Meu grande amigo, e grande criativo, Marcio Formiga fez desabafo nas redes sociais que me incitou ao texto.

A droga da Caixa. Ou “Fora da caixa”, ou dentro da Caixa de Pandora

19/09/2017

Meu grande amigo, e grande criativo, Marcio Formiga fez desabafo nas redes sociais que me incitou ao texto.

Disse ele: Uma das expressões que mais me incomoda é "pensar fora da caixa". Volta e meia, escuto isso ainda, mas a primeira vez foi nos anos 90, século passado. Chegou a hora de alguém criar um novo termo como feito com "storytelling", o que sempre existiu. Mais fácil criar termos novos do que novidades reais.

Formiga está pleno de razão e eu respondi a ele, dizendo: Que tal usarmos o termo PENSAR. Acho que o que mais falta hoje em dia é gente usando o cérebro. Se os clientes escolhessem quem pensa neles ao invés de escolher amiguinhos teriam melhor resultado é não precisariam inventar termos pra justificar idiotices que eles escolhem. Ah, e hoje, pensar fora da caixa tem que significar barato. Como? Ah, já sei. Se vier dentro da caixa tem que cobrar por ela, né?

Foi então que uma outra amiga, e redatora brilhante, que pensa muito, Grazy Prezutti, disse que a resposta valeria um artigo. Então, tá.

Essa mania chata de gente que não tem o que fazer de ficar inventando termos, especialmente em inglês, pra mostrar que é bom e culto “deu no saco”, frase chula que quer dizer que encheu a nossa paciência.

Talento em Comunicação não deva ser avaliado por frases de efeito ou termos bonitos, discursos verborrágicos e termos em inglês, a que os clientes deram espaço para justificar as péssimas, quando não estranhas, escolhas de projetos, ações e eventos em concorrências.

Eles deviam ser avaliados tecnicamente nas suas respostas exatas aos briefings, hoje muito mal escritos, ou pelos resultados tangíveis que proporcionam.

Mas não. Nem os resultados, elogios ou aumento de venda ou dinheiro colocam agências  como favoritas no ano seguinte , quando uma agência recém-criada, que ninguém nunca ouviu falar, aparece e leva porque “pensou fora da caixa”, propôs “empoderamento”, deu “match” com a empresa, inclui nova tecnologia de ÄI”- ou seria ai, ai, ai? – e tantas outras baboseiras e invenções que justificam vitórias estranhas. Não raro, se valem do que a agência do ano anterior fez e criou e vem com um projeto espelho melhorado – Como sabem tanto?

O “fora da caixa” é nossa Caixa de Pandora ( Pra quem não sabe, a caixa remete à Mitologia Grega, com base no mito da criação de Pandora, que teria sido a primeira mulher criada por Zeus. Pois bem, a "caixa", na verdade era um grande jarro,  que foi dado a Pandora, no qual estavam todos os males do mundo. Mas Pandora abre o Jarro, deixando escapar todos os males do mundo, menos a "esperança".)

Então, considerando tudo isso, resta-nos a esperança de clientes mais transparentes, sem caixa ou Jarro, que busquem a nossa capacidade e real valor.

Aliás, o que,  a meu ver, os Deuses deveriam buscar em Pandora, porque são as mulheres, nas agências e nos clientes é que irão nos tirar dessa caixa preta angustiante.

Tô fora, tô dentro. Da caixa não! Desse engodo que alguns chamam de concorrências. E você?
 


Fonte:: Tony Coelho