da identidade cultural e as relações comunitárias.  

Para que isso aconteça e se torne uma realidade precisamos de uma mudança educacional, e ele ocorre através da gestão e controle da atividade apoiada na capacitação e formação profissional adequada. Aí temos a sustentabilidade do turismo.

 

Foto: Shutterstock.

 

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