Carmenere e God Of War

25/02/2019


Estávamos no aeroporto de Cuiabá num calor que até o diabo reclamaria, por conta de um voo que teve problema e não levantaria aquela tarde.

Resolvemos tomar um vinho para descer a ideia de passar mais uma noite longe de casa.

Eu um simples mortal, ele o presidente de um grupo de grandes empresas. Gole vai, gole vem, e falávamos da economia do País, o quanto os shoppings perdiam visitantes ao dia, e como nos prepararmos para um possível efeito negativo nas vendas dos próximos meses.

Então ele me deu a dica que sigo até hoje. “João, se mantenha informado, mas sem exageros. Um telejornal ao dia é suficiente. Notícias demais causam pessimismo, e o pessimismo é fatal para nós.”

Para todos nós, que precisamos matar um leão ao dia (e não reclamamos, já que gostamos do nosso trabalho), o pessimismo é superperigoso. Ou nos dá medo de dar passos mais ousados, ou quem sabe faz com que nos amedrontemos aguardando as próximas novidades do mercado, da política, da macroeconomia, ou das previsões de videntes.

Um amigo bancário disse que o dinheiro existe, mas que está parado. Que ele nota, dia a dia, investidores com medo de colocar este dinheiro em qualquer lugar. Comenta ele que se não soubéssemos dos problemas que existem agora, talvez o problema realmente não existisse. Afinal, estes valores parados acelerariam nossa economia. Será?

O grande lance é que tenho pensando bastante nisso. Não podemos ficar alheios ao mundo, mas penso que talvez as más notícias estejam atrapalhando mais que deveriam.

Saber demais sobre política por intermédio da visão de comentaristas? Ouvir os mimimis exagerados? Conhecer as previsões negativas do mercado? Os extremistas de um lado ou de outro? Abri mão. Troquei por mais taças de vinho e jogos de videogame.

No mundo atual, mais importante que saber de tudo, é termos total controle da nossa motivação. Saber de tudo é ótimo, desde que isso não nos paralise. Quando informação atrapalha, óbvio, ela deixa de ser útil.

Neste caso, a dica é prestar atenção a ela, mas de forma moderada. E claro, a misturar com Carmenere e God Of War.

Por João Riva.

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