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Além de livros e discussões sobre literatura, uma provocação foi lançada furante o FestiPOA Literária, evento que ocorreu em Porto Alegre entre os dias 21 e 25/05. A organização do festival apresentou um projeto para a criação de uma biblioteca pública na Orla do Guaíba, adjacente ao Parque Marinha do Brasil, na Zona Sul. O local se enquadraria dentro das Diretrizes Urbanísticas para a Orla do Guaíba, documento lançado em 2003 pela prefeitura, que prevê a revitalização da área. O "Experimento para uma biblioteca pública em Porto Alegre", criado em colaboração com o Octo Coletivo e Arquitetura Empática, propõe uma reflexão para possíveis planos de criação de um prédio contemporâneo.

Imagem: Divulgação/FestiPOA.
[caption id="attachment_398130" align="aligncenter" width="533"] Perspectiva da biblioteca apresentada durante o FestiPOA.[/caption]   Inspirada nos cafés literários localizados em parques do Chile e nas bibliotecas-parque de Bogotá e do Rio de Janeiro, o conceito sugerido trata a biblioteca como um espaço multifuncional, com acervo acessível, que permite a integração da linguagem escrita a espaços de lazer e cultura. “A proposta é reivindicar, discutir e pensar sobre uma biblioteca pública para a cidade, que possibilite acesso à população. O projeto urbanístico do Parque Marinha e o FestiPoa promovem a deflagração de uma campanha, para que se pense em um local que tenha um horário acessível, que seja em um espaço público de grande circulação”, explicou ao G1 o idealizador e produtor do FestiPoa Fernando Ramos. Conforme o plano urbanístico da área, o Parque Marinha do Brasil poderia receber a construção de um píer às margens do Guaíba com um espaço de lazer e cultural. No experimento do FestiPoa, os idealizadores da ação sugerem a abertura de um canal de comunicação para organizar um laboratório colaborativo de ideias, sugestões e participação onde a proposta da biblioteca possa ser discutida e, futuramente, viabilizada. As áreas da orla que integram o recorte do plano urbanístico incluem desde a Usina do Gasômetro, no Centro, até o fim da Avenida Diário de Notícias, na Zonal Sul. São oito áreas de aterro. A proposta de Ramos é que a iniciativa da obra possa partir tanto de empresas privadas, quanto do setor público. Embora Porto Alegre abrigue a Biblioteca Pública Estadual, o produtor aponta que os perfis dos espaços culturais são diferentes. “É uma biblioteca centenária, que atende um perfil de usuário, tem um outro tipo de acervo. Com certeza é a biblioteca mais importante da cidade”, ressaltou. O projeto proposto, no entanto, permitiria espaços mistos, de tecnologia e livros. “A tecnologia é um acesso muito importante, mas é uma das maneiras de se estar perto de um acervo cultural, literário, de um tipo de leitura. Uma biblioteca pode possibilitar outras maneiras. É um espaço de encontro e convivência, de troca”, completou Ramos.