Experiência de Marca

Surf: Brasil vive descompasso

É como se o gramado do jogo de futebol estivesse todo esburacado ou com a grama amarelada. A dúvida é sobre qual o valor de termos surfistas no topo e marcas em destaque num ambiente em que a poluição é protagonista e as baterias são disputadas em águas fedorentas?

De que vale atletas campeões e mar poluído no surfe? É com essa reflexão que chega ao fim a etapa brasileira do World Surf League, realizado no Rio de Janeiro.

Os atletas brasileiros que disputam o WSL tem apresentado os melhores resultados de todos os tempos. O resultado de Filipe Toledo no fim de semana confirmou isso. Marcas aproveitaram a onda e os recursos estão fluindo com mais pressão neste mercado.

Entretanto, ao contrário dos demais países que têm atletas na elite do esporte, o Brasil dá um péssimo exemplo quando o assunto são as águas onde as baterias são disputadas. É como se o gramado do jogo de futebol estivesse todo esburacado ou com a grama amarelada.

Fotos: Mario Moscatelli.
Mar na área do postinho, na Barra da Tijuca, onde foi disputado o mundial de surf no Brasil
Mar na área do Postinho, na Barra da Tijuca, onde foi disputado o mundial de surfe no Brasil.

As águas onde foram disputadas as baterias da etapa brasileira do WSL na Barra da Tijuca, representaram uma grande vergonha ao País. Foi um grande contraste a bela estrutura de palanques amarelo vivo ornamentada por estandes e demonstração de produtos de luxo, áreas VIP e milhares de pessoas na torcida com a água turva e e fedorenta no local onde os atletas procuravam ondas e notas para o campeonato.

Responsáveis pelos órgãos ambientais alertavam, na véspera do evento, sobre as condições da região, que, estranhamente, foram rechaçadas pelo experiente surfista Teco Padaratz. O Globo.com registrou a situação. Veja aqui.

Mesmo com água poluída, mundial de surf foi realizado na barra, expondo surfistas e preservando patrocinadores
Mesmo com água poluída, mundial de surfe foi realizado na Barra, expondo surfistas e preservando patrocinadores.

Confirmando os alertas, a qualidade da água foi tão ruim, que o multicampeão Kelly Slater passou mal e ficou de cama, tendo seu desempenho esportivo prejudicado.  O campeão Filipe Toledo também passou mal mas não quis atribuir categoricamente às condições da água.

Certamente isso deve-se a cerceamento da organização que faz com que os surfistas não se manifestem abertamente sobre a poluição. Mas as entidades ambientalistas estão atentas e destacaram o fiasco. Um grupo deles realizou na manhã do domingo um protesto contra a falta de tratamento das águas das praias do Rio de Janeiro.

Membros dos movimentos “Golfe Para Quem?” e “Ocupa Golfe” mobilizaram o público presente a escrever mensagens sobre o problema em cartazes e dialogar sobre a questão.

Conhecidos por promover manifestações contra a construção do campo de golfe dos Jogos Rio-2016, que virou alvo de duas ações judiciais, os grupos estendem mensagens como “Crimes estão conectados”, “A vida pede socorro” e outras relacionadas ao empreendimento olímpico.


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“Pela minha experiência, vi que a arte é um bom meio de trazer atenção e sensibilizar a sociedade. O objetivo desta intevenção artística é dar destaque para a qualidade da água, da biodiversidade e ao crime que está sendo cometido no campo de golfe. O que se passa no Rio é um desrespeito à vida, uma vergonha para um país que vai sediar uma Olimpíada.”, destacou o carioca Pedro Cunha, membro dos dois movimentos.

Durante a semana, nomes como Filipe Toledo, que se classificou à final ao bater Ítalo Ferreira, por 15,93 a 6,34, e o americano Kelly Slater admitiram terem se sentido mal. O primeiro chegou a relacionar o problema à condição das águas, mas depois preferiu evitar o assunto. No feminino, também houve quem notasse a sujeira.

“A água está um pouco turva. Cheguei a ficar doente no ano passado, mas esse ano estou bem. Ouvi que algumas garotas passaram mal. Notei muito lixo na praia, isso é muito prejudicial para os animais que vivem na água. Não é legal ver plásticos no mar.”, disse a australiana Tyler Wrigh,

Nós reconhecemos o esforço das famílias destes atletas brasileiros que estão no topo, a maioria apoiada por grandes nomes do surfe de décadas atrás, que esperavam esta hora chegar. Eu, que nunca subi numa prancha mas que fiquei arrebatado pelo esporte desde que assisti ao Hang Loose Pró em 1986 na Joaquina, esperava este momento. Só que não em um mar que causa danos a saúde dos competidores.

Desde aquela época sou convicto que o produto surfe tem como atributo intrínseco a natureza em sua plenitude. Realizar um evento em águas fedorentas é algo que não combina e a situação fica pior quando diretores de marketing com visão obtusa em relação ao assunto liberam verba a colocam seus produtos em exposição ali. Talvez eles pensem que lá da areia não dá para sentir o mau cheiro da poluição, e daí tudo bem, tudo certo…

É aquilo que podemos chamar de #megafail

Filipe Toledo Vence Impulsionado Pela Torcida

A manhã de domingo (17/05), começou sem muito barulho no Postinho, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Mas foi só Filipe Toledo entrar na água para sua bateria que a torcida começou a gritar. Muitos ergueram bandeiras do Brasil.  Especialista em ondas mais baixas, ele não teve problemas para dar o troco no oponente, Bede Durbidge  e garantir o título da etapa e a segunda colocação no ranking.

Fotos: Divulgação.
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Filipe Toledo conquista etapa brasileira da WSL.

“Fico realmente mais à vontade em condições adversas, me encaixo melhor nesse tipo de onda. A prancha estava andando muito, e tive a torcida e a família ao meu favor. Estou representando o Brasil, que era o que o Mineiro mais queria. Vencer esta etapa foi umas das melhores sensações da minha vida.”, disse o brasileiro.

A etapa brasileira do Mundial de Surfe consagrou Filipe Toledo como novo ídolo no cenário do surfe nacional, contou com uma ajudinha extra: a “Torcida Brazilian Storm Pier”.

Fotos: Divulgação.
Promotoras em ação no Mundial de Surfe.
Promotoras em ação no Mundial de Surfe.

Produzida pela Seidl Hard Promo para a agência Neurônios S/A, a ação consistia na utilização de promotoras-torcedoras uniformizadas para distribuição de apitos, camisetas e canetas entre os presentes no evento.

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Com este resultado o Brasil segue no circuito mundial com dois representantes nos dois primeiros lugares do ranking mundial. Adriano Mineirinho de Souza lidera, agora seguido por Filipe Toledo.