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Dança dos Peixes abre exposição do Museu da Amazônia

A presença dos indígenas das etnias Tukano, Dessana e Tuyuka marcou a festa de abertura das exposições "Sapos, Peixes e Musgos – a vida entre a terra e a água na Reserva Ducke" e "Peixe e Gente", que ocorreu no dia 06/11, no centro de visitação do Museu da Amazônia/Musa (Jardim Botânico Adolpho Ducke). Visitantes, convidados, colaboradores e equipe de produção assistiram à Dança dos Peixes (Wai-Masã), que, na cultura Tukano, tem a finalidade de comunicar aos peixes que vão fazer a piracema o início das atividades de pesca na região. Ao som dos carriços (flautas indígenas), eles realizaram o ritual que nas aldeias costuma proceder à confecção das armadilhas. [caption id="attachment_244389" align="aligncenter" width="473"] Dança dos Peixes (Wai-Masã).[/caption] São muitas as armadilhas de pesca utilizadas pelos indígenas das etnias do alto rio Negro que compõem a exposição Peixe e Gente, no Jardim Botânico. Trazidas do rio Tiquié, ou construídas no próprio local da exposição, elas são o resultado de séculos de ocupação e experiência nessa área do alto rio Negro. São jequis variados, imihnó (cacuri portátil), esteiras (grandes e pequenas), matapis, caiás e puçás – dispositivos fixos utilizados na captura de peixes, que foram instalados em espaço aberto do Jardim ou na maloca, que se constitui num portal de entrada da exposição, e que abriga outras peças da exposição. O visitante que comparecer ao Jardim Botânico vai se deparar com as armadilhas de pesca – algumas enormes – mapas, artefatos indígenas, objetos de cerâmica e utensílios domésticos, distribuídos no centro de visitação do Musa. Além disso, poderá também conhecer um pouco dos mitos e da cosmologia Tukano relacionada aos conhecimentos da pesca, o dia a dia das comunidades e o rico patrimônio material e imaterial das comunidades habitantes do alto rio Negro. A exposição retrata os conhecimentos indígenas e ictiológicos, mitos e conceitos cosmológicos relacionados à origem dos peixes e suas relações com a humanidade. A instalação da exposição foi coordenada pelo artista plástico Zeca Nazaré e contou com uma equipe de trabalho formada por artistas plásticos, artesãos e conhecedores indígenas, além da equipe do próprio Musa. Com recursos da Lei Rouanet, contou com a parceria do Instituto Socioambiental/ISA, através das participações do curador da exposição, Aloisio Cabalzar, autor do Livro “Peixe e gente”, e da antropóloga Melissa Oliveira. A exposição Sapos, Peixes e Musgos – a vida entre a terra e a água na Reserva Ducke, aborda o universo dos animais e plantas que vivem entre os ambientes aquáticos e terrestres na Amazônia e a presença desses seres no imaginário das populações locais do passado. A exposição ocupa uma tenda instalada no Jardim Botânico e conta com elementos apresentados ao vivo na própria floresta – em consonância com o projeto conceitual do Musa –, como briófitas e áreas de nidificação de sapos. Entre as peças que serão expostas, estão aquários com espécies de peixes pulmonados, totens que explicam a respiração dos peixes, painéis que contam a evolução dos anfíbios, uma instalação de cubos que mostra a diversidade de sapos, o jogo do Cururu, que explora a possibilidade de conhecer as espécies de sapo através do canto, além de réplicas de muiraquitãs.