Trabalhar até mais tarde por alguns dias faz parte da vida, mas se isso é uma constante, melhor considerar se vale a pena

Tempo é dinheiro

08/11/2017

Eu trabalhava numa agência como planejamento estratégico e tinha um chefe que por hábito, fé ou estilo de vida, entrava todo dia às 12h e saia por volta das 21h. O time, que entrava mais “cedo”, por volta das 10h, frequentemente ficará até às 21h, já que o trabalho costumava encerrar quanto encerrava o dia dele. Para nós? Normal. Achávamos que fazia parte do jogo.

Anos antes, em outra agência, agora como assistente de planejamento, certa noite trabalhei até por volta das 3h da madrugada. Não que tenha sido a única noite, mas esta me marcou, já que fechei a agência e entrei no elevador orgulhoso comigo mesmo por ter terminado o trabalho, mesmo tendo ficado até tarde (ou cedo). Para mim, ter estado ali até aquela hora era sinal de dedicação e esforço.

Que bobagem a minha... Como demorei para entender que aquilo tudo não era normal. Vez ou outra pode acontecer, mas se é constante, é sinal de que tem algo muito errado naquela engrenagem. Entendi isso anos depois destes ocorridos, quando comecei a empreender. Junto a empresa / agência, passei a me dedicar a dar aulas e palestras (normalmente fora do estado), escrever para sites e livros, além de vídeos para internet. O que nasceu como hobby virou trabalho, já que passou a trazer clientes para a empresa (posso afirmar que a maioria esmagadora dos meus clientes chegam a nós por conta destas minhas atividades paralelas).

E foi justamente este bando de atividades que me ensinou que tempo é algo precioso. Entendi que hoje tenho vários chefes. Meu sócio na empresa, a quem presto contas; meus coordenadores das faculdades, a quem entrego minhas aulas; os contratantes de palestras, que cobram avaliações positivas; o criador do Promoview, a quem prometi textos e lives quinzenais; e assim por diante. Chefes que não se conhecem, e que não tem relação com meus demais trabalhos. E isso muda tudo.

Não posso atrasar um trabalho em detrimento a outro, pois os responsáveis por eles são pessoas diferentes. Não posso, por exemplo, explicar ao meu coordenador da faculdade que uma aula foi dada nas coxas por ter me dedicado a um artigo daqui do Promoview, por exemplo – nem o contrário. Com isso, preciso entregar tudo no prazo e com qualidade, sem poder negociar com um ou outro (somente em casos especiais).

Para isso, aprendi a ser disciplinado ao extremo. Tenho lista de tarefas diárias com prazos de entrega e tempo para desenvolvimento de cada atividade. Não posso investir 15 minutos a mais de bobeira no Facebook pois isso me faria ter que trabalhar durante a madrugada ou final de semana, pois deu certo horário, preciso largar tudo e correr para faculdade, por exemplo. Se não entreguei até ali, vai a madrugada para finalizar o trabalho. Esta disciplina me fez entender o obvio: passei a trabalhar menos tempo em cada atividade, mas absolutamente focado e entregando mais.

Hoje entendo o que os americanos querem dizer com “tempo é dinheiro”. O que vendemos aos nossos patrões não é somente nosso trabalho, mas nosso tempo. Tempo esse que, em forma de trabalho, nos dá dinheiro. Tempo é dinheiro, e é finito. Um dia acaba. Por isso deve ser tão valioso a cada um de nós. E, justamente como tudo que vale, deve ser cuidado com atenção e disciplina.

Trabalhar até mais tarde por alguns dias faz parte da vida, mas se isso é uma constante, melhor considerar se vale a pena. Se é prazer, vai em frente. Mas se é por desorganização, seja sua, do seu chefe, do seu time, ou da sua empresa, repense. Tempo é um recurso muito caro para escapar por entre os dedos.


Fonte:: João Riva