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Marco Garcia Vamos falar de Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. Uma das formas de que um produto dispõe para tornar conhecida sua identidade é o seu logotipo, sua marca, onde a figura criativa deve transmitir ao consumidor sua natureza, seu significado e seus predicados. Porém, uma marca com um layout de grande beleza e impacto não sobrevive se o produto não tiver conteúdo e não conseguir corresponder aos anseios e expectativas do seu público. Para ter sucesso de verdade, a Olimpíada 2016 do Rio de Janeiro precisa ser encarada como um produto, muito mais que uma competição esportiva, afinal é um empreendimento que se tornou uma das maiores oportunidades de comunicação, promoção, negócios e relacionamentos da história moderna do homem. Daí chega-se à conclusão de que a discussão em torno da similaridade da recém-criada marca Rio-2016 com a marca de uma fundação americana (Telluride Foundation) é muito pequena e mesquinha perto do tamanho que terá os Jogos em um País emergente como o Brasil, que pode chegar a 2016 como uma das principais potências econômicas mundiais. A discussão, neste e em qualquer outro momento, deve passar pelo conteúdo deste produto, por seu potencial de negócios, seus benefícios diretos de imagem e desenvolvimento – oportunidade única! – seu plano de divulgação, seus programas sociais. Enfim, são tantas as frentes que devem ser discutidas, preparadas e formatadas, que ninguém deveria perder tempo com especulações que, de concreto, só tiram o brilho de uma marca que, certamente, é a mais bela das já criadas para todas as edições olímpicas até aqui. Temos todos os ingredientes separados e selecionados para um grande cardápio, mas precisamos zelar para que sejam escalados gestores competentes e que entendam que o benefício a ser conquistado não é apenas para 2016, mas para já e para muitos anos depois de 2016. Portanto, o oportunismo e os apadrinhamentos precisam ser fiscalizados e punidos severamente e as propostas de parcerias entre governo e iniciativa privada precisam ser discutidas e formatadas já, imediatamente, pra ontem. Por último, mas não menos importante, há a necessidade de estruturação inteligente das arenas esportivas no Rio de Janeiro para transformá-las em locais fixos nos calendários mundiais de competições, inserindo o Brasil no circuito mundial de grandes eventos esportivos. Cabe ao COB – Comitê Olímpico Brasileiro, ao Governo do Rio de Janeiro, aos ministérios do Esporte e do Turismo, à iniciativa privada e demais órgãos e autarquias que se unam em torno de um único planejamento, pois, se cada um criar seus planos e estratégias de forma independente (o que muitas vezes acontece no Brasil), teremos um produto com uma marca maravilhosa mas sem conteúdo, o que termina por matá-la.

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