Ainda estamos longe...

21/11/2019


Vinte de novembro é o dia da morte de Zumbi dos Palmares, escravo que virou símbolo da luta do povo negro contra a escravidão ao liderar o Quilombo dos Palmares, na então Capitania de Pernambuco.

A data tornou-se um marco de reflexão para todos quanto ao nosso papel na sociedade quando falamos, principalmente, sobre diversidade e inclusão.

Outra questão muito importante é a luta contra o racismo. Em pleno Século XXI, infelizmente, já ficou claro que o racismo no Brasil é estrutural, apesar de negros e pardos serem maioria no país e representarem 54% da população.

O caminho a ser percorrido ainda é longo. Uma pesquisa divulgada recentemente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostra que pretos e pardos são maioria nas universidades públicas no Brasil, 50,3% dos alunos do Ensino Superior público.

Um dos fatores aos quais o IBGE credita esse avanço é o sistema de cotas, que reserva vagas a candidatos de determinados grupos populacionais, além de programas de apoio e expansão em universidades federais.

Posso dizer, como mulher negra, e tenho extremo orgulho disso, que estamos buscando nosso espaço, trabalhando e lutando para abrirmos caminho para nós e para as próximas gerações.

O aumento da imagem da mulher negra nas campanhas publicitárias, a reflexão das ações das agências em ter ambientes mais inclusivos e a representação da família negra nas campanhas já mostram mudanças de comportamento.

Aliás, a conscientização se faz com diversas mãos. É importante que as empresas abram espaço para que exista uma reflexão nas equipes e incentivem ações afirmativas para que a mudança social seja efetiva e contínua.

Faço parte do time de autores que fizeram uma contribuição para o livro “Publicidade Antirracista - Reflexões, Caminhos e Desafios”. Idealizado pela ECA - Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, a USP.

O lançamento será no "Encontro para pensar uma publicidade antirracista", no dia 27 de novembro, das 14h às 19h30 no Sesc Paulista em São Paulo. Não necessita de inscrição prévia.

O livro tem o objetivo de trazer clareza quanto à igualdade racial na comunicação publicitária brasileira.

No livro, falo sobre os desafios e caminhos estratégicos para a expressão da igualdade racial na publicidade. Como mulher e negra, acho fundamental que cada vez mais falemos com seriedade sobre racismo na publicidade e comunicação como um todo.

Não basta ter um amigo negro, não basta gostar de samba!

Temos que trabalhar juntos para que a sociedade seja um reflexo da nossa população em todas as esferas.

 

Por Dilma Campos.

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