O que podemos aprender com a missa?

04/08/2019


Sou católico, e, desde criança, vou à missa. Uma de minhas avós, D. Filinha, era extremamente religiosa, e, quando eu era pequeno, costumava me levar à igreja. Atualmente, procuro ir uma vez por semana, mas nem sempre cumpro com esse planejamento.

Esse repertório de anos frequentando igrejas e missas nos mais diversos lugares, somado ao meu espírito observador e curioso, recentemente me fez pensar que existem muitas semelhanças com o que fazemos no mundo do live marketing.

Independente de orientações ou opiniões religiosas, podemos aprender bastante com as missas, esses eventos, realizados há séculos, diariamente (e muitas vezes por dia), no mundo todo.

Para os menos familiarizados, pode parecer uma fórmula simples, que se repete quase que automaticamente. Mas não é…

Tudo começa com um roteiro, que segue uma sequência lógica de momentos bem distintos e marcados, cada um com suas etapas. Os Ritos Iniciais têm a Abertura, a Saudação, o Ato Penitencial, uma oração.

A Liturgia da Palavra tem a Primeira Leitura, o Salmo Responsorial, a Segunda Leitura, O Evangelho. E assim por diante.

Esse roteiro, por sua vez, determina uma série de outros aspectos que precisam ser observados, planejados e definidos com antecedência.

Os conteúdos, por exemplo: que textos serão lidos na Primeira Leitura, na Segunda Leitura, no Evangelho? Quais serão os Salmos? Existe alguma oração específica que deve ser feita naquela data? Como será a Homilia? Quem ficará responsável pelas Leituras e Salmos? Essas pessoas estão preparadas adequadamente?

O mesmo ocorre com as músicas: quais são os temas e canções mais adequados para cada momento? Uma olhada rápida no livro de músicas mostra que existem milhares de canções (sim, milhares!), para os vários momentos da celebração. Existem as da Acolhida, os Hinos de Louvor, Glória, Ofertório, Comunhão, cantos finais, etc.

A execução dessas músicas também é um ponto a ser considerado: música mecânica ou atração ao vivo? Coral, cantor, banda? Cantadas pelos próprios participantes? Isso influencia também a decisão sobre os equipamentos e instrumentos necessários.

Existem também aspectos ligados à cenografia da igreja (ou de uma missa campal, ao ar livre): a decoração, a iluminação, os objetos e seu posicionamento.

E, claro, o público, que precisa comparecer no momento certo e em quantidade adequada. E deve participar, interagir.

Tudo isso é conduzido por um ou mais celebrantes: o padre, presidente da celebração, é o mestre de cerimônias da missa, aquele que garante que o roteiro seja seguido, que faz seus discursos nos momentos certos e com a entonação adequada, que incentiva a participação do público.

Para os menos familiarizados, aparentemente o tema se esgotaria nessa lista. Mas a complexidade é ainda maior: apesar de parecerem sempre iguais, as missas têm mudanças significativas ao longo do ano, de acordo com o calendário litúrgico. Além do Tempo Comum, que existem períodos especiais, como o Advento, o Natal, a Quaresma e a Páscoa, além de domingos e as chamadas Festas de Guarda.

Cada um desses momentos têm significados, cores e símbolos diferentes, o que determina mudanças nos itens mencionados acima.

O roteiro do Tempo Comum é diferente daquele observado na Páscoa e na Quaresma. As músicas do Natal não são as mesmas do Advento. A cenografia e objetos usados no Domingo de Ramos são diferentes de outras celebrações. E isso se repete nas demais ocasiões.

Ou seja, uma complexidade enorme de planejamento e de produção.

Isso, sem contar um dos pontos fundamentais da missa e que guarda grandes semelhanças com as atividades de live marketing: ambas são experiências que, de alguma forma, devem tocar, emocionar seu público, despertar o que cada um tem de melhor.

Independentemente de sua fé e religião, se você trabalha com live marketing, há muito a se aprender com a missa (ou com rituais de outras crenças, sejam elas quais forem).

Somos de um mercado que é (ou deveria ser) pautado por ritos, procedimentos, processos, e, principalmente, atenção aos detalhes. Algo que, com certeza, esses eventos realizados há séculos, diariamente, em todo o mundo, têm muito a nos ensinar.

 

Por Alexandre Mutran.

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