Folha descreve ativações como “fenômeno de comportamento”

09/03/2019


A dobradinha ativação e selfie entrou definitivamente no cotidiano da sociedade

O Carnaval de rua na capital paulista sempre foi palco para ações promocionais mas só agora o assunto é tratado como fenômeno de comportamento pela mídia tradicional.

A matéria da Folha Press publicada nos dias da folia - e amplificada na editoria “comportamento” dos principais jornais do país - andou em meio aos blocos, constatou as ações de live marketing e as descreveu como “uma oportunidade de ouro para divulgação de marcas” avaliando se elas são ou não invasivas do ponto de vista dos foliões.

Segundo a reportagem, uma ação do MC Donalds chegou a causar um leve atrito no bloco Baco do Parangolé

A multinacional escolheu o bloco para filmar uma ação de carnaval  - os atores vão distribuir sanduíches ao longo da festa-. Isso, no entanto, gerou reações do público no local. Do carro de som começou um coro: "Fora, MC Donalds". Depois disso, a equipe de filmagem se afastou um pouco da festa e seguiu o bloco com certa distância.

Em poucas quadras de Pinheiros, os repórteres da Folha avistaram em meio a folia e comemoração casais de promotores disciplinados entregando copos do filme "Shazam", bonés do aplicativo iFood e camisinhas da Prudence. Amstel e Skol, as duas cervejas que travaram o embate promocional neste ano disputaram os olhares com oculos personalizados.

Em outro polo da cidade um grupo de homens exatamente iguais, pintados de azul com uma lâmpada de metal nas mãos faziam divulgação do novo filme de Aladdin, propiciando centenas de selfies para as redes sociais por onde passavam, enquanto pessoas com uma camiseta preta escrita "staff" pediam reiteradamente que eles andassem em fila, mantendo o ritmo da ativação.

Por sua vez a Uber instalou totens nos espaços demarcados oficialmente pela prefeitura da cidade para desembarques transformando aquelas áreas em pequenas centrais para distribuição de brindes. Já na Faria Lima, a Riachuelo, que desembarcou na capital este ano entregava bandanas aos participantes.

Ao final da matéria, os entrevistados ouvidos entre os foliões disseram em suas respostas que estão pouco preocupados. Ana Cláudia Rancoleta, 24, que trabalha com marketing, afirmou que o Carnaval é uma excelente oportunidade para divulgar as marcas, "porque as pessoas ficam mais abertas, e acaba tendo uma proliferação mais simples, já que todo mundo posta [em redes sociais]", diz. Concorda com ela o administrador de empresas Lucas Leite, 24, que diz que, "se for ajudar, não tem problema."

Para Tadeu Coelho, 32, por outro lado, "o Carnaval é democrático por si só, e ninguém pode se apropriar disso".

Graças as elaboradas técnicas de abordagem desenvolvidas pelos profissionais das agências de live marketing, as marcas entraram naturalmente no caminho das pessoas neste carnaval, não só em SP mas também no Recife, BH e Salvador, não só nos blocos mas também em camarotes e desfiles.

O live marketing e as ações promocionais transformaram-se em protagonistas na publicidade. Mas, ao que parece, agências e profissionas deste setor ainda não se deram conta disso e continuam participando em concorrências malucas com 10 agências e submetendo-se a formas e prazos de pagamentos que não tem graça nenhuma, nem mesmo durante o carnaval.

E o Tadeu? Certamente foi um daqueles que gostaria de ter ganho um oculos da Amstel e não conseguiu.

TAGs: