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Edmundo de Almeida* Um dia destes, almoçando com amigos da área, bastou uma palavra, uma só, para esquecermos rapidamente os Ronaldos, o Campeonato Paulista, a camisa do treinador da seleção, e entrar de cabeça numa velha polêmica, aliás, bem velha. A importância da ética nas concorrências e, a premissa conta ou Job? A conversa esquentou. Cada um acrescentava um novo ingrediente, relatos sempre fundamentados em experiências pessoais, alguns deles até de conhecimento público. Como era previsível, a tensão aumentou, os ânimos ficaram exaltados e, uma vez mais, não se chegou a nenhuma conclusão, aliás, chegamos, como dizem os franceses, não se misturam negócios com almoços, perde-se o sabor. Refletindo sobre o problema, chegamos à conclusão que o problema além de velho, extrapola o óbvio, envolve ética, incompetência, imaturidade, juniorização de algumas gerências, desconhecimento das ferramentas e, pior, pouco reconhecimento à atividade. Com todo o respeito à atividade publicitária, sem querer polemizar, aliás, sirvo-me dela como exemplo, nenhum dos exemplos aqui relacionados são praticados no seu dia-a-dia, razões, são muitas, acho que nem vale a pena citar. Sempre existem exceções, felizmente ou infelizmente, depende do ponto de vista. Na sua grande maioria, quero dizer no mercado publicitário, as concorrências são transparentes, visíveis, os resultados são de domínio público e, algumas delas, são até remuneradas. Um mudo maravilhoso, para poucos. Falando de Jobs, para as agências é só nomenclatura, a grande maioria tem conta, tem verba, tem um plano estratégico, tem um compromisso comercial, tem respeito dos seus clientes. Falemos agora do outro mundo, o lado não exposto aos holofotes da mídia. Não temos contas, temos Jobs ( tem algumas exceções ), temos departamentos de compras avaliando qualidade, desculpem, avaliando custos, temos profissionais desavisados trocando anos de parceria, de conhecimento estratégico, por propostas mais baratas, uma economia questionável. A troco de algumas dezenas de reais são sacrificadas não só as parcerias, é, sacrificada a qualidade, algumas vezes anos de investimento, conhecimento, e, em algumas vezes pondo em risco a própria marca. Job também representa outra definição, imprevisto.  É pontual e acontece quase sempre em cima de uma ação de uma necessidade imprevisível. Raramente é solicitada dentro de um planejamento estratégico, como sempre temos exceções, porém, o cenário não muda muito. Concorrências, aqui o problema é ainda mais complexo, mais sério, brienfings sem informação consistente, chocante, chegamos ao ponto de reconhecer nos brienfings os nossos planejamentos, informações privilegiadas, fruto de investimentos, de conhecimento. Concorrências, bonita palavra, na sua grande maioria feitas para atender os polices das companhias, para gerarem informações, algumas vezes, até para fazer número, é o que chamamos cartas marcadas, acho que isto não é novidade para o mercado. Esta prática vem se arrastando há anos, sem perspectivas, a tendência é piorar. Muitas vezes, atende-se o cliente para não queimar o filme, no fundo há sempre uma esperança de um dia sermos recompensados. São as chamadas falsas demandas, sem compromisso para quem pede. Quando não se paga não se reconhece a importância, se questionados, frente à exigência de prazos e itens do projeto, o argumento é claro –“se não quiserem tem muita empresa esperando a oportunidade”. Até que é verdade, tem muita gente! Quando questionados sobre os critérios da não aprovação (nem sempre temos essa oportunidade), as respostas na sua grande maioria são evasivas, demonstrando na maioria das vezes de uma profunda falta de embasamento técnico, -“Acho que a imagem não é muito forte”- A cor do layout não motiva” –“Vocês têm pegada, mas o preço”. Fica para a próxima, este ano temos mais dois jobs que são a vossa cara. É hilário. Convivemos com uma realidade que não reflete, não acompanha a maturidade da comunicação, refletida na qualidade dos nossos clientes, nas nossas marcas, nos profissionais, então onde está o problema? Sem eufemismos, sem querer ser dono da verdade, acredito que esta realidade só vai mudar frente a um alinhamento estratégico entre as agências de publicidade e as agências promocionais. Ou, por decisão própria e inteligente dos seus profissionais, ou, por imposição de clientes e mercado. Felizmente, alguns clientes na contramão desta realidade, começam a reconhecer,  que o sucesso dos seus produtos e profissionais não é exclusivo de uma única ação ou ferramenta. Creditando o sucesso das suas campanhas, a uma visão estratégica de ações, a um alinhamento sem graus de hierarquia, onde cada agência cada profissional, está focado no resultado, no sucesso e, como é obvio na satifasfação dos seus clientes. É o ovo ou a galinha, não sei quem vai começar primeiro, aliás, pouco interessa desde que se mude, que se caminhe para um processo evolutivo respeitando diferenças, as necessidades e as ferramentas da comunicação. Acredito no bom senso, no profissionalismo, acredito que está na hora de se esquecer as diferenças, valorizar as positivas, de reconhecer e dividir as competências, não os objetivos, Como sou otimista acredito no bom senso, na maturidade dos clientes e no reconhecimento da atividade, um caminho longo para ser trilhado junto.

[caption id="attachment_23723" align="aligncenter" width="397" caption="*Edmundo Monteiro de Almeida – Publicitário. Mestre em Comunicação. VP Desenvolvimento Setorial da Ampro. "][/caption]