Aprendizados de um empreendedor

25/10/2017

Empreender é um trabalho árduo e constante. Muita coisa joga contra, do primeiro ao último dia deste processo empreendedor. Quando falo “ultimo dia”, não me refiro só a chance de o negócio dar errado.

Ocorre que se ele der certo, penso que o empreendedor deixa de ser empreendedor e vira empresário. Sempre entendi assim: você é empreendedor até o negócio dar muito certo. Uns o são por meses, outros por anos, alguns por toda uma vida. É sim difícil, mas delicioso.

A parte mais complicada deste processo é a de gerir gente. Não fomos (ao menos não eu) formados para gerir pessoas. Não vi isso na graduação de publicidade, nas pós-graduações de comunicação, nem em empresa alguma que trabalhei. Apenas somos convidados (pela empresa ou pela vida) a gerir pessoas, e assim seguimos em frente.

Nestes últimos seis ou sete anos liderando pessoas, seja nas empresas que sou ou fui sócio, seja onde meus empregadores me ofereceram um time para trabalhar junto, aprendi muitas coisas. Sei lá se forem as melhores lições, se poderia ter aprendido mais, ou menos. Mas foram lições interessantes. Algumas delas resolvi listar para o artigo de hoje. Tomara que sejam úteis para alguém:

1. Equipe vê tudo. Quem lidera tem sempre a certeza que vê tudo, que conhece cada profissional do seu time, e que pouca coisa escapa a ele. Pode ser verdade, sim. Mas o inverso também acontece. Líderes são sempre analisados, comentados e às vezes vigiados.

2. Palavra é tudo. As vezes é um problema, mas para mim, palavra é tudo. Já aconteceu de me arrepender de algo que prometi, mas segui em frente. Notei que manter o que se diz (exceto se muito necessário) transmite segurança para a equipe. Trabalham com mais tranquilidade, e consequentemente melhor.

3. Reclamaçõeszinhas: Se é para reclamar, que seja uma única vez de forma firme, que diariamente com picuinhas. Elas cansam e, aos poucos, te torna chato. Já trabalhei com líderes que reclamavam de tudo que é coisa pequena, e este se tornou chato. Uma hora paramos de o escutar. Se vira rotina, perde o efeito.

4. Broncas. Reclamar ver ou outra, beleza. Mas tenho não dar broncas. Não acredito nelas. Se a bronca for leve, o profissional não escuta; se for forte, pode ser levada ao pessoal. Alias, cada um entende uma bronca como quer, se é algo pessoal ou construtivo. Entendi então que brigar não ajuda muito. O negócio é conversar e explicar. Conversa uma, duas, três vezes. Não deu certo, troca.

5. Contrate tesão. Entre profissionais tecnicamente eficientes ou cheios de tesão, prefiro o segundo tipo. Gente que corre atrás faz qualquer empresa correr. Melhor precisar segurar um profissional, que empurrar. Gente com vontade de crescer, aos poucos, se tornam tecnicamente eficientes. E o tesão continua.

6. Caráter. Contrate caráter e treine habilidades. A frase não é minha, mas a uso muito. Já trabalhei com gente que deixava o caráter em casa, e estas são um problema. Se você vê alguém agindo de forma errada em pequenas coisas, caia fora. Quem faz errado com pequenas coisas também o faz com as maiores. Vai na minha, já que demorei a aprender isso.

Seis itens, apenas. Não são os únicos, certamente. Talvez nem os mais importantes ou relevantes. Mas são os que tento sempre lembrar. A mim, ajudam.
 


Fonte:: João Riva