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Tem um colega que vez ou outra diz que não reclama mais de crises no país, já que crise significa algo anormal acontecendo. Segundo ele, o país vive há tanto tempo em dificuldade, seja de um tipo ou outra, que o termo crise deve ser usado com menos ênfase. Não sei se concordo (acho que não), mas desde que abri minha primeira empresa ouço sobre a crise. Nasci como empreendedor em momento de crise, e desde lá vivo assim. Para mim, olhando pelo ponto de vista do meu colega e considerando apenas meu histórico como empreendedor, não vivo na crise, mas no país de sempre.

O Silvio Santos, em chamadas antigas do SBT, falava que “na crise se cresce”. Não posso afirmar se ele está certo, mas garanto que na crise nos tornamos mais criativos. Aprendemos a fazer mais com menos. Menos dinheiro, menos tempo, menos estrutura, menos braços e menos opções. Viver num país em crise é como se fossemos bombeiros trabalhando full time, apagando o fogo de um prédio após o outro. Trazendo esta realidade ao nosso mercado, é apresentarmos o dobro de propostas para poder fechar o mesmo número de projetos de antes. Parece ruim, e é. Mas, como acredito, na vida ou ganhamos ou aprendemos. E aqui aprendemos muito.

Um dia os prédios irão pegar fogo com menos frequência, e certamente nesta data teremos bombeiros muito mais treinados, sabedores do que fazer em cada situação. Do nosso lado, teremos aprendido a fazer mais com menos, de forma que quando o menos se tornar mais, o fazer mais será mais ainda. Afinal, estamos vivendo um período de crise, mas que se mistura a um tempo de mudanças e transformação no nosso mercado. Aprender a lidar com este novo cenário é fundamental para quem busca se manter em pé.

No entanto, algo sempre me deixou alerta quanto a crise: a necessidade das marcas investirem ainda mais em ponto de venda (junto a digital, claro). Acredito eu que estamos tão focados na crise e em aprender a lidar com este momento, que esquecemos de mostrar aos nossos clientes que é justamente nesta fase que as marcas devem estar presentes (e bem presentes) dentro dos pontos de venda.

No momento em que o shopper esta com maior dificuldade em colocar a mão no bolso, a força da comunicação face a face com ele deve ser dobrada! Toda e qualquer ferramenta que converse com ele de forma presencial, fazendo com que a mensagem a ser transmitida seja percebida quase que de forma obrigatória, deve ser destacada. As promoções devem saltar aos olhos, e as vantagens (inclusive financeiras) devem ser evidenciadas a quem visita o ponto de venda. No meu ponto de vista, período de crise é período de investir em ponto de venda. Ali a o produto aparece em momento de fechamento de compra. Direto e reto.

A verdade é que se hoje agimos como bombeiros e estamos apagando o fogo sem muito foco, devemos lembrar aos nossos clientes que possivelmente a solução que potencialize suas vendas esteja no ponto de venda. Talvez estejamos, como bombeiros, esquecendo de mirar nossas mangueiras para lá.