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Colocando a mão na massa

Grandes movimentos são possíveis por intermédio de campanhas bem elaboradas. Mensagens inteligentes educam e orientam os consumidores quanto as práticas mais responsáveis. Mas não é só na mensagem que precisamos pensar na hora de criar campanhas. Os veículos e as ferramentas que serão utilizadas também podem fazer grande diferença. A cadeia de fornecimento utilizada pode fortalecer ou arruinar uma estratégia de comunicação mais sustentável. Pode parecer exagero, mas é necessário analisar como trabalham os fornecedores que contratamos. A ideia, no limite, é evitar escândalos como as denúncias da Zara e da Nike relacionadas a trabalho quase escravo e trabalho infantil. Não é preciso ir tão longe, de nada adianta contratar uma caçamba que recolhe o seu lixo e o descartar na margem de rios ou em terrenos particulares. Para falar de cadeia de fornecimento e colocar todos os leitores na mesma “página”, é importante introduzir o conceito de externalidade e mostrar algumas ferramentas com as quais podemos medir os impactos gerados. Externalidades Externalidades são os malefícios, os impactos negativos advindos de nossas atividades, então podemos dizer que externalidades são: o resíduo que deixamos na produção e realização de uma campanha, resíduos da montagem de cenários para gravação, o lixo gerado pelo sampling, os gases eliminados pelos carros que fazem o transporte de atores, promotores e outros profissionais, a água que utilizamos ao imprimir materiais gráficos, etc. Impactos diretos são aqueles causados pela realização da atividade em si, a campanha, ou a blitz, ou a gravação de um filme, exatamente aqueles que mencionei acima. Impactos indiretos são aqueles gerados, por exemplo, com o deslocamento de convidados para uma feira ou de visitantes atraídos por uma Copa ou Olimpíada. Existem ainda os impactos induzidos que são gerados, por exemplo, pela construção dos estádios e da infraestrutura para receber estes visitantes. São níveis diferenciados de preocupação e quanto mais nos distanciamos dos impactos diretos mais complexa fica a conta. Toda esta discussão que parece meramente filosófica pode ser traduzida em números. Para cuidar deste caminhão de informações, monitorar e gerenciar estas questões, é preciso ter à disposição metodologias, indicadores e métricas. Existem diversas maneiras de medir os impactos de nossas atividades. A primeira e mais frequente é a Pegada de Carbono. Pegada de Carbono Carbono equivalente (COeq) é uma unidade que exprime a quantidade relativa de seis tipos diferentes de gases chamados gases de efeito estufa (GEE) definidos pelo Protocolo de Kioto. São eles: o Dióxido de Carbono (CO2); o Metano; o Óxido nitroso; os Perfluorcarbonetos; os Hidrofluorcarbonetos; e o Hexafluoreto de enxofre. A  poluição dos últimos duzentos anos tornou a camada de gases existentes na atmosfera mais espessa. Essa camada impede a dispersão da energia luminosa proveniente do Sol, que aquece e ilumina a Terra e também retém a radiação infravermelha emitida pela superfície do planeta. O efeito do espessamento da camada gasosa é semelhante ao de uma estufa de vidro para plantas, o que originou seu nome. Muitos desses gases são produzidos naturalmente, como resultado de erupções vulcânicas, da decomposição de matéria orgânica mas nossas atividades também geram quantidades relevantes destes gases. Existe uma polêmica a respeito da nossa real responsabilidade em relação ao aquecimento global e as mudanças climáticas mas, independente disso, é óbvio que não podemos respirar ar impregnado de enxofre, gás carbônico ou metano, porque morreríamos, certo? Então nosso objetivo deve ser poluir menos para respirar melhor. Para calcularmos o carbono equivalente é necessário sabermos o poder destrutivo das moléculas de cada gás do efeito estufa. Este conceito é conhecido como Potencial de Dano Global (em inglês Global Warming Potential – GWP). O COé o menos danoso destes seis gases, entretanto, é o mais abundante por isso a medida é feita com base nele. O metano é 23 vezes mais danoso que o CO2  – ou seja, um quilo de gás metano equivale a 23 de CO2. Já um quilograma de Óxido nitroso, muito mais nocivo, equivale a 298 kg de CO2. Para fazer inventários e medir a Pegada de Carbono é recomendável buscar uma empresa que utilize o protocolo GHG. O GHG Protocol foi originalmente desenvolvido nos Estados Unidos, em 98, pelo World Resources Institute (WRI) e é hoje a metodologia mais usada mundialmente pelas empresas e governos para a realização de inventários de Gases Efeito Estufa. A pegada de carbono, ou seja, o inventário, pode ser feito para qualquer coisa desde a produção de um simples um folheto, um evento ou uma campanha inteira até a operação geral de uma empresa. O interessante deste processo é que se pode identificar qual é a etapa crítica em relação a emissão de COeq e atacá-la diretamente. Então, ao fazer inventário das suas campanhas de ponto de venda, podemos detectar por exemplo que a distribuição de material promocional é a etapa que mais emite COeq e podemos agir escolhendo outras maneiras de transportar este material, seja via correio, via promotores, podemos atuar mais fortemente em roteirização, pensar materiais que ocupem menor volume e que sejam possíveis de serem montados no local ocupando assim menor espaço e permitindo utilizar veículos mais leves. Outros pontos além do transporte causam grandes externalidades. Um deles é o resíduo, tanto de alimentação como de materiais. Detalharemos este assunto nas próximas publicações. Diante da consciência quanto à emissão de carbono de sua atividade, procure evitar e compensar aquilo que não pode ser reduzido.  Isto pode ser feito através de empresas especializadas em neutralização.