O gosto da vitória… Kolynos, ahhh!

13/05/2019


Confesso: eu choro quando vejo uma vitória! Me emociono quando vejo alguém cruzar a linha de chegada em primeiro lugar, vencer uma partida ou até mesmo se classificar em uma das etapas do American ou British Got Talent.

Sou vítima fácil do incrível storytelling que o esporte traz e caio fácil na armadilha das emissoras que produzem conteúdos maquiavelicamente preparados para induzir os telespectadores, fazê-los fãs dos mais fracos e teoricamente incapazes e na suprema das sensações de prazer, vê-los superarem estes desafios e ganharem, se classificarem, terem o golden buzzer acionado, enfim… eu me emociono com a vitória dos outros!

Ela traz um gosto bom e que nada tem a ver com o antigo creme dental Kolynos, que possuía o genial e inesquecível slogan: “O gosto da vitória, Kolynos” e terminava com um sonoro ahhhhhhh!

É o mesmo gosto bom que eu sinto quando vejo alguém no pódio e irremediavelmente os olhos marejam quando toca o Hino Nacional – sim, eu confesso – Esporte Espetacular então… tem sempre um momento pra eu derramar uma lágrima. Ok, vou dar uma pausa para suas risadas.

Chorão! Vocês devem estar pensando. Mas antes de eu tentar qualquer argumento ao contrário, queria dizer que é legal pra caramba a gente ganhar alguma coisa, vencer uma competição, um pitch, um job, uma concorrência, uma partida, um jogo ou até mesmo a conquista de um novo amor ou de uma nova amizade.

Nem sempre temos um troféu ou medalha, na maioria nem um título, mas o supremo prazer de vencer está entre as melhores sensações do mundo. É só perguntar para quem é competitivo e ele vai confirmar esta frase.

Ayrton Senna mesmo, além de um graaaande esportista e vencedor, causador master de muitas lágrimas também (de alegria e de tristeza), uma vez disse que: “O importante é ganhar. Tudo e sempre. Essa história de que o importante é competir não passa de pura demagogia”.

E é verdade, a gente carrega forte este fardo religioso e teoricamente ético ou moral de aceitar com fair play a derrota, de não se mostrar muito empoderado para a vitória e de não comemorá-la com a alegria efusivamente, mas no fundo ninguém entra em nada para perder.

A gente quer vencer e como eu sempre digo: sei (e o mestre Telê Santana já dizia), que na vida “Ganha-se, empata-se e perde-se”, mas eu acho que pior do que perder é ter a consciência de que você jogou mal, poderia ter ido melhor, que estava nas suas mãos buscar outro resultado e mesmo sabendo que nem sempre o nosso esforço é o suficiente para uma avaliação a nosso favor, já que muitas regras existem e são aplicadas a cada caso (concordemos com elas ou não), ter a consciência de que fizemos o melhor é também prazeroso, ainda que não tenha “Gosto da vitória, ahhh…”.

Recentemente participei de uma concorrência acirrada, job incrível, marca inspiradora e muita gente boa participando. Fizemos o que julgamos o melhor, mas infelizmente não levamos a concorrência.

A empresa, diferente da grande maioria do mercado, se prontificou a nos enviar um feedback e ele veio nos detalhes. Nos reunimos e discutimos cada vírgula, cada entrelinha e entreletra, aceitando as críticas, reavaliando nossa performance e tomando-o como uma verdadeira vitamina para podermos ir melhor em outros projetos. E isso já deu incríveis resultados!

Mas, ainda falando desta concorrência: ao descobrir quem havia ganho, liguei para o diretor de Criação que é meu amigo e o felicitei, conseguindo inclusive ouvir ao fundo a alegria e a festa por esta conquista.

Oras, eu sabia que tínhamos levado um bom projeto e se ele havia ganho, foi o melhor, palmas pra eles! E ao cumprimentá-lo, ele me disse que meu ato era raro e poucas pessoas no mercado se dignavam a parabenizar o seu oponente quando de sua vitória.

É muito tosco saber isso, até porque estamos falando de um mercado com muitos conhecidos e amigos, e uma concorrência é só uma parte deste negócio. Mas o mais estranho estava por vir, resolvi ligar para outro amigo presente que fez parte deste time na concorrência e também parabenizá-lo, mesmo sendo um profissional que não fazia parte do quadro da agência vencedora, já que como eu, ele trabalha se conectando às empresas num formato que muitos chamam de associated partnership (que eu me recuso a chamar de freela - entendendo que é muito mais uma parceria estratégica focada em cocriação).

Sabia que ele havia sido estratégico no projeto e quando liguei descobri que estava dando um spoiler. Apesar da festa na agência, ele – justo ele – ainda não sabia do resultado. Sem graça, pedi pra ele confirmar com a agência, mas eu já tinha adiantado uma notícia boa, mas que não deveria ter sido eu a avisar.

Isso não é um caso isolado. Num mercado onde muitos profissionais se conectam ocasionalmente com empresas, numa troca importante de experiências e sem dúvida gerando um UP para suas entregas, é muito comum a vitória acontecer, a agência se reunir, comemorar, tirar a tradicional foto do time vencedor e não haver menção alguma a quem também fez parte desta história, e mesmo sem ter o crachá da empresa, havia se prontificado a fazer parte do time, vestindo a camisa, a cueca, as meias e nas maioria das vezes dando a cara pra bater, apresentando o projeto junto da empresa, como se a ela ele pertencesse.

Não dá pra julgar, mas no afã de celebrar a vitória, muitas empresas deixam de incluir todos – simplesmente todos – que de uma forma ou outra fizeram parte do time – não importa de que forma.

E todo aquela proximidade dos momentos pré-entrega, toda a ansiedade dividida, todo o engajamento proposto e todo o espírito de time presente parece que se esvai.

Já os profissionais fazem aquele ar blazé, dizem que tudo bem e o que importa é fazer parte do time, mas é como vencer um jogo e não subir no pódio, não receber o troféu e nem ficar embaixo da chuva de papel. Ok, soou romântico, mas faz parte!

Como eu já disse, eu me emociono com vitórias. Sim, as lágrimas vêm sem controle, e foi assim esses dias atrás, quando sabendo que havíamos ganho um projeto, a agência veio e me deu um longo abraço, fizemos um brinde, gritamos e sorrimos uns para os outros… Sei que vai soar piegas, mas como faz bem isso!

E se hoje, 13 de maio, é o dia onde comemoramos a liberdade humana no sentido mais amplo e o importante e necessário conceito da inclusão, fica então minha provocação por um sentimento mais aberto nas empresas, mais participativo, mais inclusivo, mais diverso, com um senso mais amplo de espírito de equipe, por uma real construção de relações e proximidade, pela adoção de um clima de generosidade e por ter como default a gratidão. Se a vida merece e precisa de comemorações, então, por favor, vamos colocar todo mundo na foto? rs

Afinal, estamos falando do doce gosto da vitória, e se não existe mais o Kolynos, a gente ainda pode respirar profundamente e dizer Ahhhhhhhhhh….

 

Por Dil Mota.

 

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