Venha pra rua

28/02/2019


O Carnaval está logo aí. E, com ele, chegam os milhares de bloquinhos de rua que se espalham pelo Brasil.

Antes concentrados no Rio de Janeiro, Salvador, Interior de Minas Gerais e Recife/Olinda, o Carnaval de Rua vem há alguns anos conquistando  e invadindo outras cidades do país, como Belo Horizonte, Florianópolis, e, principalmente, São Paulo.

Além da expansão regional, da injeção de investimento dos patrocinadores e da multiplicação de blocos e público, vale ressaltar a diversidade das iniciativas: tem bloco para quem gosta de rock, para quem quer relembrar os sucessos de pagode dos anos 90, para quem não dispensa as coreografias do axé music, bloco homenagem, Carnaval eletrônico, bloco de “sambanejo”. E assim vamos, crescendo e multiplicando a folia.

Essa talvez seja a maior – e mais original – expressão de uma vertente tão importante do nosso mercado de eventos e live marketing da atualidade: A RUA. Mas, certamente, não é a única.

Pesquisas apontam que os eventos de rua movimentaram em 2018 mais de 150 milhões de reais, e é esperado um crescimento de cerca de 15% para 2019.

Uma guinada que começou a ganhar força certamente impulsionada pela retração de nossa economia e redução da renda do brasileiro, que na hora do sufoco não tem outra opção a não ser cortar seus gastos com lazer.

Somado a isso, observamos tendências de comportamento de um consumidor cada vez mais miscigenado, gregário, aberto, livre e funny. Na rua não se paga ingresso, não se exige dress code, não existe convidado VIP ou qualquer outro código exclusivista. O público está farto das experiências com hora marcada.

Como é típico do brasileiro, estamos fazendo do limão uma limonada.

O comportamento que pode ter começado por falta de grana vem amadurecendo, e, a exemplo dos EUA e países da Europa, estamos descobrindo o prazer de desfrutar do espaço público.

Claro que as marcas estão atentas a isso tudo e os pedidos por eventos e ativações nas RUAS crescem de maneira avassaladora dentro das agências.

Uma “block party” na rua sem saída, uma feira gastronômica na praça, uma competição esportiva na ponte, um festival de música, luzes e mapping espalhados pelas ruas de um bairro ou até mesmo por toda uma Capital.

Mas nem tudo são flores.

As dificuldades de executar um projeto nesse formato são inúmeras. Localização, vias de acesso, licenças e autorizações (que variam de Estado para Estado, cidade para cidade, e, muitas vezes, de bairro para bairro dentro de uma mesma cidade), relacionamento com a vizinhança e associações de bairro, leis de restrição a barulho, preservação do patrimônio público, muitas variações climáticas, cuidado redobrado com a segurança, entre tantas outras questões tão específicas.

Daí a necessidade de uma agência com profissionais com punch para essa entrega. As ruas não são para amadores.

Perrengues à parte, está aí um formato de evento que chegou para ficar. Que caiu nas graças do público. Que virou “must do” das grandes marcas do mercado. Que ganha força com a chegada de “labels” internacionais, e que ainda promete dar muito o que falar.

Uma oportunidade única para agências, produtores e profissionais enxergarem a importância das ruas e se dedicarem a encontrar novos caminhos para transformá-las em palco de entretenimento e cultura.

 

Por Maximilian Steigmann.

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