Decreto liberaliza ingredientes para produção de cerveja

01/06/2019


A adição de corantes e outros ingredientes marca um novo capítulo na disputa pelo mercado brasileiro de cervejas.

decreto cervejaRecentemente, um decreto do governo brasileiro suspendeu diversas restrições para produção da bebida alcoólica preferência nacional. Com a nova lei, foi liberado o uso de vários corantes e também a adição de produtos de origem animal, por exemplo. 

O decreto é uma grande faca de dois gumes. Ele possui pontos positivos para quem curte saborear uma cerveja diferente e também para quem produz essas bebidas, mas também pode acarretar uma concorrência desleal, já que as grandes produtoras devem baratear ainda mais o custo de seus produtos.

O Brasil fechou o ano passado com 889 cervejarias em operação. Nessa soma estão apenas as que têm fabricação própria, portanto se somadas as ciganas (que usam instalações de terceiros) a quantidade é bem maior. Os números fazem parte do Anuário da Cerveja no Brasil 2018, divulgado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Segundo a publicação foram concedidos aproximadamente 6,8 mil registros de produtos para cerveja/chope, 210 novas fábricas foram abertas, ou seja, a cada dois dias uma cervejaria abriu as portas no país. No ranking dos municípios com mais estabelecimentos, Porto Alegre está em primeiro lugar. São 35 cervejarias registradas na cidade.

Imagine o acirramento desta disputa diante do novo decreto. Pelo que vimos nas redes, as reações de quem produz cerveja artesanal ficaram equivalentes.

Alguns donos de cervejarias comemoraram a flexibilidade na lei que era muito restritiva para o pequeno fabricante por algumas questões, principalmente na hora de registrar produtos. Existia uma classificação antiga de cerveja leve, forte, extra, que estava um pouco defasada. Não existia a classificação de hidromel, cidra, de muitos destilados e que meio que foram condicionadas lá. Com isso as pequenas cervejarias poderão abusar de outros sabores e da adição de produtos de origem animal, como mel e leite, já que antes, bebidas com esses produtos não eram consideradas cervejas.

Para quem não viu com bons olhos, o motivo é a desconfiança com o governo. Estes microempresários entendem que não tem sentido de uma hora pra outra o governo mudar isso aparentemente para o pequeno produtor. Está tendo muita conversa e análise. Quem analisou o texto do decreto com mais atenção diz que parece que ele foi feito para cativar o pequeno produtor, mas às vezes pode beneficiar mais as grandes. 

cerveja decreto

O ponto problemático do decreto é que ficou muito aberto: não diz quais corantes podem ser usados ou a quantidade. Um dos desconfiados microcervejeiros resumiu: "Imagine que uma das marcas populares de cerveja vá vender a bebida dizendo que ali tem laranja. Para isso, pega um extrato sintético que é usado na produção de balas, pinga duas gotinhas lá dentro e pronto, coloca no rótulo que é cerveja com laranja. O pequeno produtor quando quer usar alguma fruta tem todo um processo de colheita, desidratação e tratamento da casca. Na prática, o custo de produção e o valor de venda serão bem mais baixos para a grande cervejaria".

E o consumidor? Sofrerá com uma explosão de corantes e outras adições que prejudicarão ainda mais a qualidade das marcas populares? Ainda é difícil responder. Na prática, pode ser que não mude nada. As grandes cervejarias podem continuar fazendo o que elas fazem e as pequenas também. Mas, se aumentarem indefinidamente o uso de corantes e outros aditivos, isso pode fazer mal ao organismo de quem sustenta a indústria. Sem contar os agrotóxicos e os abomináveis cereais não maltados...

Só que sabemos como funciona o jogo: se tem como baratear para conseguir mais lucro, o olho gordo do mercado brilha. Resta aos meros mortais e apreciadores ficarem atentos, já que é na boca e no corpo que vem os efeitos dessas mudanças. Você também tem a opção de viver pensando que o livre-mercado e as promessas de grandes cervejarias são completamente confiáveis; , mas até aí, azar o teu, colega.

Fonte: Redação

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