Pra que tanta reunião?

04/12/2018


Alguém me disse que o ideal para uma coisa que você não quer que dê certo falhar é “marcar diversas reuniões sobre ela e criar um comitê”.

Pois é ou deve ser.

Eu fico impressionado com o número de reuniões que são criadas por empresas, profissioais e clientes para tratar de assuntos que exigem ação imediata e não reuniões infindáveis. A maioria absoluta totalmente sem sentido ou infrutífera.

Me lembro de uma história, verdadeira, numa empresa, na qual trabalhei:

Aproxima-se o final do ano e alguém, o Adélio, informalmente, propôs uma Festa de Confraternização.

Um churrasco simples, no restaurante da empresa mesmo, na hora do almoço, no último dia de trabalho do ano.

Simples assim.

Ele propôs, ainda, a contratação de um bufê, podia até ser o mesmo que servia à cozinha para cuidar do A&B, o som seria simples também: fitas cassete (tem tempo) no sistema de som da empresa.

A ideia era reduzir custo e fazer algo, realmente, simples.

Mas...

Alguém na mesa sugeriu uma REUNIÃO para tratar do assunto, não sem antes criar um COMITÊ para a festividade.

Pronto, a fórmula do fracaso estava desenhada.

Era final de setembro, portanto, tinha tempo.

A primeira reunião foi marcada para o final do mês, mas, por falta de quórum, pois metade dos participantes do Comitê faltou por conta de ela cair no final do mês, momento de muito trabalho, não puderam comparecer, ela foi cancelada.

Foi remarcada para início de outubro.

Aconteceu, e aí vieram as ideias: AMIGO OCULTO, CONTRATAÇÃO DE DJ OU BANDA, FAZER NUM CLUBE, TRAZER OU NÃO FAMÍLIA, PAPAI NOEL CHEGANDO NUM HELICÓPTERO, SORTEIO DE BRINDES...

Era só um churrasco, gente. Estava tudo pronto...

Vieram as discussões, envolvimento do Financeiro, do RH, da Segurança... e novas reuniões com eles e do Comitê. Muitas.

A última foi marcada para o dia 23 de dezembro.

O último dia de trabalho da empresa.

O pessoal ia sair depois do almoço.

Chegamos na sala às 13h, sem almoçar.

E o Adélio, o cara da ideia da festa, nada de chegar.

Esperamos uma hora, e, quando íamos começar, ele entrou pela sala, bêbado, com uma garrafa de champanhe.

Sr. Mauro, o mais graduado do grupo, reclamou:

  • Adélio, como é que você me chega numa reunião da empresa, atrasado... e bêbado?
  • Ele respondeu:
  • Tô comemorando, seu Mauro!
  • Pois berm, essa reunião, inclusive, é para tratar disso.
  • Pois é, mas já foi.
  • Foi o quê?
  • Sem reunião nenhuma, o Armandão trouxe 5 quilos de carne e a galera comprou umas cervejas. A gente fez uma churrasqueira de tijolo nos fundos e comemorou o Fim de Ano.
  • Mas, mas... teve banda, DJ, Papai Noel, amigo oculto?...
  • Não! Só gente mesmo.
  • E essa champanhe?
  • Peguei no almoxarifado, sem reunião nenhuma.
  • Mas estava reservada para nossa festa.
  • Festa, que festa? Ninguém volta.
  • Volta sim. Faremos no início do Ano.
  • Pra quem?
  • Para os funcionários.
  •  
  • Que pergunta tola...
  • É que a galera saiu daqui para a festa da empresa do lado. Feita pelas pessoas, sem reunião benhuma, só com eles mesmo. Aí, o chefão de lá, impressionado com nossa disposição empenho e alegria, chamou quem foi à festa pra trabalhar lá no próximo ano.
  • Ah é? E o que o senhor está fazendo aqui com essa champanhe?
  • Comemorando minha saída, mas sem reunião, porque eu não vou.

E a reunião e a empresa acabaram.