A gente não sabe de tudo, não

21/11/2018


Tenho empresa de inteligência desde 2013. Inteligência, de forma prática, é uma empresa que entrega planejamento estratégico/posicionamento de marca e pesquisa de mercado e consumo para agências e clientes. Assim, convivo com pesquisas o tempo todo, e cada dia que passa entendo porque médias e grandes marcas sempre fazem uso delas.

Ocorre que neste tempo todo de trabalho, atendi dezenas de empresas e agências de publicidade. Gente querendo saber melhor o que pensam seus clientes, melhor forma de premiar suas equipes, maneiras de potencializar jornadas de compra e drive do shopper. Agências buscam isso? Sim, e muito!

Agências de publicidade têm como premissa a pesquisa e o entendimento do seu cliente. Precisam disso para embasar projetos e concorrências. Convivendo com algumas delas, entendi o porque clientes as valorizam. Elas evidenciam o que criam com pesquisas, e não somente com “tende a funcionar”. Não cito nomes aqui, mas talvez 30% dos nossos clientes de pesquisa até hoje tenham sido agências.

Mas... E as de live marketing? Não, estas aparecem pouco. Para não ser injusto, posso dizer que em cinco anos devo ter enviado propostas a umas cinco agências, sendo duas fechado negócio. Tô aqui pedindo cliente? Não. Tô evidenciando o quanto nosso setor de live marketing (de onde vim) ainda tem muito a potencializar seu trabalho fazendo pesquisas de mercado.

Claro, eu sei, existem agências que fazem uso de pesquisas com outras empresas, bem como outras que fazem elas mesmas suas pesquisas. Fico feliz com isso. Significa que o entendimento mais aprofundado de público é importante para elas. Afinal, para gerar experiências que marquem o consumidor, é importante saber quem ele é.

É miopia e ingenuidade, minha e sua, imaginar que conhecemos tudo, que sabemos tudo. O consumidor se transforma diariamente. Por alguns meses um grande varejista nos procurou para realizar pesquisas semanais na modalidade sala de espelho.

Toda semana perguntando quase a mesma coisa a um grupo de consumidores. As respostas eram quase sempre as mesmas, mas ainda assim os grupos aconteciam. O cliente não desistia: sabia que de uma hora pra outra a percepção do público poderia se transformar e ele precisava estar preparado para isso.

Marketing, publicidade, live marketing, digital e eventos são mais que ferramentas. São modalidades que dependem da percepção dos seus criativos quanto ao que o mercado e seu público buscam. Por isso, pesquisa é fundamental. Seja sala de espelho, entrevistas em profundidade, desk research ou qualquer outra, não importa. Entender o consumidor por meio de um olhar ainda mais profundo não é superfial. É nosso trabalho.