myNYNY

29/06/2019


Ela chegou e disse que tinha um presente e quando eu vi o que era, não acreditei! Era uma passagem para Nova York. Até aí, conhecê-la era só um sonho distante, uma vontade às vezes aliviada com filmes, músicas, revistas ou matérias no jornal…

E eu ali, incrédulo, e completamente entorpecido por ter ganho em pouco tempo dois grandes e imensos presentes e que mudaram a minha vida: o primeiro era a minha primeira oportunidade como profissional de publicidade e justamente na área que eu havia aprendido a conhecer, entender e gostar no meu estágio na McCann e a outra era pode realizar o sonho de conhecer o que passou a ser definido por mim como a esquina do mundo: o lugar onde a gente aprende que faz parte de algo maior, grandioso e eu só poderia ser imensamente grato por tudo isso.

Mas quando eu saí do estágio (falei dela na última coluna), a primeira coisa que eu conheci foi o conceito “door-to-door” e posso assegurar que não foi fácil sair de agência em agência, com um portfólio de principiante, querendo arranjar um lugar para trabalhar.

O pessoal da McCann tinha sido incrível e saí de lá com muitos nomes, telefones e indicações e foi justamente a partir de uma indicação do Cebola, que meu nome chegou nas mãos da Eva Lazar e da Clélia Frisch, as sócias da CF Comunicação: uma querida agência que ficava ali ao lado do Shopping Morumbi e onde eu aprendi de fato o que era trabalhar nesse mercado.

Foram anos de aprendizados, de muitos projetos, de um clima quase familiar e onde conheci pessoas incríveis como a energética e inspiradora Clélia, Pierre, Valéria, Fátima, Pedro, Andrea, Arlindo, Giovanina, Alice, Alê, Renata, Roberto, Edu, Nonô, Chimpa, Alemão, Tiane, Sarah e certamente outras pessoas que não vêm à mente agora.

Foi ali também que conheci e aprendi muito com clientes incríveis, inclusive a Unilever do Fábio Prado, Andrea Salgueiro, Priya, Adriana, Marcela, Luiz Felipe, Gerson, Gustavo, Júlio e outros tantos profissionais exemplares. Foi também onde tive a oportunidade do meu primeiro grande projeto: o Centro Rexona de Excelência do Voleibol, um projeto social que incluia um time de vôlei feminino, comandados pelo Bernardinho, que passados 20 anos continua sendo um dos marcos deste esporte no Brasil e continua na ativa, sem o patrocínio do seu início, mas sendo o time mais vitorioso do voleibol feminino de todos os tempos.

Quando estive em NY pela primeira vez, fui abduzido pela cidade, fiquei fã, me senti morador e confirmei o que a querida Eva Lazar havia me dito que eu não iria lá só uma vez. Não fui realmente e por mim iria todos os anos, mas essa primeira foi especial.

Da dificuldade inicial na língua (lembrando que quando estava no voo da ida e a aeromoça me perguntou o que eu queria jantar, a única coisa que eu havia conseguido entender foi chicken e tinha sido essa minha escolha…rs) até conseguir dar informações para outros turistas no metrô.

De absorver todos os museus, lugares e as atrações de uma maneira tão intensa que acabei cochilando no meio de Cat’s na Broadway (rs), mas lembro em especial de uma indicação da Evita (como eu a chamo) em não deixar de comer o Cheese Cake da Lindy’s na 7th Ave, e onde havia também um excelente bloody mary. E ela, que estava preocupada em saber como eu me viraria ali, ficou tranquila quando eu lhe disse que ao receber o Bloody Mary havia perguntando em inglês: se era um suco de tomate ou um bloody mary, porque eu não estava sentido nenhum gosto de álcool ali…

Evita, eu queria hoje (no dia de #mtt) te agradecer não só pelo presente incrível e inesquecível, mas pela gentileza de ter visto naquele cara o que talvez nem ele via: a possibilidade de ser trabalhado, ser útil para o negócio e poder se tornar um grande cara, quem sabe um grande profissional.

New York, myNYNY, era a mesma que a sua, mas também se transformou em algo meu e pessoal, passou a ser uma fonte de inspiração e de inserção para um carinha sonhador que ao pisar ali e ver pela primeira vez aquela fumaça saindo dos bueiros e o cheiro de syrup que jurava que impregnava o ar, descobriu que realizar sonhos era possível e que tudo aquilo que ele se contentava em ver em pela TV poderia realmente ser verdade, ser visto ao vivo, a cores, com todos os seus cheiros e com todos os seus sentidos.

Foi a partir daquele momento, que esse cara teve a certeza de que definitivamente ele fazia parte: do mundo, do mercado e de um movimento seu e inesquecível que envolveu gentileza, cuidado, carinho, profissionalismo e um senso de oportunidade e investimento em pessoas que talvez hoje sera muito raro.

E confesso: quando eu fui pela primeira vez no Carnaval de Salvador e saí no bloco Eva e fiquei algum tempo com o adesivo escrito EVA no meu carro kkk, eu tinha ali – claro – uma grande brincadeira, mas tinha também uma homenagem e uma forma de dizer que ali estava um cara Powered by Eva. E eu sou imensamente grato a você por isso. So many thanks Evita!

Depois de 4 anos muito bem trabalhados, eu recebi uma proposta para sair da CF. Pilhado por uma visão externa do meu papel na agência e pela oportunidade de crescer, eu resolvi topar. Mais uma vez, Clélia e Eva foram fantásticas e jamais vou esquecer a frase que a Clélia me deu na minha saída. Algo que não só não esqueci, mas que faço questão de repassar para as pessoas que tenho a oportunidade de ouvir, eventualmente aconselhar ou simplesmente dar uma energizada quando também estão no momento de buscar o famoso novo desafio: “Não se esqueça que são eles que precisam de você, não o contrário!.”

Você pode gostar mais de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Miami, Londres, Lisboa, Paris ou Shanghai. Eu fico com myNYNY. Mas todo mundo tem seu lugar preferido e onde se sente integrado, vivo e se sente como se já tivesse vivido ali em algum momento.

Que eles sejam lugares sagrados para você se reconectar com sua essência e com seu instante de inspiring que faz com que naquele momento você simplesmente se sinta IN, parte de um todo, de algo maior e tenha certeza de que merece sempre estar ali, onde você sonhou estar e com o apoio e inspiração de grandes pessoas que e ajudaram a estar lá.

Não se esqueça que o mundo precisa de você. Claro, você também precisa dele, mas como é importante a gente saber aprender também a se valorizar.

 

Por Dil Mota.

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