Shows de MPB invadem o Rio

18/12/2017


Um encontro para além de gerações e públicos. Guiado pela amizade e pelo encantamento com a música. Isso traduz a parceria entre Milton Nascimento e Tiago Iorc, que resultou na gravação do single 'Mais Bonito Não Há' e na turnê de mesmo nome, que se encerra com um show no Vivo Rio, no Parque do Flamengo.

E Milton comenta o surgimento da dupla. "Quando nos conhecemos, Tiago passou a vir com mais frequência para minha casa, aqui em Juiz de Fora. E entre uma visita e outra, junto com meu filho, Augusto, começamos a pensar em fazer um trabalho juntos", lembra. "Primeiro, fizemos a música, depois um videoclipe e depois organizamos essa série de shows".

O que o trabalho de artistas separados por mais de 40 anos no tempo tem em comum? Para Milton, não existe essa separação: ele acredita na comunhão que a música promove. "Nosso trabalho se inicia na amizade. A partir disso, qualquer coisa se torna mais fácil", observa. "Independentemente de idade, geração, nosso público tem o amor pela nossa música. Isso sim é o principal. E Tiago e eu falamos a mesma língua, a música!"

Sozinhos no palco com seus violões, os cantores misturam canções de 'Troco Likes' (trabalho mais recente de Tiago) com algumas das músicas de Milton que marcaram época como 'Travessia' e 'Nos Bailes da Vida', com arranjos inéditos. Tiago conta que o formato mais íntimo foi escolha dele. "Sinto o show como o encontro de dois amigos, que se uniram para fazer um som. Embora tenha existido bastante esmero na escolha do repertório", diz. Iorc revela que a conexão entre os dois foi imediata. "Fiquei sabendo que Milton queria me conhecer. Corri para o telefone e liguei. Pedi para que escrevesse a primeira frase que viesse à cabeça", recorda. "Minutos depois, recebi a foto de um caderninho de anotações com a frase: 'nada mais bonito que o olhar de uma criança'. Disso veio a vontade de fazermos algo juntos", confidencia. Ele garante que, criativamente, os dois têm muito mais em comum do que se imagina: "Quando estamos fazendo música, vejo duas almas de criança se divertindo".

Tiago comenta ainda a influência de Bituca. "Autenticidade é algo muito raro e Milton é uma dessas raridades. Ninguém faz música como ele. Das melodia às harmonias, nada é trivial. Isso, por si só, já é muito inspirador". Satisfeito com o momento, o cantor conta mais um sonho que deseja realizar: "Trilha para cinema. Sou apaixonado por isso".

E não é só Milton Nascimento. Tem mais duas crias da época dos festivais e do começo da MPB (é a sigla para designar a música brasileira pós-bossa nova, afinal) que promovem neste fim de semana um encontro de gerações. Gal Costa e Gilberto Gil juntam-se novamente a Nando Reis e dão ao público carioca a última chance de assistir ao show ‘Trinca de Ases’. Vai rolar amanhã na Fundição Progresso. Depois, só turnê internacional - o trio vai, entre março e abril, para Portugal, França, Itália, Suíça, Luxemburgo e Israel.

A reunião do trio foi realizada pela primeira vez em 2016, em Brasília, numa homenagem ao centenário de Ulysses Guimarães. “A química deu muito certo. Conversamos sobre prolongar o encontro e transformar o projeto em algo maior”, recorda Nando. Gal, também envolvida com o lançamento do DVD ‘Estratosférica - Ao Vivo’, diz que foi tudo bolado rápido, como num encontro de craques.

“Gil já é um parceiro de longa data, um irmão. Nos entendemos de uma forma única. E com o Nando foi uma adaptação muito rápida. Ele tem um entusiasmo que nos motiva mais ainda, curte estar com a gente no palco, admira nosso trabalho. Quando resolvemos que tínhamos que transformar aquele show em turnê, fomos organizar nossas agendas, decidir repertório e ensaiar”, recorda a cantora.

O repertório de ‘Trinca de Ases’ não tem mudado. “Incluímos apenas ‘Pérola Negra’ no dia da morte do Luiz Melodia e ficou tão linda que decidimos deixar”, conta Nando.

O ex-titã homenageia o encontro com ‘Dupla de Ás’, Gil também o faz com ‘Trinca de Ases’, e os dois trazem ‘Tocarte’, feita em parceria, para o repertório. ‘Baby’, de Caetano Veloso, ressurge na voz de Gal. E todos dão toques especiais a músicas de Gil como ‘Meu Amigo, Meu Herói’, ‘Luar’ e ‘Nos Barracos da Cidade’.

E de Nando, como ‘Dois Rios’ (parceria com Lô Borges e Samuel Rosa, transformada em sucesso pelo Skank), ‘All Star’ e ‘O Segundo Sol’. Como o trio já deixou claro em entrevistas, não é “Gil e Gal feat. Nando”. Os três estão em pé de igualdade ali, no palco. E para Nando, trata-se de um assombro tão imenso quanto que cita na letra de ‘O Segundo Sol’. “Eles são dois dos responsáveis pela minha formação. Fico emocionado de ver a Gal cantando uma música minha ou de ver a forma como Gil compõe. Eles fazem parte da minha história”, conta o autor. 

Fonte: Redação