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7 de Setembro de 2020

Esta semana fiquei muito feliz com a reverberação do projeto #goodnews. De entrevista a um canal à matérias em vários sites e o mais importante: Com o incrível apoio vindo de muitos amigos e leitores. 

Foi uma semana de #goodnews para as #goodnews. E que seja uma importante forma de incentivar as pessoas a cada vez mais buscar alimentar-se de assuntos, conteúdos, ideias e informações positivas. 

Claro, sem nunca buscar nenhum tipo de alienação, mas antecipando o impacto delas em nós mesmos ao simplesmente perguntar: O que isso vai fazer de bem pra mim?

Dentro deste processo, algumas pessoas vieram me perguntar porque eu postava 30 goodnews diariamente (10 por período). Se não era exagero e porque não postar MENOS. Foi esse questionamento que me trouxe ao tema da coluna de hoje, pois é algo que queria tratar, mas vamos começar então com uma história:

“Existem marcas, produtos e empresas que criam uma mística dentro do mercado. São incríveis, inspiradoras e extremamente desejáveis como clientes. E foi justamente ao serem aceitos por uma delas, que aqueles empreendedores – depois de muito comemorar – se viram na necessidade de entender melhor como tudo funcionava. Afinal, nos últimos meses eles tinham aproveitando essa grande oportunidade para entregar os melhores projetos que podiam, se esmeravam em fazer tudo caber em budgets que nem sempre eram os melhores, procuravam entender profundamente os detalhes dos briefings, levavam soluções ainda mais completas do que eram pedidas, se preocupavam em construir conceitos abrangentes, inteligentes e conectados, e como ainda estavam testando a melhor forma de encaixar seu trabalho, estavam usando diferentes approuchs e profissionais, procurando assim fazer os testes necessários para “acertar na veia”, pois se tinha uma coisa ali bem clara, era a grande disposição em investir tempo, pessoas, experiência e dinheiro para poder desenvolver grandes projetos e tê-los definitivamente no seu portfólio.

E foi justamente com esse pensamento, que eles se reuniram com a liderança da empresa para buscar algum feedback e ao mesmo tempo entender porque depois de tantos projetos, muitos incrivelmente completos, eles não estarem ganhando nenhuma concorrência. Sabiam que eram novos no grupo, mas tinha a consciência do seu potencial. Sabiam que existiam relacionamentos e vínculos de confiança mais antigos com outras empresas, mas acreditavam piamente numa postura de concorrência fair e justa. Sabiam como “tickar” rigorosamente cada tópico colocado no briefing, mas achavam estranho muitos deles não serem considerados quando viam o projeto ganho. Sabiam que estavam fazendo de todas as formas possíveis, achavam que tinham caminhos muito certas, mas não entendiam o porque de sistematicamente não estarem ganhando nenhuma das concorrências.

Foi com essa intenção que aqueles empresários humildemente buscaram a transparência dos líderes do projeto e entender. Queriam melhorar, queriam ganhar, estavam abertos à isso e estavam ali para ouvir.

Depois de ouvir atentamente todos os pontos, os líderes da empresa disseram que a performance deles estava muito boa, os projetos eram muito bons e não ganhavam por meros detalhes, pequenos ajustes e pontos mínimos que em breve seriam resolvidos.

No entanto, eles lhes disseram que precisavam falar algumas coisas: primeiramente que eles eram muito conceituais, que buscavam tendências, construções de raciocínio completas e didaticamente explicadas. Elas claramente buscavam o pleno entendimento do briefing e a construção da narrativa da solução apresentada, mas segundo eles o time que analisava esses projetos era jovem, eles se dispersavam e acabam não entendendo.

Por outro lado, eles viam como estratégico o fato de oferecerem opções, caminhos possíveis, variados e se abrirem a um trabalho de cocriação, mas diante das possibilidades, a equipe jovem deles ficava insegura e acabava não sabendo para onde ir, optando então por uma caminho mais direto.

Chocados com os dois pontos, eles questionaram então se o problema então era deles como empresa ou de sua equipe jovem que não tinha uma maturidade para entender argumentos e abordagens tão comuns do mercado? E foi óbvio que ali eles se defendessem e deixassem claro que era o time deles e era assim que seria.

E para resumir, os empresários então perguntaram se o que eles estavam propondo é que fossem mais rasos, minimizassem o esforço em oferecer soluções mais amplas e completas, e entregassem menos?

Os clientes negaram ver a coisa por esse lado, pois não entendiam que isso significava reduzir o nível da entrega, mas ficava bem claro que sim, eles deveriam fazer um “mínimo múltiplo comum”, resumir, simplificar, traduzir e simplesmente porque a sua “plateia”, vestida de decisores de algo tão importante dentro do business de qualquer negócio, não tinha capacidade de entender MAIS, elas simplesmente paravam no MENOS.”

