Geral

Nos corredores da comunicação


14 de Outubro de 2020

Este artigo demonstra como pretendemos trabalhar as etapas e desdobramentos do papel da comunicação, por intermédio da metáfora. O Espaço, as Portas e a Chave.

As portas

Cada uma delas uma passagem livre, dando acesso aos mais variados estímulos sensoriais da comunicação.  

Processos, formas influenciadoras, comportamentos, e, por último, disciplinas.

As portas dão acesso a tudo o que se possa ser usado na comunicação, dos sentidos, na atribuição de significados.

Com isto em mente, vale analisar as habilidades comunicadoras, seus níveis de conhecimento, seus papéis nos múltiplos sistemas sociais e o contexto cultural em que se verificam os comportamentos da comunicação.

A chave

Representa simbolicamente a permissão, a abertura para o ato de comunicar, o acesso aos meios da comunicação, o acesso à liberdade de expressão, o acesso aos conceitos.

Hoje a palavra comunicação tornou-se popular, virou contexto, formato, tendência, rotulo, ilustrando a sua importância como o diferencial, que separa o homem comum do informado.

Não é à toa que a chamamos a Era do conhecimento.

Além de ciência, de disciplina acadêmica, de matéria para a construção do real, a comunicação se tornou também, num instrumento de condução e homogeneização dos sentidos, dando forma a relacionamentos, competências, oratória, meios de comunicação e meios midiáticos de informação.

A ciência de comunicação transformou o mundo global numa referencia.

A sua dinâmica orienta-se cada vez mais no sentido de uma comunicação integradora, manipuladora, de interesses historicamente construidos.

Realidade ou utopia? Desde a comunicação de Aristóteles, como retórica, como persuasão, à comunicação global, à comunicação construtiva das revoluções de massa, as revoluções agrícolas, industriais, as revoluções dos sentidos, é a comunicação dirigida que ilumina e liberta.

No processo de comunicação, não podemos esquecer o  papel midiático de informação como ferramenta de marketing. Da mesma forma, não podemos omitir a sua responsabilidade na construção das imagens, realidades, sinais e percepções.

Sem exageros, podemos afirmar que a comunicação é poder, é a informação construindo e destruindo, legitimando e massificando. Um instrumento sem limites, pluralista, contundente, sem limites, uma arma viva e mutante a serviço do Ser humano.

Comunicar: Privilégio ou um  dom?

Sem conhecimento teórico das propriedades da comunicação, passamos boa parte da nossa existência influenciando e sendo influenciados, porém, aleatoriamente.  

No meio ambiente, nas organizações sociais e culturais, na política, nos nossos valores culturais, na família, igreja e comunidade. Com consciência ou não, a comunicação é um instrumento vital na nossa existência.

Em qualquer situação, a comunicação humana, sempre compreende a produção de mensagens para alguém, e a recepção dessas mensagens igualmente por alguém, influenciando, rompendo comportamentos, ou, sendo influenciado.

Não discutiremos aqui os métodos, as técnicas, as habilidades verbais da comunicação, da leitura à audição, da escrita à palavra.

Em lugar disso, vamos tratar uma outra habilidade, a da comunicação associada à imaginação, ao pensamento criativo, da relação com a criatividade, da metáfora, ao sonho, à simbologia.

A metáfora

Vamos imaginar uma metáfora, onde o nosso ator principal é o Ser humano, um homem. A sua vida é representada simbolicamente por um caminho, ou melhor, para ser mais efetivo, um grande corredor cheio de portas, em cada porta com um significado, uma simbologia.

Todas elas alimentado os sentidos. Cada uma ou todas juntas, expressam com a maior clareza o sentido vital da comunicação.

As opções essenciais à comunicação, como uma rede de institucional.

As portas

Na primeira porta, encontramos a palavra.  A comunicação por meio da linguagem, da retórica.  

Em outra porta os sons musicais, a porta que nos ajuda a exprimir e obter sensorialmente as emoções, os sentidos, os códigos, os símbolos, os significados, as tradições.

Na segunda porta, vamos achar os valores, as crenças, as atitudes, os sistemas, os comportamentos, as percepções, os estímulos.

Continuando o nosso caminho vamos abrir uma outra porta.

Aí, achamos os significados, as normas, os papéis,a cultura. As relações, o amor, as habilidades, o outro, o ser decodificador, as informações.

Abrindo outra porta encontramos o poder, o grupo social.  

O ego a vaidade o trabalho, a arrogância, o julgamento, o erro, a responsabilidade do eu, o julgamento, o certo o errado.

Mais uma porta. Nela vamos achar a lógica, a análise os princípios, a dinâmica, as probabilidades, o argumento.

A lógica dedutiva, os conceitos, as premissas, os paradigmas.

Em outra porta as sentenças, o medo, as frustrações, o meio ambiente, a ciência, o dia, a noite, o real a realidade.

Quantas portas são necessárias neste corredor para se processar a comunicação?

Quantas vamos usar e quais as mais importantes? Que sentido prático será o fator prioritário?

Ciência ou arte, habilidade ou dom? Provavelmente ambos.

Indo mais longe, diria: fator decisivo em todas as disciplinas, informação e comunicação de mãos dadas.

Esta analogia da comunicação foi o processo usado para exemplificar as grandes vertentes da comunicação, a sua importância, os seus propósitos, relatar e persuadir.

Ao homem cabe o papel de avaliar e justificar a comunicação, tanto as observações quanto os julgamentos, nenhuma manifestação do seu uso pode ser tida como não-persuasiva.

A realidade, o valor, o conceito é determinado pelo homem. Precisamos distinguir cuidadosamente fatos e opiniões.

A verdade ou a mentira é um rotulo. Vale a comunicação.

 

Tags: Comunicação | artigo | Edmundo Monteiro