Silêncio disruptivo

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Tem uma palavra, mais uma, muito mal usada, mas que caiu nas graças dos moçoilos do mercado que não cansam de repeti-la: DISRUPTIVO.

Não é o uso que me incomoda, é o uso em vão.

Tudo virou disruptivo. Tudo mesmo. Qualquer ideia, inovação, ato, ganha o adjetivo para impressionar alguém.

Já até ouvi cantada disruptiva. Faça-me o favor.

“Esse adjetivo, que há alguns anos vem se consolidando no mundo e no Brasil (nessa ordem) como palavrinha mágica da vez no vocabulário tecnológico-corporativo, tem feito na linguagem algo parecido com a inovação que surgiu para qualificar no mundo dos negócios: cria novos valores (sentidos), novos mercados (falantes), minando ideias que pareciam solidamente estabelecidas. Por exemplo: a ideia de que disruptivo não passa de um anglicismo besta e dispensável, sinônimo de revolucionário, agitador, subversivo, agente de ruptura da ordem.

Por ser exatamente isso, a palavra era ignorada sem dó pela maioria dos dicionaristas (ainda que reconhecida por nomes de peso, como José Pedro Machado), contentes em registrar apenas o substantivo do qual ela deriva: disrupção, ou seja, “fratura; interrupção do curso normal de um processo.”, Segundo o Houaiss (além de acepções restritas ao vocabulário da engenharia elétrica e hidráulica, que não vêm ao caso).”- fragmento de reportagem de Sergio Rodrigues -  Revista Veja.

O significado de disruptivo, segundo o Google, é:

“Aquilo que provoca ou pode causar disrupção;-Bah!- que acaba por interromper o seguimento normal de um processo; interruptivo, suspensivo. Que tem capacidade para romper ou alterar; que rompe."

Um ato de “Quebra ou descontinuação de um processo já estabelecido. Um processo é chamado de disruptivo quando ele interrompe, suspende ou se afasta do funcionamento normal.”

Se ainda não me fiz entender é algo antiparadigmático. Toda Disrupção é um tipo de Inovação, mas nem toda Inovação é Disrupção.

Se é algo que muda algo existente, aperfeiçoando, inova.

Principalmente quando se fala de Tecnologia Disruptiva.

Uma nova tecnologia que surge e proporciona o surgimento de serviços ou produtos inovadores no mercado, causando efeitos de mudança e de ruptura nos padrões e modelos já estabelecidos é disrupção.

Mas cuidado: uma tecnologia disruptiva não pode ser considerada revolucionária, pois ela não chega a derrubar uma ordem existente; o que ela faz é introduzir uma novidade que se encaixa em tal ordem.

Netflix talvez seja um dos melhores exemplos de empresa quando o assunto é tecnologia disruptiva. O que essa companhia de serviços de streaming fez foi propor uma nova forma de consumo de produções audiovisuais.”

Bons exemplos de disrupção 100% são: a Inteligência Artificial, Internet das Coisas e Blockchain.

O Professor Cristensen, em seus livros “Tecnologias Disruptivas e Inovação Disruptiva” faz colocações importantes, já assinaladas em reportagem da Veja, da qual destacamos:

... a inovação disruptiva vai muito além da inovação revolucionária. Esta representa um salto inesperado e de grande impacto (num produto ou serviço, por exemplo), mas não subverte o mercado. Disruptiva é a tecnologia ou a inovação que, introduzida por empresas menores para um público menos exigente e até então desassistido pelas gigantes do mercado com seus produtos sofisticados de alto custo, altera definitivamente as regras do jogo e leva Davi a derrotar Golias. O que, claro, dá conta de grande parte do que vem ocorrendo mundo afora na esteira do tsunami digital – e explica que Christensen seja considerado um dos ideólogos de cabeceira do Vale do Silício.”

Meus textos não se arvoram em ser disruptivos, mas buscam romper algumas estruturas de pensamento para levá-lo a pensar com sua cabeça.

A música SILÊNCIO do Emicida é uma Disrupção, pois é uma canção, um grito silencioso que, quem vê, ouve.

Disruptei?

Segue o jogo!

Fontes:

Sites: encontreumnerd, wikpedia, Google. Revista: Veja. Livro: Tecnologias Disruptivas - Cristensen.

 

Por Tony Coelho.

 

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