Esta história é uma colagem de algumas histórias reais e certamente muitos de nós já a vivenciamos de uma forma ou de outra. 

Ela escancara a mesma questão aos que me perguntavam por que fazer 30 #goodnews por dia e não fazer menos? Da mesma forma como também inúmeras empresas ao verem um processo criativo rico, se incomodam ao verem tantas opções, caminhos e possibilidades. Talvez imaginando que uma pergunta sempre tenha uma única resposta.

Toda essa busca e defesa absurda do MENOS É MAIS, pode estar escondendo não uma opção e defesa conceitual enxuta ou uma objetiva construção narrativa, mas simplesmente a formatação para quem sabe ou quer entender MENOS. 

Textos grandes não são lidos e tem muita gente que diz que vai esperar o filme para ler, então quem deve mudar: quem escreve ou quem não tem vontade de ler mais do que seu alto grau de dispersão consegue?

E em mundo de tantos assuntos dispersos e tantas pessoas que vivem uma síndrome nunca vista de procrastinação e dispersão excessivas, a grande questão é: Devemos ajudá-los a serem melhores leitores, ouvintes e espectadores ou simplesmente prejudicar entregas melhores, mais amplas, completas e inteligentes, simplesmente porque do outro lado alguém não consegue acompanhar? Isso não seria minimizar a própria capacidade e a inteligência?

Quando alguém me pergunta porque fazer 30 posts diários, por que trazer 3 ideias ou por que inundar uma reunião de brainstorming com um monte de ideias, eu respondo: PORQUE SIM!

O alpinista britânico George Mallory, insistentemente perguntado por repórteres em Nova Iorque sobre os motivos para escalar o Monte Everest, simplesmente respondeu: “Porque ele está lá”. E é justamente isso! Nosso papel no mundo é justamente pensar, criar, pôr pra fora, sair do comum, inovar, discutir, provocar, trazer reflexões e possibilidades que cheguem a uma nova visão e perspectivas, e você quer o quê? Que a gente fique com aquela cara aterrorizada, medroso em dar uma ou várias ideias? Não devemos nos vergar à incompetência dos que pensam MENOS, porque o mundo precisa é de quem PENSA MAIS!

É irônico lembrar que trabalhamos a vida inteira para trazer para o bojo do nosso trabalho uma consistência e qualidade que estejam fortes e a toda prova, mas é triste ver isso sendo questionado caso você não resuma tudo dentro de um único conceito, uma single ideia ou message e que ela esteja telegraficamente no formato de um tweet.

Quem ganha com isso? Quem quer pensar menos e entender sem pensar? Quem acha que o mundo hoje é telegráfico mesmo e que temos que fazer tudo resumido? A valorização de abordagens mais rasas porque acertam na linguagem? Ou perdemos com isso qualidade de conteúdo imprescindível em um mundo que precisa justamente da construção de algo menos efêmero, numa busca de histórias que realmente tenham mais do que uma preocupação com o número de palavras, mas sim com o sentimento que está ali dentro?

Sem passar por fáceis questionamentos sobre a construção educacional e a montagem dos futuros profissionais pelo próprio mercado, fica aqui uma provocação sobre o que queremos do mundo a partir de agora: um que resume tudo em uma vírgula, um ponto ou um emoticon ou algo que tenha o poder de despertar sentimentos e instigar a experiência a partir de linhas, palavras e letras? E que fique claro: Não estou falando de falar, escrever ou explicar muito, isso é forma e cada um tem a sua, mas de NUNCA ABRIR MÃO DE PENSAR BASTANTE!

E lembrando da frase de Picasso: “Quando eu tinha 15 anos sabia desenhar como Rafael, mas precisei de uma vida inteira para aprender a desenhar como as crianças.”

Vamos então questionar fortemente o que fazemos e em qualquer mercado. Se cabe a nós aprender a pensar como crianças (e isso é a síntese da criatividade e da inovação), isso não significa se expressar como uma e muito menos dirigir nossa forma de comunicação a uma delas. A menos que isso faça parte do seu briefing.

Frank Lloyd Wright dizia “Menos é mais apenas quando o mais é demais.”, então não vamos confundir uma tendência de minimalismo, com uma formatação de um pensamento raso, superficial e simplista. Isso seria aceitar o incômodo de virar commodity, ser como todo mundo é ou como muita gente espera que a gente seja.

Se você é da linha MENOS É MAIS, pense ao menos que MAIS NÃO É MENOS, ou então viva com a infeliz possibilidade de ser apenas MAIS OU MENOS.

 

 

 

Tags: artigo | Dil Mota