Geral

Treino é treino e jogo é jogo


13 de Fevereiro de 2020

Na sua vida profissional você treina ou joga/compete mais?

Parece não ter sentido a pergunta, afinal, nem todos são jogadores, competidores e participam de um verdadeiro game, não é? Será mesmo?

Quando olhamos a verdadeira comoção que a partida prematura de Kobe Bryant e sua filha Gianna gerou no mundo, muitos questionarão a necessidade de um tema tomar tanto tempo das pessoas, outros se debulharão em lágrimas pelo acontecido, mas a consternação geral esconde um forma de justiça tácita coletiva: que desejamos a vida na sua plenitude para quem passar uma positividade, tem sucesso e nos inspira como exemplo, enquanto certamente gostaríamos que uma lista razoável de pessoas já tivessem se encaminhado para o andar de cima ou para o andar de baixo, tal seu grau de maus exemplos.

E é justamente de bons e maus exemplos que eu gostaria de falar hoje, pois o Kobe não está aqui apenas como uma forma de homenagem ao jogador e Ser humano que foi, mas por representar uma classe de profissionais que têm na dedicação técnica, empenho nos treinos e no foco completamente direcionado a objetivos, metas, e, principalmente, vitórias, o seu grande diferencial.

Isso não é uma característica apenas deste incrível jogador de basquete, a vemos em qualquer profissional que tenha numa forma de “obstinação por vitórias e sucesso” um de seus grandes diferenciais.

E aqui começa o #MTT (MondaytoThank) de hoje para aqueles que nos inspiram, como o próprio Kobe Bryant, Bill e Melina Gates, Steve Jobs, Elon Musk, Mark Zuckerberg, Jeff Bezos, Flávio Augusto, Warren Buffett, Richard Branson, Abilio Diniz, João Adibe, Guilherme Benchimol, Andrea Salgueiro Cruz Lima, Dani Cachich, Luiza Helena Trajano, Chieko Aoki, Cristina Junqueira, Laurene Powell Jobs, Roberta Medina, Roberta Ramalho, Kylie Jenner, Susanne Klatten, Alice Walton, Oprah Winfrey e muitos outros.

Também a vemos em inúmeros esportistas, em especial e com um sonoro #MTT para Oscar Schmidt, Ayrton Senna, Michael Phelps, Guga, Hortência, Maurren Maggi, Marta, Daiane dos Santos, Ana Moser, Magic Paula e os grandes técnicos brasileiros de voleibol Bernardinho e José Roberto Guimarães, entre outras tantas histórias de sucesso e vitórias, inclusive de atletas comandados ou inspirados por eles.

Entre aptidão nata, biotipo específico, mente forte e uma profunda disciplina, uma coisa sobra nestes profissionais, e isso tem tudo a ver com qualquer tipo de profissão ou profissional: eles treinam mais do que competem e isso faz uma grande diferença.

Eles estudam, fazem cursos, têm apoio de profissionais que os auxiliam a estar mais fortes para sua posição e tarefas, e mantém muita disciplina consigo mesmo.

Dê uma olhada nas fotos destas pessoas e veja fisicamente se elas não transpiram energia e bem estar em lugar daquela boa e velha cara de cansado e de alguém que não aguenta mais.

Quantos quilômetros um piloto de F1 ou um corredor do atletismo percorrem antes de cada corrida ou prova? Quantas cestas um jogador de basquete faz em treinos antes de uma partida? Quantas piscinas um nadador percorreu antes da sua prova de 100m? E quantos livros, textos, palestras, aulas, terapias, mentorias, coachings ou até mesmo um bom e gostoso bate-papo você teve antes de cada novo projeto, desafio ou job? Quantos minutos de break ou intervalo você se deu entre reuniões para assuntos diferentes ou o novo projeto que acabou de chegar?

É neste treino físico, técnico e tático, corrigindo detalhes, assistindo vídeos dos concorrentes e de si próprio, com o apoio de vários profissionais e de diferentes disciplinas, estudando, lendo e passando por uma profunda consciência do seu estado como pessoa, atleta e profissional, que o preparo para uma partida de 90 minutos, um jogo de 4 tempos de 15 minutos ou uma corrida de 90 minutos se equivalem à chegada de mais um novo trabalho e volto a perguntar: Como você se preparou para isso?

Profissionais e atletas de sucesso treinam muito, mas muito mais do que competem e quanto mais fazem isso, melhor ficam, mas e nós?

Será que não estamos competimos exatamente todos os dias, de manhã até a noite. Praticamente não tendo treino, espaço, break ou intervalo.

A gente sai de uma “partida” e entra em outra, participando de várias “competições” ao mesmo tempo, competindo em um “jogo” pensando em outro, não dormindo preocupados com a “corrida” do dia seguinte, e, no fim, o que temos? Um corpo e uma mente exauridos, levados ao extremo de nossa capacidade em competir na exigência do mercado em mantermos um altíssimo nível por um tempo superior a de qualquer mega-atleta campeão tenha tido.

Na lista de dicas dos maiores empreendedores, investidores ou empresários de sucesso você vai encontrar: ler livros (se preparar a partir de informações e estudo), dormir o suficiente (se preparar para o desafio “zerando o corpo”), acordar cedo e praticar uma atividade esportiva (se preparar fisicamente) e alguns ainda incluem a meditação (se preparar mentalmente) ou qualquer processo mental para ajudar também.

Quantas destas coisas praticamos todos os dias ou com certa frequência?

Na realidade, a gente vai ao acumpunturista ou massagista quando a cervical ou a lombar estão gritando, nos matriculamos na academia quando as roupas não ficam mais confortáveis e a nossa consciência bate implacavelmente, começamos a yoga ou a meditação depois de surtarmos, começamos a dormir depois de desligar a TV e tomarmos uns remedinhos e a pilha de livros que aguardam um download na cabeceira da cama, têm normalmente apenas suas primeiras páginas como realmente lidas.

Ao aceitarmos o peso de sermos atletas de qualquer esporte ou profissão que não saem do campo de jogo, estamos abrindo as chances de nos contundirmos com maior frequência, não correspondermos às expectativas todos os jogos, não ganharmos com a frequência que gostaríamos, começarmos a não achar que o ambiente do time é tão bom quanto era, iniciarmos um processo de autocrítica impiedosa, deixarmos de lado outras coisas importantes da vida, buscarmos subterfúgio e indulgência no consumismo para nos premiar, e, infelizmente, começar a encontrar uma infelicidade naquilo para qual fomos (pouco) treinados a vida toda.

Vale aqui uma superprovocação do quanto não precisamos nos reciclar, nos dar um upgrade, expandir nossos conhecimentos, nos abrir ao novo, aceitar que precisamos aprender novas coisas e jogarmos fora alguns arquivos do “nosso HD” para instalar novos programas, pois como se diz “A vida de atleta tem idade para acabar”, e tem uma galerinha aí chegando cheia de gás e que com o mindset que resume a máxima de que “Treino é treino e jogo é jogo”. E nós, estamos treinando ou competindo mais?

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