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Tá sobrando pro produtor e tá faltando pro produtor


10 de Fevereiro de 2020

Reflexão justificável de Veri Antonelli, produtora de Campinas, me traz de volta ao texto para falar do personagem mais importante de um evento: o produtor.

Depois do Produtores Promoview, primeiro prêmio exclusivamente para produtores, criado por Julio Feijó, Ariane Feijó e eu, aqui no Promoview, na busca insana de mostrar quem são os produtores, o que fazem e dar-lhes visibilidade e reconhecimento, quase nada mudou.

Antes do Produtores Promoview, nenhuma premiação tinha, ou quis tê-lo - porque antes de fazermos sozinhos propomos a alguns prêmios a categoria –, argumentando que premiar um case ou agência já era premiar um produtor. E eu argumentei que se era assim, não precisava premiar planner, criativo, atendimento...

Nada disso. 

Desde aquela época, o produtor era tido como o carregador de piano. Alguém “trocável”, sem talento. Enganaram-se longe.

Aí, meu texto: “Sem o Produtor a ideia é nada”, onde como planner criativo, assumi que a quase totalidade de meus prêmios como criativo eram devidos a grandes produtores com quem trabalhei e casei, deu uma mexida em gente.

Sim, casei, pois a Val Coelho, minha esposa, é produtora, das boas. E, por isso, é uma tremenda profissional em tudo que faz.

Mas, voltando à Veri. Ela colocava o desrespeito remunerativo com o produtor e aqui coloco um fragmento de seu belo texto:

“...Que susto que estou tomando a cada vaga que abre na área de eventos (para produtores). Em menos de 7 dias, me deu desespero! Sério! Gente, o que está acontecendo? Só pode ser brincadeira ou querem acabar com a profissão de produtor de eventos? É isso? Será que, quem define esses valores tem noção do que faz um produtor na real? Já vi de 1.100,00 até 3.000,00 bruto por mês! Pacotes surreais! Exigindo inglês e espanhol fluentes. O QUE ESTÁ ACONTECENDO???”

Muitas respostas justas surgiram, e eu resolvi ajudar chamando a atenção para duas coisas. Respondi:

O que está acontecendo é que os clientes exploram agências, que exploram fornecedores, que exploram gente, isso para baixar valores a fim de ganhar???? O Job...

Ou seja, a escrotidão do cliente que quer ganhar dinheiro da agência atinge o profissional de produção, na verdade, toda a agência.

Mais, tem cliente que se acha produtor porque faz festa em casa, tolinho. E, a partir de sua tosca experiência, não valoriza produção 

Continuei;

Quando é um freela, é pior, pois vem um outro “produtor” (será?) e ferra o coleguinha, cobrando menos, porque pensa: preciso trabalhar.

As duas práticas práticas, antiéticas, não se justificam. A primeira mina e mata a “galinha dos ovos de ouro” a agência; a segunda, deixa a impressão de que o produtor pode ganhar pouco, pois é facilmente substituído.

Ou seja, é daí pra baixo.

Produtores como a Veri, Val, Gui e muitos outros, a maioria, diria, qualificados, preparados, múltiplos, cultos e geniais, perdem espaço para gente desqualificada e a remuneração despenca.

Mas quem perde, de fato, é o cliente e o mercado.

Insisto:

Sem o produtor a ideia é nada!

E vou mais longe.

Como o barato sai caro:

“Com produtor meia boca o evento é uma bomba... prestes a explodir.’

Saia de perto dessa gente!

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