Do ippon ao ace

16/10/2019


T1, Ep. 3

De 3 a 9 de outubro, tive a oportunidade de fazer parte do Comitê Organizador do Grand Slam de Brasília, uma competição da International Judo Federation, que reuniu mais de 50 países, representados por mais de 300 atletas que participaram do evento esportivo.

Uma nova oportunidade para estar num ambiente que gosto muito, o do esporte.

Um detalhe em especial, me chamou à atenção. Judô é um esporte muito difícil de se conseguir aliar entretenimento para o público presente, e as disputas em si.

Um vacilo e atrapalha-se todo o charme do esporte, que exige muita concentração e trabalho mental dos atletas.

Mas o resultado obtido foi fantástico.

Tudo na medida certa.

No aquecimento.

Durante as lutas.

Nos resultados.

Na premiação.

Sensacional mesmo.

Porém, ao assistir as transmissões do Campeonato Mundial de Vôlei, no Japão fiquei bastante irritado.

Até o comentarista, um grande brasileiro, campeão mundial de vôlei, estava no ar reclamando.

O nosso DJ japonês não parava de tocar música, até o toque do atleta no saque.

A bola caía e voltava ele com seu som avassalador.

E me parece que tudo estava aprovado pela FIVB – Federação Internacional de Vôlei, afinal, é ela quem organiza o torneio e diz o que pode e o que não pode.

Aqui no Brasil, na Superliga, estamos fazendo pior ainda.

Entregamos o microfone a um “animador de torcida”.

Além de gritar desesperadamente o nome do patrocinador, o tempo todo, em alguns momentos o cara se arvora em xingar os adversários de “burro” e outras coisas não muito legais.

Estamos quase perdendo o controle do jogo para este personagem.

O cara está ali para entreter, e não para ser o torcedor com mais decibéis do ginásio.

Participei do Comitê de Marketing da Superliga por mais de 10 anos.

Quando cheguei, fui entender os melhores exemplos do que era feito no esporte.

Dois deles, para quem quiser fazer seu dever de casa, e pesquisar, antes de oferecer qualquer coisa para seu cliente, ainda hoje, são excepcionais.

O primeiro que é o trabalho feito no RJX. Eles ofereciam a quem fosse ao ginásio ou a quem assistisse pela TV, entretenimento do melhor nível.

Um espetáculo grandioso.

O outro exemplo, também brilhante, era a equipe do Leite Nestlé, em Jundiaí.

O atendimento a quem chegava no ginásio era impecável. Mesmo os adversários.

Dois exemplos de como trabalhar eventos esportivos ao vivo, gerando awarness e atributos positivos para a marca do patrocinador.

E nem por isso, havia um ser gritando no microfone, algo que não fazia sentido para quem estava assistindo.

Precisamos entender que a função do live marketing não é tentar sempre grudar a marca que representamos na cara de quem está assistindo.

Ao contrário. Precisa haver bom senso para achar a medida certa.

O espetáculo é maior que qualquer ação promocional.

Está na hora de se reescrever esta história.

Para isso hoje contamos com muito mais tecnologia do que no passado, e as mídias digitais estão aí para isso.

Mas a comunidade esportiva precisa entender como torná-la uma ferramenta poderosa.

Outro dia, conversando com um dirigente do vôlei, falei sobre esta questão das mídias digitais, e a resposta foi: Mas nós já transmitimos os jogos pela web.

E eu fico me perguntando, será que é só isso mesmo?

Nosso time masculino está fazendo um papel brilhante na Copa do Mundo.

Falta uma vitória para se sagrar campeão.

Não sei o que vai acontecer.

Mas isso já basta para sabermos que, mais uma vez, teremos grandes jogadores em nosso campeonato de clubes mais importante, além de 2 técnicos medalhistas olímpicos, dirigindo suas equipes na Superliga.

E o que de diferente o live marketing vai poder oferecer?

Espero, sinceramente, que pelo menos os técnicos ou os dirigentes, ou sei lá quem, chamem os caras da animação e comecem explicando a dinâmica do esporte.

E para isso está muito fácil.

Peguem as transmissões da Copa do Japão, mostrem aos responsáveis, como não se faz.

Afinal, nós gostamos e torcemos muito mais para o esporte do que para os DJs e seus animadores.

É um jogo de vôlei não uma discoteca.

O live marketing é importantíssimo, e tem uma enorme contribuição a dar, principalmente no momento que as empresas procuram por conteúdo relevante para construírem suas plataformas de comunicação.

Existem poucas oportunidades de oferecer experiências a seus clientes e prospects. Mas há de haver uma química perfeita entre o entretenimento e o esporte.

 

Por Luiz Coelho.

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