Uma mudança no olhar do empreendedorismo feminino

20/09/2019


Há muitos anos, as mulheres vêm lutando para garantir uma condição e posição mais igualitári na sociedade, e muito já foi alcançado nesse sentido, como a garantia do direito feminino ao voto e a criação da Lei Maria da Penha.

Estamos longe de viver em um mundo ideal no que diz respeito à igualdade de gênero. Isso fica bem claro quando olhamos para determinados pontos e estimativas, como comparação de cargos e salários, por exemplo.

O empreendedorismo feminino é um assunto que ganha cada vez mais atenção, graças ao seu potencial de promover transformações na sociedade e na economia de um país. De acordo com a pesquisa GEM Brasil 2016 (Global Entrepreneurship Monitor), o público feminino é mais expressivo do que o masculino quando o assunto é a abertura de novos empreendimentos.

Os dados apontam que o empreendedorismo tem despertado mais interesse nas mulheres. A proporção de “Empreendedores Novos” - os que têm um negócio com menos de 3,5 anos - é maior entre elas: cerca de 15,4% contra 12,6% de homens.

O estudo constatou ainda que as representantes do sexo feminino empreendem movidas, principalmente, pela necessidade de ter uma fonte extra de renda ou para adquirir independência financeira.

Não é à toa que se encerra hoje, no Clube Homs, em São Paulo, o 8° Fórum Empreendedoras - Propósito e Impacto, maior evento de empreendedorismo do País, que reuniu mais de 4 mil mulheres.

O evento divulgou uma grande pesquisa sobre os motivos que levam as mulheres a empreenderem, os modelos mais prevalentes de negócios, quais as particularidades e desafios que elas mais enfrentam.

Realizada com apoio da ONU Mulheres, a pesquisa da Plano CDE traz um verdadeiro mapa do empreendedorismo feminino.

O evento teve ainda mentoria, Trilha Empreendedora, com workshops e minicursos com foco prático, porque as empreendedoras precisam se especializar, e um painel com três das vinte mulheres mais poderosas do Brasil pela Forbes, entre elas Ana Fontes, idealizadora da Rede Mulher Empreendedora; Camila Junqueira, da Endeavor; e Nina Silva, da Black Money.

Todo esse avanço é reflexo de uma triste realidade: metade das mães que trabalha é demitida até dois anos depois que acaba a licença, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Os pesquisadores acompanharam até 2016 o desempenho do mercado de trabalho de 247.455 mulheres, com idade entre 25 e 35 anos no momento do afastamento, que tiraram licença maternidade entre os anos 2009 e 2012. Por isso, elas buscam o empreendedorismo como uma saída para oferecer uma melhor qualidade de vida para a família.

No mercado de trabalho brasileiro, de forma geral, apesar do maior nível de escolaridade e de desempenhar as mesmas funções que os homens, as mulheres ainda recebem salários que podem ser até 50% menores. E isso, por si só, já é um absurdo.

Vale acrescentar que, de acordo com uma projeção feita pelo Fórum Econômico Mundial, só haverá igualdade salarial no Brasil em aproximadamente 100 anos se o progresso atual for mantido.

Espero que no futuro exista um equilíbrio de gêneros, que as mulheres estejam à frente de grandes empresas, onde haja diversidade, e possam atuar em todos os setores da economia, gerando empregos e riquezas para o nosso País.

 

Por Dilma Campos.

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