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Por conta da competição entre agências, holdings e países para ganhar Leões, a cada ano, a competição fica mais acirrada no Festival Internacional de Criatividade de Cannes. A pressão sobre os jurados fica mais intensa. O festival terá 40.133 inscrições nesse ano, que serão visualizadas por 366 jurados, que totalizarão 300 mil votos. Então, como o festival pode garantir que essa vasta máquina de prêmios opere de maneira justa? Philip Thomas, CEO do Festival de Cannes, possui um algoritmo para isso. Há três anos, o festival introduziu um sistema para monitorar os padrões de votos de cada jurado, analisando como ele ou ela está votando em comparação com o resto do júri. Verdadeiras ou falsas, alegações de votos em conjunto sempre rondaram os júris de Cannes. “No passado, a questão tinha a ver com orgulho patriótico, então, existiam várias conversas há anos atrás sobre cartéis e blocos de países votando em seus próprios trabalhos.”, afirmou Thomas. “Agora, como os prêmios Network of the Year e o Holding Company of The Year se tornaram mais importantes, o foco mudou para os votos nessas áreas. Essa é a questão que eles tentam resolver com esse algoritmo.”, explica Thomas. O escândalo mais recente foi em 2012, quando o WPP e o Grupo Omnicom trocaram acusações sobre votos em conjunto das holdings que estavam no júri. Cada grupo tinha seis jurados. Sem mencionar nomes, o CEO da WPP Martin Sorrell foi citado na imprensa dizendo que alguns jurados foram pressionados para votar em certas peças. Um executivo da Omnicom afirmou que os jurados da WPP foram “brifados para matar” as peças do Omnicom. Após o festival, líderes das agências se reuniram com os organizadores, e o júri foi reestruturado no ano seguinte. Usando o algoritmo entre os jurados, os dados serão configurados para mostrar se o padrão de votos de um jurado pode ser ligado aos padrões de votos de profissionais de sua rede, holding ou país. Apresentado com um sistema de semáforo de trânsito – com a luz vermelha indicando causa de preocupação – também pode ser calibrado para apresentar a porcentagem de jurados que estão votando fora das regras. Todas as noites, após as premiações terem acabado pelo dia – ou de manhã, se uma sessão se estendeu noite adentro – Thomas olha os dados buscando por anormalidades que possam indicar interferências nos votos. “Uma anormalidade estranha aqui ou ali não é um problema.”, afirmou Thomas. “Porque um jurado não pode influenciar no resultado. O que nós estamos buscando são temas e votos constantes que não estão em ordem com os outros.”, diz. Ate o momento, não houve nenhum incidente envolvendo votos em conjunto contra outras empresas, networks ou países – ou a favor. “Isso nos dá uma grande zona de conforto. A integridade do voto é certamente a coisa mais importante no negócio.”, afirmou Thomas. De acordo com Thomas, os jurados também podem aproveitar o algoritmo: “Ajuda as pessoas que talvez sintam uma pressão para tentar e ajudar sua rede ou holding a ganhar, ou também pode ajudar as pessoas a verem trabalhos conhecidos com novos olhares. Então, ele liberta os jurados para votar independentemente e serem o que nós queremos que eles sejam: filtros dos melhores trabalhos.” Uma segunda medida para encorajar a imparcialidade, introduzida na mesma época que o algoritmo, foi excluir a medida de levantar as mãos no fim da votação por troféus. Esse round agora é feito por iPad. “A maioria (dos jurados) prefere realizar isso em particular, porque você não sofre uma pressão. Imagine sentar em uma sala e a maioria das pessoas coloca as mãos para cima – o instinto humano é levantar a mão também.”, concluiu.

Fonte: Emma Hall, do Advertising Age.