Três meses depois do início da empresa, uma matéria na Rede Globo foi providencial para que o Bike Tour SP deslanchasse.

O Bike Tour levou mobilidade ao turismo de São Paulo

17/03/2017

Três meses depois do início da empresa, uma matéria na Rede Globo foi providencial para que o Bike Tour SP deslanchasse. Formou-se uma fila de espera de 400 pessoas cadastradas no site do projeto, atraindo patrocinadores. Primeiro se interessaram os shoppings Light e Top Center (localizados no Centro e na Av. Paulista), que além de aporte financeiro ofereceram lugar para guardar as bicicletas.

Em setembro de 2013, o Centro Histórico e Paulista foram desmembrados em dois roteiros diferentes. Agora, os passeios incluem Vila Madalena, Avenida Faria Lima, Centro Novo e Parque do Ibirapuera. Os sócios ainda incluíram bikes adaptadas para crianças e pessoas com mobilidade reduzida à frota, que fica estacionada nos pontos de saída dos passeios, como o hotel Ibis Paulista e a administração do Parque do Ibirapuera.

Atualmente, Bradesco Seguros, Lanchonete da Cidadee Eventbrite investem um valor anual na empresa, mas Daniel não especifica o número. O lucro é revertido ao próprio negócio, com investimento em marketing e manutenção, por exemplo – os sócios dizem que ficam apenas “com uma pequena fração”. Outra parceria bem-vinda foi firmada com a rede de lojas Decathlon, especializada em artigos esportivos. Ela cedeu mais 17 bikes para os passeios. Daniel fala do crescimento na procura:

“A maioria dos interessados é paulistana e boa parte volta a andar de bicicleta regularmente depois de participar do Bike Tour SP. São provas de que as pessoas estão buscando reencontrar a cidade”

 

Durante os roteiros, monitores e coordenadores recebem uma ajuda de custo e alimentação. Embora o condutor principal tenha que ser guia turístico formado, as informações culturais e históricas sobre cada parada estão nos audioguias, que ficam acoplados aos capacetes.

DE GRAFITEIRO E SKATISTA A ARTICULADOR URBANO

“Meu primeiro empreendimento foi vender geladinho na porta do Museu do Ipiranga, com uns sete anos”, conta Daniel. Na adolescência, ele participava de grupos de grafite e skate. Mas foi depois de sair do setor bancário que a carreira dele passou a orbitar iniciativas de convivência e mobilidade urbana.

Hoje, ele não tem carro e, quando as ladeiras não perdoam, usa uma bicicleta elétrica ou pega uma carona com a esposa, Fanny. Os dois são sócios no Eureka Coworking, aberto em 2014 na própria casa do casal, na Vila Mariana. “Chegou um momento que tínhamos praticamente um cômodo para a família na casa toda”, conta. A solução foi alugar a casa ao lado, que abriga a outra metade do Eureka, e ir morar em um apartamento.

Há quatro anos, o Bike Tour pedala com turistas e locais por pontos famosos de São Paulo, como o Centro Histórico.

Trabalhar em uma das 12 estações do Eureka custa a partir de 100 reais por dia e também há salas privativas e de reunião. “Naturalmente, atraímos iniciativas que se relacionam à cidade, à mobilidade e à economia compartilhada”, diz Daniel. Ali também ficam a redação da revista CHK, informativo da região da Chácara Klabin criado por Daniel em 2002, e o Bike Ajuda, aplicativo que disponibiliza uma rede de voluntários e mecânicos e aciona o Samu e a  PM, em caso de acidente ou furto de bicicleta. Por enquanto, ele só funciona em São Paulo e no Rio de Janeiro e há 550 usuários cadastrados..

O aplicativo está disponível grátis na Apple Store desde setembro de 2016. Uma investidora apostou no desenvolvimento da ferramenta, mas a ideia ainda carece de patrocínio para seguir Brasil afora. “A ideia surgiu do dia em que estava indo para uma reunião na Faria Lima e o pneu da bicicleta furou. Tive o insight quando alguém na própria ciclovia me ajudou”, conta Daniel.

REFLETIR SOBRE A MOBILIDADE URBANA É UMA ATIVIDADE DIÁRIA

Terrenos subaproveitados também estão na mira de Daniel. Em maio de 2016, ele e duas arquitetas moradoras da Chácara Klabin inauguraram o primeiro Parcão, área em frente ao Metrô Imigrantes com cercamento e circuito de agility para pets, além de aparelhos de ginástica e playground.

Depois de estruturado, o projeto foi levado à Subprefeitura da Vila Mariana, que comprou a ideia e a viabilizou em três meses. Até agora, ela já foi replicada em mais quatro praças paulistanas – duas em Moema, uma na Aclimação e outra em Santana, na Zona Norte.

A variedade de iniciativas de Daniel mostram que a sua maneira de pensar na mobilidade urbana vai muito além de estimular o uso da bicicleta em roteiros turísticos. Ela também passa por assumir a responsabilidade de cada um dentro da cidade e fazer da convivência uma experiência além dos muros de condomínios.


Fonte:: Redação