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Algumas pessoas têm reclamado de minha virulência, outras pedem para eu pegar leve, há também quem ache que eu devo seguir com meus textos insurgentes. É difícil mesmo agradar a todos. Não há unanimidade em nada, graças a Deus! Meus textos não são escritos de caso pensado. Decorrem ou da insatisfação minha com casos vividos in persona ou de fatos ouvidos e contados por amigos e parceiros, criativos, da produção, planners, donos de agência, fornecedores, etc. Não tento ser porta-voz de ninguém. Apenas uso o espaço que tenho e minha posição na Ampro, como diretor da Regional Rio, para falar de assuntos que julgo serem de relevância ao mercado e seus profissionais. Já disse mil vezes que a melhor e a pior coisa desse mercado é a mesma: O CLIENTE. Porque é ele quem viabiliza nosso trabalho. É quem pode nos levar ao paraíso com posições corretas, éticas, justas e ponderadas, com reconhecimento ao trabalho, quando devido, e críticas e até mesmos desejos de não mais seguir conosco, quando erramos, de fato, e somos repreendidos e informados disso. Por outro lado, não há como calar a corja. Os clientes antiéticos, desonestos, despreparados, injustos e levianos. Aqueles que fazem concorrências espúrias para dar a uma agência que desde o início queriam, que levam grana no processo e por isso tendem para algumas agências, que aproveitam o pequeno poder que detêm para serem algozes de produtores, fornecedores e profissionais, porque não são nada em suas empresas, os que têm a cara de pau de pedir descontos para pagar em 90 dias ou mais ou que reclamam de agências receberem fee. O que querem? Que trabalhemos de graça, que sejamos escravos seus? Se querem isso, se acham que cobramos muito, que estamos com valores e percentuais inflacionados, fácil resolver. Baixem os preços de seus produtos, melhor congelem-nos (cigarros, produtos de beleza, gasolina, diesel, produtos de limpeza, tecnologia, minério, bebidas e refrigerantes, biscoitos etc. O povo, os produtores, os criativos e o mercado estão inseridos nele e vão adorar. Quem sabe não congelem seus valores?). Ah!, aproveitem e peçam a seus empregadores que os paguem em 120 dias pelo trabalho prestado no mês, melhor, adiantem o dinheiro que eles vão usar para lhes pagar pelo trabalho e os recebam, sem juros, 120 dias depois. Isso, todo mês, tá. Que foi? Não gostaram não? Acharam injusto? Um absurdo? Se acham, porque vocês, senhores profissionais de Marketing, Compras e Suprimentos de empresas acham que para nós, para o nosso mercado, isso é supernormal, mas para vocês não? Essa é a questão. A indignação que me leva aos textos duros. No Rio de Janeiro, pelo menos, quatro grandes agências fecharam as portas. Umas dez passam por problemas sérios de sobrevivência. Vários profissionais de criação estão sem emprego. O trabalho está começando a ficar centralizado, e, além disso, as agências de Comunicação estão fazendo o nosso trabalho de maneira tosca, às vezes, contratando qualquer um. Alguns produtores ainda não se deram conta da crise, porque conseguem, como freelas, trabalhar ainda e ganhar uma graninha legal. Acontece que, sem o ônus dos custos de impostos altíssimos que são arcados por quem se atreve a contratar profissionais para seus quadros fixos, essa prática virou moda. Mas, até quando? Alguns deles, inclusive, pensam que esse problema não é seu. Enganam-se. É de todos. Porque, rapidamente vai chegar o dia que os seus salários vão cair por tudo que disse acima, assim como caíram os da criação, e vai sobrar muito pouco a se pagar a profissionais qualificados e experientes. O cliente, que hoje já faz a criação, vai, aos poucos, colocar os seus funcionários e amigos para produzir. Escrevam! A hora da mudança é essa. Devemos pensar em conjunto para sermos fortes. Precisamos estar unidos. O Sindlive não chegou por acaso. Estar na Ampro e nele será o diferencial e o mote para dizer não. Associem-se! Individualmente ou com suas agências. Ah!, e os meus textos continuarão assim, assado. Duros e invocados, enquanto o meu trabalho for colocado em risco por idiotas sem formação ou qualificação. Enquanto a maioria dos clientes forem ruins, porquinhos, eu vou dar valor aos cisnes. De burros o mundo está cheio. Mas também posso falar de amor, filosofar ou, quem sabe, didatizar meus textos se o pessoal quiser. Quer ver: Vem suave presença da esperança e me leva aos olhos a bonança (romântico). Porque o homem é indiferente ao que não sente na pele (filosófico) e dois e dois são quatro mesmo (didático). Mas bellow ainda é a PQP (olivando) e quem não gostou, só sinto... (euzinho fofo). É, sou desses. O que fazer? Desculpa aí!