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Tem gente que acha que só existe uma verdade, e que todo mundo entende as coisas de um único jeito, o chamado“jeito certo”. Isso vale para tudo, de receita para fazer bolo crescer a fórmula para fazer evento acontecer.

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Ora,pressupor que todo mundo entende exatamente a mesma coisa é assumir o desconhecimento de instâncias sociais, culturais, educacionais, econômicas, religiosas, políticas, psicológicas, entre tantas outras, que atuamde forma intensano pensamento humano e interferem nas atitudes de cada um, mutantespor natureza.

Falando de marcas, quantas não desperdiçam grandes quantias de dinheiro em ações de comunicação e relacionamento genéricas, que falam com todos os públicos de um único “jeito certo” sem se preocupar com o sistema de crenças&valores de consumidores, fornecedores, funcionários, colaboradores, advogados da marca, semeadores, earlyadopters, fãs, críticos, prospects? O segredo de se fazer percebido e reconhecido é ter um território de marca claro, objetivo, reconhecível. Assim, mesmo que cada um entenda de uma forma diferente, de acordo com suas verdades e seu “jeito certo”, ao menos a marca foi bastante clara ao se posicionar, facilitando o entendimento daquilo que quer dizer às pessoas.

Pensar em ações de marca que efetivarão trocas e intercâmbios significa entender as especificidades de cada grupo para criar sinergia e interação.E se com uma pessoa já é complicado, imagine com grupos de pessoas. Segundo estudos de comportamento, a geração de valores e a formatação de crenças é maior quanto menor for o grupo de relacionamento. Por isso o poder do boca a boca em microgrupos de interesse, que merece ser considerado como micro-estratégia de atuação com pequenas verdades em que o grupo acredita: é a chamada “alquimia social”, uma certa cumplicidade que gera certas convenções (e mesmo mentiras) em que todo o grupo acredita. Mais ou menos um “jeito certo do grupo”.

Chega de verdades individualistas e únicas. É hora de olhar para o grupo e compartilhar. 

Por isso finalizo com Michel Maffesoli e seu conceito deglutinummundi, o grude das coisas. “Adesão aos outros, em função dos gostos, das origens, das histórias ou dos mitos comuns. Adesão a um território, a uma natureza, a uma paisagem compartilhada.” Quando se adere a uma cultura comum, comportamentos e rituais passam a ter um sentido, mesmo que ilógico.

Fica a dica: quando alguém vier com o “jeito certo” de fazer alguma coisa, ataque de Glutinummundi. Esse sim é o jeito certo de fazer comunicação.

*Adaptado do LivroEconomia das Dádivas, de Marina Pechlivanis (Alta Books 2016)